Categoria: Entrevistas

  • João Jerónimo: O Campeão Europeu que Lidera a APD Figueira da Foz / Os Coxos

    João Jerónimo: O Campeão Europeu que Lidera a APD Figueira da Foz / Os Coxos

    O Craques esteve na Figueira da Foz para acompanhar um treino da APD Figueira da Foz / Os Coxos e conversar com João Jerónimo, capitão da Seleção Nacional de andebol em cadeira de rodas e campeão europeu.
    Fica a conversa, tal como aconteceu, no pavilhão.

    Craques: O que sentes ao ser campeão europeu de andebol em cadeira de rodas?

    João Jerónimo:
    “É um orgulho enorme. É sinal de que todo o esforço e todo o trabalho que tivemos durante 14 meses compensou no final. Ser campeão europeu, ainda por cima sendo português, num país tão pequenino, no meio de tantos tubarões da Europa, é algo muito especial.”

    Craques: Antes da final disseste ao grupo que iam ganhar. De onde vem essa convicção?

    João Jerónimo:
    “Antes do jogo começar, depois de aquecermos, reunimos em roda e eu disse-lhes para desfrutarem do jogo porque nós íamos ganhar o campeonato da Europa. Havia uma convicção muito grande de que iríamos conseguir e uma vontade enorme de mostrar que também somos capazes.”

    Craques: Já tinhas outras conquistas internacionais. Esta teve um peso diferente?

    João Jerónimo:
    “Todas as conquistas são especiais. A de Leiria foi muito marcante por ter sido na minha cidade, com o pavilhão completamente cheio. Mas este título agora tem uma importância maior porque é numa modalidade que está a ser cada vez mais aposta a pensar nos Jogos Paralímpicos.”

    Craques: Para quem não conhece bem a modalidade, qual é a principal diferença entre o 6×6 e o 4×4?

    João Jerónimo:
    “No 6×6 o espaço é muito mais reduzido, estão muitas cadeiras no campo. No 4×4 o jogo é mais rápido, mais aberto. O tempo de jogo também é diferente e há os 360 que valem dois golos, como no andebol de praia. É mais espetáculo, mais velocidade e mais choque.”

    Craques: Achas que Portugal já é uma referência no andebol em cadeira de rodas?

    João Jerónimo:
    “Sim, sem dúvida. Nota-se logo quando entramos em campo. Somos a única equipa que faz barulho no túnel e as outras equipas ficam claramente incomodadas. Queremos manter isso. Eles têm de olhar para nós e pensar que vão levar com uma equipa forte.”

    Craques: Como defines o teu papel enquanto capitão?

    João Jerónimo:
    “Sou um atleta normal. Não me distingo por ser capitão. O meu maior objetivo é perceber se todos estão bem, emocionalmente e fisicamente. Quero que todos tenham à vontade para falar comigo e dizer se precisam de alguma coisa.”

    Craques: O ambiente na Seleção é mesmo tão especial como parece?

    João Jerónimo:
    “É difícil de explicar. Parece ridículo dizer isto, mas é demasiado bom. Somos de clubes diferentes, de zonas diferentes do país, mas quando nos juntamos cria-se um laço muito forte. Durante a preparação do Europeu isso ficou ainda mais evidente.”

    Craques: A tua ligação ao desporto vem desde muito cedo. Depois do acidente, pensaste alguma vez parar?

    João Jerónimo:
    “O desporto sempre fez parte de mim. Depois do acidente eu não quis que isso acabasse. Custava-me muito ir ao pavilhão, sentir o cheiro da resina, e saber que não ia jogar. Mas isso também me deu força para procurar outros caminhos e continuar ligado à competição.”

    Craques: Hoje estás na APD Figueira da Foz / Os Coxos. O que representa este clube para ti?

    João Jerónimo:
    “Representa família. Aqui não é só desporto. É convívio, é dar objetivos a pessoas que às vezes estavam em casa sem perspetivas. Há atletas que mudaram completamente a vida desde que vieram para aqui. Isso vale muito mais do que qualquer título.”

    Craques: Ainda pensas parar ou o objetivo é continuar enquanto der?

    João Jerónimo:
    “Não penso parar. Ainda tenho o sonho dos Paralímpicos. Sei que a idade vai aumentando e os mais novos vêm aí fortes, mas enquanto estiver em condições tenho de continuar a trabalhar. Aqui ninguém tem regalias. Somos atletas normais.”

    Craques: Como gostavas que as pessoas se lembrassem de ti no futuro?

    João Jerónimo:
    “Como alguém resiliente. Tudo o que conquistei não foi só talento, foi trabalho e esforço. É essa a mensagem que quero passar. Independentemente de teres talento ou não, se não trabalhares, não adianta.”

    Vê a conversa completa em vídeo no YouTube do Craques
    A entrevista integral, com bastidores do treino e ambiente da equipa, está disponível aqui:

  • Paulo Catarino despede-se dos relvados: “O futebol moderno virou um jogo de computador”

    Paulo Catarino despede-se dos relvados: “O futebol moderno virou um jogo de computador”

    Depois de pendurar as chuteiras, Paulo Catarino refletiu numa entrevista exclusiva ao Craques, sobre os momentos mais marcantes da sua carreira futebolística. Desde a sua origem humilde, passando pelas lesões, até às críticas ao futebol moderno.

    Aos 53 anos, Paulo Catarino colocou um ponto final numa longa carreira que o levou a representar, então, mais de 30 clubes. A estreia deu-se aos 17 anos, no escalão sénior, ainda no futebol amador, em 1990, ao serviço do Quintajense, clube da região de Palmela, que disputava a 2.ª distrital de Setúbal. Apesar dos tempos difíceis, onde Paulo teve que conciliar o sonho com a vida profissional na Tipografia onde trabalhava, o convívio com atletas mais experientes acabou por ser uma grande aprendizagem para o jovem Catarino. Após mais de 30 anos no futebol sénior, o globetrotter avaliou o seu percurso numa entrevista ao Craques e diz não estar identificado com o futebol dos dias de hoje. Paulo Catarino despede-se dos relvados: “O futebol moderno virou um jogo de computador.”

    O arranque não foi, naturalmente fácil mas as recordações são, ainda assim, muito positivas. “Obviamente não ganhava dinheiro para viver. Mas foi um ano muito bom, numa altura muito difícil onde o futebol distrital era jogado por pessoas mais velhas. O que acabou por ser uma grande aprendizagem”, refere. A ambição sempre o guiou, mas ao contrário de muitos, mais pela alegria de jogar. “Não quero que se lembrem de mim apenas como bom jogador ou goleador, mas como um bom amigo e uma pessoa honesta”, explica.

    Os laços valem mais do que qualquer troféu

    Um dos momentos mais emotivos da sua trajetória no mundo do futebol, foi quando a sua mãe o viu jogar pela primeira vez,. “Fiz três golos e festejei todos abraçado a ela. Acho que daí nasceu o sonho de virar profissional para a poder orgulhar”, admite.

    Apesar de ter passado por mais de 30 clubes, Catarino valorizou muito mais os laços criados e as amizades que construiu no futebol do que propriamente os troféus. Ou, até, as conquistas individuais. “Os meus verdadeiros troféus são os amigos que deixei em cada clube”, confessa, acrescentando: “Orgulha-me chegar ao fim da carreira e ter tanta gente, desde roupeiros, a dirigentes ou antigos colegas de equipa a ligar-me e a mandar mensagens de carinho e apoio”, confessou Paulo Catarino.

    Da turbulência na Madeira até a um… Bonfim

    A época 1998/99, no Imortal, é considerada “determinante” por Paulo Catarino. Na anterior, ao serviço do Nacional da Madeira, Paulo sofrera uma lesão grave na coluna que o afastou, então, dos relvados por quatro meses. E, após o regresso à competição, o avançado teve de enfrentar uma dura realidade: a perda do seu irmão mais velho.

    Ricardo Formosinho, na altura treinador do Imortal, e atual adjunto de José Mourinho no SL Benfica, foi essencial para o ponto de viragem na história de Paulo Catarino. “Ele disse-me: ‘Vais comigo para o Algarve. Vais recuar uma divisão, mas eu confio em ti’. E assim foi. Depois dessa época, abriram-se várias portas em Portugal e no estrangeiro”, explica Paulo Catarino.  

    No entanto, o melhor ainda estava por vir. Em 1999, surge uma proposta do clube do seu coração, o Vitória FC. Que, na época, vivia então os seus tempos áureos na Primeira Liga portuguesa. “Era o meu sonho de menino e da minha família, dos meus irmãos e de toda a gente que gosta de mim. E não hesitei. Realizei o meu grande sonho de defender o clube do meu coração na Primeira Liga.”

    “Não faz sentido anularem golos por 2 ou 3 centímetros”

    Apesar do amor ao desporto rei, Paulo Catarino não poupou nas críticas ao estado do futebol moderno, “O futebol hoje é muito tático, parece um jogo de computador. Os jogadores perderam alegria e liberdade. E os treinos são autênticas aulas táticas”, refere. Já sobre o VAR e a intervenção tecnológica no desporto, Catarino não escondeu o seu desagrado. “Não faz sentido anularem golos por 2 ou 3 centímetros. O futebol é controlado por câmaras e os jogadores são controlados por fora”, considera.

    Este descontentamento é o motivo da sua recusa em apostar numa carreira como treinador. “Não me identifico com o estado atual do futebol. Por isso, a menos que surja um clube onde possa ser feliz, o futebol não fará mais parte da equação”, confessou. Numa espécie de balanço final, Catarino lamenta ter pago um preço demasiado alto pela sua carreira. “Arrependo-me de ter jogado fora muitos anos. Perdi anos de convívio com a minha mãe. Além de ter estado longe do meu filho durante vários anos. Se fosse hoje teria ficado mais perto da família”, admite o globetrotter Paulo Catarino.

  • Sacra tem seis golos em três jogos: “Arranque está a ser fabuloso”

    Sacra tem seis golos em três jogos: “Arranque está a ser fabuloso”

    Sacra leva seis golos nos últimos três jogos e está a ter um arranque que considera ser “fabuloso” de temporada ao serviço do Benfica e Castelo Branco.

    São seis golos nos últimos três encontros e sete na totalidade da época, num arranque de temporada bastante produtivo para Sacra. Ao serviço do Benfica e Castelo Branco, bisou na última partida frente ao Lusitânia dos açores e fez um hat-trick ao União da Serra.

    Em entrevista exclusiva ao Craques.pt, considera que o começo de época está a ser “fabuloso” e destaca o “trabalho psicológico” que teve de fazer para conseguir um bom registo goleador no Campeonato de Portugal, uma vez que veio da distrital de Aveiro.

    Sacra, de 25 anos, abordou, também, o momento do Benfica e Castelo Branco, que leva três vitórias consecutivas no Campeonato de Portugal, depois de um começo de época de apenas uma vitória nos primeiros quatro jogos.

    Tu não páras de marcar golos?

    Como se responde a isso? É como o ketchup, não é? (risos). Às vezes passamos por dois ou três jogos sem marcar e é normal quebrar o psicológico mas é mesmo um momento só, temos de respirar fundo e pensar sempe que vamos fazer golo. O trabalho da equipa também é importante, até posso ser bom finalizador mas se não tiver oportunidades torna-se difícil marcar.

    Como tens visto o teu início de época?

    É muito bom, é o meu primeiro ano no Campeonato de Portugal e foi uma proposta que tinha de aceitar. Depois, é sempre preciso uma pontinha de sorte, a equipa também está bem e isso ajuda. Podemos fazer coisas engraçadas, temos um bom grupo.

    Algum segredo para este arranque? Fizeste algo diferente?

    Não, nada. Eu sabia que tinha potencial, vim da distrital de Aveiro, que tem muita qualidade, mas quando chegas a um campeonato que nunca jogaste nunca sabes o que esperar. Não esperava ter este início de época, está a ser fabuloso e está a contribuir para a minha confiança.

    A confiança é muito importante, já tive anos em que estava mais em baixo mas pensei ‘se chegar lá acima cheguei’ e isso ajudou, mas também é preciso uma pontinha de sorte. Comecei a jogar mais tranquilo, mas estes pormenores fizeram-me crescer como jogador.

    O Campeonato de Portugal é muito mais difícil que as distritais?

    Acho que o Campeonato de Portugal é mais intenso, mais físico, mais tático. Mas Aveiro também é uma distrital com muita intensidade e qualidade, mas, sim, senti a diferença, mas pelo momento de forma que estou não senti uma diferença muito grande.

    É possível melhorares a tua melhor época, que são 16 golos?

    É sempre possível, comecei a perceber que a mentalidade é o mais importante. Se não fizer golo no próximo jogo tenho de pensar que vou fazer no próximo. Com esta mentalidade, sou capaz de superar os meus golos da época passada.

    O Benfica e Castelo Branco não começou bem mas está a crescer. O que se passou no início?

    Éramos uma equipa com muitos jogadores novos e com uma média de idades baixa. O início foi uma fase de adaptação, mas fomo-nos aproximando mais uns dos outros e isso foi fundamental para conseguirmos estas três vitórias seguidas.

    Quais os objetivos da equipa para a época? A subida é assumido?

    Não posso dizer que a subida de divisão seja um objetivo, mas se pensarmos jogo a jogo, pontuarmos mais e estivermos no topo da tabela, temos tudo para acreditar nisso. O futebol também é lindo por esses pormenores, às vezes as equipas que não estamos a contar chegam lá acima.

    A nível individual, que objetivos tens para a temporada?

    Eu tinha metido a meta dos 10 golos, que já achava que ia ser difícil. Começando a época como comecei e com a confiança que estou, faz sentido elevar essa meta e quem sabe voltar a repetir os 16 golos da época passada. Com os pés assentes na terra, tudo é possível.

    Que sonhos tens para a carreira?

    Temos de ter os pés assentes na terra, mas se for para sonhar mais vale sonhar alto. Quem sabe um dia chegar à Liga portuguesa, acho que é o objetivo de todos. Mas é difícil.

  • Pedro Carvalho é campeão mundial: “Voltei a ter amor pelo MMA”

    Pedro Carvalho é campeão mundial: “Voltei a ter amor pelo MMA”

    Pedro Carvalho sagrou-se, a 18 de outubro, campeão mundial de MMA, na Suíça. Ao Craques.pt falou da conquista, do amor ao desporto, da superação e do medo.

    Foi há poucas semanas que Pedro Carvalho se sagrou campeão mundial de MMA (artes marciais mistas), na Suíça, na promoção Warriors Night Championship, ao derrotar Damien Lapilus, por submissão, no primeiro round. A conquista do título marcou o fim de uma série de quatro derrotas e o início do futuro da carreira do português de Guimarães.

    Em entrevista exclusiva ao Craques.pt, Pedro Carvalho abordou a vitória, a reconexão com o MMA, a superação numa fase negativa da carreira e do que é sentir medo.

    Como é ser campeão mundial?

    Acaba por ser um bónus, porque o foco é sempre um, é sempre entrar lá para dentro, fazer o meu trabalho, fazer o meu trabalho bem feito e ganhar, neste caso, o título. O título de campeão do mundo acaba por ser um bónus muito bom, mas é isso. O foco para esta luta nunca esteve em ganhar o título, mas sim em fazer aquilo que eu queria fazer e ganhar a luta. O resto vem por acréscimo.

    Uma submissão na primeira ronda. Já achavas que ia ser assim?

    Eu sabia que eu tinha capacidades para acabar com o meu adversário nas duas vertentes, no chão ou em pé. A oportunidade surgiu e eu aproveitei. Estava mais inclinado para o KO, mas mal o meu adversário tentou mandar aquele pontapé e meio que se desequilibrou e caiu, eu sabia que a luta já estava com o tempo contado e aproveitei a oportunidade.

    Estavas numa fase difícil com quatro derrotas seguidas…

    Afastei-me um bocado do desporto e depois, claro, passando meio ano mais ou menos, aquela fome voltou naturalmente e as coisas correram num curso natural, em que não houve pressão em voltar, simplesmente as coisas aconteceram. E foi bom para mim, porque até então eu lutava muito, sentia aquela obrigação de lutar era como se fosse um trabalho, então eu tenho que picar o ponto. Foi bom para mim ter-me afastado, porque voltei a conectar-me com o amor que eu tinha ao desporto, com o amor de lutar. Sabia que ao ultrapassar aquela fase, eu iria me tornar 5, 6, 7 vezes melhor, e acho que o resultado está aqui. Uma disputa de título mundial, 2 minutos, e estamos aqui a falar.

    A paixão pelo MMA como começou?

    Em miúdo via um programa do UFC na Sic Radical e ao ver os lutadores a combater em pé, no chão, numa jaula, com luvas pequenas… apaixonei-me. Não sabia que existia MMA em Portugal, muito menos na minha própria cidade.

    Um colega meu começou a treinar com o Rafael Silva e um dia fui com ele, pensava que era futebol e quando soube que era MMA o meu mundo parou. Tivemos essa conversa numa quarta-feira e sábado já me estava a inscrever. O resto, é história.

    E foste para a Irlanda aos 20 anos.

    Sim, a Carla, minha mulher, perguntou-me onde estava a melhor equipa de MMA, porque nós já pensavamos em emigrar. Eu disse-lhe que o melhor ginásio era o Straight Blast Gym, do John Kavanagh. E ela disse-me ‘a Irlanda é a duas horas daqui’ e uma coisa levou à outra.

    Não foi é um começo fácil…

    Principalmente para arranjar trabalho, sim. Quando consegui, foi a limpar casas de banho num hospital. Mas olho para trás com sentimento muito positivo, com uma nostalgia boa. Estas adversidades fazem um homem e eu era um miúdo à busca do sonho.

    Como é feita a preparação para um combate? É complexo, não é?

    É muito difícil, fisica e mentalmente. Entre 8 a 10 semanas de preparação, alta intensidade, de segunda a sábado e muitas vezes de segunda a domingo. Intercalamos entre treinos mais pesados e técnicos, para o corpo recuperar. Mas nunca dá para ter uma preparação sem uma ou outra lesão.

    No topo disto, temos uma dieta restrita e que melhorar a nossa performance. E depois há a parte psicológica, que no meu caso implica estar longe da família, ter de lidar com a pressão do combate, visualizar…

    E é um desporto solitário. Não perde uma equipa, perdes tu.

    Sim, é a diferença para, por exemplo, o futebol. Não nos podemos dar ao luxo de ter dias maus, nem a treinar e muito menos a lutar. Com tudo o que exige para se ser um lutador, se a pessoa não gostar ou não quiser realmente, é muito difícil de seguir uma carreira, é muito desgastante e implica muito sacrifício.

    Como te sentes minutos antes de um combate? Como é o nervosismo?

    Quando te batem à porta do balneário e estás atrás do palco à espera para entrar, são os momentos mais complicados. Depois de nos chamarem, à medida que nos vamos aproximando da jaula, o barulho, que é intenso ao início, vai-se dissipanado. Quando entras na jaula e estás tu e o teu adversário, parece que há um silêncio.

    Alguma vez sentes medo?

    O sentimento é medo, mas não é medo do adversário, é medo de falhar, do que pode ou não pode acontecer, aqueles momentos inesperados. Há medo de se acontece algo que não podes controlar.

    Qual é a sensação de levar um murro em cheio?

    Nada. É difícil descrever mas é nada. Quando estás preparado e fazes disto vida, é como se estivesses a jogar. O nosso corpo e a nossa mente está preparada para isso, para o dano.

    Então quando sofremos dano não pensamos na dor, mas sim no que temos de fazer para evitar isto. É um jogo, quase como xadrez.

    Como te sentes após uma vitória?

    Tudo na vida, principalmente naquela primeira semana de competição, é incrível. As primeiras vezes que volto a levar os meus filhos à escola, as comidas que eu gosto, estar com os amigos e família, é tudo melhor. Dás mais valor à vida.

    Se falasses com o Pedro de 20 anos, o que lhe dizias?

    Agradecia-lhe porque foi esse Pedro que me ajudou a sair do fundo neste meio ano que me afastei do desporto. Foi ele que me ajudou a sair com uma vontade ainda maior. Às vezes vou ver os meus combates antigos e só sinto orgulho por aquilo que fiz.

    Atualmente sou um lutador 30 vezes melhor e se calhar estamos aqui a falar depois deste título mundial e foi por causa do Pedro de 20 anos que me fez ver que consigo muito mais e melhor do que na altura.

  • Entrevista com Daniel Candeias: «Quero continuar a jogar até o corpo me deixar»

    Entrevista com Daniel Candeias: «Quero continuar a jogar até o corpo me deixar»

    Aos 37 anos, Daniel Candeias vive uma nova etapa da carreira, ao serviço da Académica de Coimbra, e esteve à conversa com o Craques sobre a carreira e o futuro

     O experiente extremo, com passagens por clubes de topo em Portugal e no estrangeiro, explicou em entrevista as razões que o levaram a juntar-se ao histórico emblema dos estudantes: «Queria continuar a jogar futebol, sentia que ainda tinha capacidade para ajudar. Quando percebi que me queriam aqui, fez todo o sentido».

    «Receberam-me muito bem. É um grupo jovem, com ambição, e sinto que posso contribuir com a minha experiência», confessou o atleta português, que conta com apenas três semanas de trabalho em Coimbra.

    Na conversa, o antigo internacional sub-21 recordou o início da carreira, quando deixou a Guarda aos 13 anos para ingressar no FC Porto. «Foi difícil, chorei muito, mas ajudou-me a crescer». A formação nos dragões foi apenas o início de uma longa trajetória que passaria com destaque pelo Nacional da Madeira e ainda nas competições da Alemanha, Espanha, Escócia e Turquia.

    Créditos: Tribuna Expresso

    Enaltecendo a nostalgia, o extremo destacou o período no Nacional como «os três melhores anos em Portugal», e lembrou com carinho as épocas vividas no Rangers, na Escócia, e no Alanyaspor, na Turquia. «Fui muito feliz em Glasgow e na Turquia. Foram anos marcantes da minha carreira», confessou, elogiando ainda a paixão dos adeptos turcos e a intensidade dos dérbis escoceses.

    Sobre o futuro, Candeias mantém o foco no presente, mas já pensa na transição: »Quero jogar até o corpo me deixar. Depois, quero continuar ligado ao futebol, talvez como treinador adjunto ou dirigente. Gosto de estar perto do campo e dos jogadores.»

    Com mais de duas décadas de carreira e passagens por cinco países, Daniel Candeias mostra-se determinado a prolongar a ligação ao futebol, seja dentro ou fora das quatro linhas — sempre com a mesma paixão que o levou, aos 13 anos, a deixar tudo para seguir o sonho!

    Acompanhe a entrevista na íntegra no nosso Youtube


  • José Vala: “Já atingi o objetivo de ser visto como um dos bons treinadores do Caldas”

    José Vala: “Já atingi o objetivo de ser visto como um dos bons treinadores do Caldas”

    Na antecâmara da 3ª eliminatória da Taça de Portugal, o Craques entrevistou o treinador que orienta o Caldas desde a época 2016/17. José Vala faz, então, uma retrospetiva aos anos em que tem trabalhado no clube da Mata e sente orgulho por tudo aquilo que tem conseguido. Mas admite ter, ainda, sonhos por cumprir. E recordou, então, os melhores e os piores momentos que já viveu no ‘seu’ Caldas.

    CRAQUES – Como é estar há 10 anos a treinar a mesma equipa em Portugal?

    JOSÉ VALA – O que sinto não está só relacionado com o número de anos, mas também com o facto de ser no clube onde cresci, que teve um papel fundamental em tudo o que sou hoje. É, acima de tudo, um orgulho enorme.

    C – Em 2016/17, quando chegou, o Caldas era muito diferente de agora?

    JV – A estrutura do clube, quer física quer humana, apesar de algumas melhorias, não está muito alterada. Diria que a grande diferença é fruto do que temos feito ao longo destas épocas. Lembro-me que iniciámos com cerca de 300 a 400 pessoas nas bancadas e nas últimas épocas temos médias de 1300 a 1400. Sem dúvida, essa é, então, a grande diferença.

    C – Como gostaria, um dia, de ser recordado pelos adeptos do clube?

    JV – Quando comecei a treinar o Caldas, disse que um dia gostava de ser recordado como um dos bons treinadores que o Caldas teve e não pelo que fiz como jogador. Penso que já consegui atingir esse objetivo. 

    C – Por que é tão difícil para os adversários jogar no Campo da Mata?

    JV – Está diretamente relacionado com o número de adeptos que conseguimos ter nos jogos em casa e com o facto de a grande maioria reconhecer o nosso mérito. Não tenho grandes dúvidas de que na última época isso não foi uma realidade. Muito porque não se sentiu de forma idêntica a épocas anteriores, esse apoio e reconhecimento vindo das bancadas. Não tivemos, então, a capacidade de ter a regularidade exibicional necessária. Penso que esta época estamos a conseguir criar, novamente, esse ambiente.

    Adeptos do Caldas reconhecem o bom trabalho efetuado por José Vala. Foto: Facebook Caldas SC

    “As quatro derrotas seguidas na época em que subimos à Liga 3 teriam motivado despedimento noutro clube”

    C – Qual o segredo do clube para manter vários jogadores tantos anos no clube?

    JV – Não posso dizer que essa filosofia seja algo que me pertença, já no meu tempo de jogador, grande parte dos jogadores provinham da formação e ficavam muitos anos no clube. As diferentes pessoas que têm passado pela estrutura diretiva e técnica, têm um elevado sentido de humanismo, mesmo nas situações mais difíceis, levando a que o respeito seja mútuo. Quem respeita, na maioria das vezes, também é respeitado. É o que tem acontecido entre clube e jogadores.

    Nos momentos difíceis, clube e adeptos deram as mãos ao treinador

    C – Quais foram os momentos mais difíceis até agora no Caldas?

    JV – Na época que subimos à Liga 3, tivemos 4 derrotas seguidas. Noutro clube qualquer, ainda mais com o treinador a querer sair, a substituição do líder seria mais do que certa. Direção e capitães de equipa não o permitiram. Nunca me esquecerei das palavras do Luís Paulo e do Militão: “Quando este barco afundar, vamos todos ao fundo, não vai só o mister”; “Não há ninguém neste balneário que não dê tudo pelo mister.” Sem dúvida foi o momento mais difícil, mas também foi um daqueles que me tornou mais forte.

    C – E os que vai recordar para sempre?

    JV – As meias finais da Taça de Portugal; a eliminatória da taça de Portugal em que fomos eliminados pelo Benfica, apenas nas grandes penalidades; a subida à Liga 3 e todas as edições da Liga 3 em que conseguimos a manutenção.

    Os quatro magníficos e as histórias caricatas

    C – Consegue fazer um onze dos jogadores mais marcantes que já orientou no Caldas?

    JV – Não o vou fazer, porque teria de colocar 11 jogadores desta época. E se a pergunta fosse colocada o ano passado, seriam, então, os onze da época 2024/25. Os melhores serão sempre aqueles que treino no momento, é por esses que dou tudo e é a esses que exijo que deem tudo. Não querendo ser injusto para outros, destaco quatro que me marcaram pela qualidade humana e futebolística: Thomas Militão, Luís Paulo, Paulo Inácio e Leandro Borges… estes estariam sempre no meu 11.

    C – Tem alguma (algumas, certamente) história caricata que tenha vivido no clube que queira partilhar com o Craques?

    JV – A grande maioria das histórias caricatas está diretamente relacionada com dois dos momentos mais marcantes: as meias finais da Taça de Portugal e a eliminatória com o Benfica. No primeiro jogo, em Vila das Aves, treinámos na véspera, em Caldas de Vizela onde estagiámos, num parque perto do hotel, a chover torrencialmente. E os jogadores dormiram nos corredores e sala de convívio do hotel no dia do jogo, porque tivemos de deixar os quartos ao meio-dia.

    José Vala transformou o Campo da Mata numa fortaleza para a sua equipa

    Tratam-se, então, de dois dos momentos mais caricatos que vivi e que uma equipa que disputava, então, as meias-finais da segunda competição mais importante do futebol Português, com certeza, viveu. E com o Benfica, tínhamos treino marcado para a manhã do dia do jogo e a polícia não nos deixava passar. Mesmo dizendo-lhes quem éramos. “Posso passar? Sou treinador do Caldas”, perguntava. E a resposta era: “Não sei quem é, não tenho autorização para deixar passar ninguém.” Salvou-nos, então, o nosso gestor de segurança, Pedro Creio.

    C – Chegar aos campeonatos profissionais é um objetivo esta época?

    JV – O objetivo para esta época é, então, igual ao das anteriores épocas da Liga 3, manter o Caldas nesta excelente competição.

    A importância da formação académica para ser melhor treinador

    C – Também é professor. Onde e o que leciona?

    JV – Sou professor de Educação Física na Escola EB 2,3 de Atouguia da Baleia.

    C – Em que é que a carreira de professor o tem ajudado a crescer enquanto treinador?

    Mais do que a carreira como professor, acredito que a minha formação académica tem ajudado:

    – Da minha formação em Educação Física (Licenciatura), a mais valia está, então, na construção e operacionalização dos exercícios de treino. A parte científica e pedagógica tem, em muitas situações, um grande transfer.

    – Da minha formação em Psicologia do Desporto (Mestrado), a capacidade de construção de grupos fortes e resilientes. Pelo menos, é esse o objetivo.

    “Tenho o sonho de voltar a subir com o Caldas”

    C – Pretende continuar a treinar até que idade?

    JV – Sinceramente, nunca pensei nisso, sinto que ainda tenho muito para fazer na vida. E não vejo, nem nunca consegui ver, a mesma sem o futebol.

    C – Soma 291 jogos e 115 vitórias pelo Caldas, como treinador. Tem algum número redondo que gostasse de atingir um dia?

    JV – Não tenho qualquer objetivo em relação ao número de jogos, mas gostava de ganhar todos os que ainda vou fazer. Mesmo sabendo que é um objetivo praticamente impossível de atingir. Ninguém ganha sempre, mas todos podem sonhar com isso.

    C – Qual foi o melhor e o pior jogo que já viveu como treinador do Caldas?

    JV – O melhor, pela qualidade do adversário e por aquilo que conseguimos fazer, foi, então, o Caldas-Benfica, na 3ª eliminatória da Taça de Portugal da época 2023/24. O pior foi o Atlético-Caldas (4-0) da época passada.

    C – O que é que ainda gostaria de alcançar no Caldas?

    JV – Tal como tenho o sonho de ganhar todos os jogos, também tenho o sonho de voltar a subir com o Caldas.

    A equipa do Caldas defronta amanhã o Mirandela para a Taça de Portugal

    C – Olhemos para o Caldas-Mirandela. O que espera deste jogo para a Taça de Portugal?

    JV – Um jogo extremamente difícil, contra uma equipa que vem motivada de um excelente resultado. Não nos esquecemos que na época passada fomos, então, eliminados pelo Tirsense, que também estava na Série A. E, à data, encontrava-se, então, exatamente na mesma posição em que se encontra o Mirandela. Não queremos ter o mesmo desfecho, mas para isso teremos que ser muito melhores.

    C – Em 2017/18 chegou às meias-finais da Taça de Portugal. Será possível repetir esse feito no Caldas?

    JV – Isso é como ganhar todos os jogos… não é impossível, mas é muito difícil.

  • Eduardo Ferreira é sensação na distrital de Braga: “Nunca pensei que fosse correr tão bem”

    Eduardo Ferreira é sensação na distrital de Braga: “Nunca pensei que fosse correr tão bem”

    Campeão pelo Ases de Santa Eufémia na temporada passada, o avançado tem sido o principal motivo do bom arranque da equipa, agora, na segunda divisão distrital de Braga. Aos 24 anos, além de ter marcado em todos os seis jogos do campeonato, Edu já provou, também, ser jogador de fazer grandes golos.

    Num início de temporada ainda insuficiente para se fazer conclusões, o Ases de Santa Eufémia ocupa o primeiro lugar, com treze pontos, os mesmos que o Caçadores das Taipas. Eduardo Ferreira não esconde o ânimo em torno do clube, mas deixa claro: “O nosso objetivo é a permanência, porque acabámos de subir e não vamos entrar em loucuras.” Além disso, revelou ao Craques o seu contentamento desde a sua chegada ao clube, no ano passado. “São pessoas espetaculares, acarinham-me sempre”, afirmou. Mas também pelos resultados e pelos golos marcados, principalmente esta temporada. O registo é notável: seis golos em seis jogos. “Um golo por jogo, chego ao fim e faço 30”, disse ainda, em jeito de brincadeira. Eduardo Ferreira é sensação na distrital de Braga: “Nunca pensei que fosse correr tão bem”.

    @rematedigital

    Que golo fabuloso de Edu Ferreira pelo Ases de Santa Eufémia na Divisão de Honra da AF de Braga! 🤌 Podes ver todos os golos do Puskás das Distritais 2025/26 na nossa página do facebook! 👀

    ♬ som original – Remate Digital

    A formação deu uma ajuda

    Muito antes de se transferir para Santa Eufémia de Prazins, o avançado começou a sua aventura futebolística nos sub-10 dos Dragões Sandinenses, também em Guimarães.

    Uns anos mais tarde, já em idade juvenil, foi fazer captações ao Moreirense e conseguiu ficar. “Foi uma experiência diferente jogar no campeonato nacional, pela qualidade dos jogadores”, explicou Eduardo Ferreira, em entrevista exclusiva ao Craques.

    Edu Ferreira fez 11 golos em três épocas pelo Moreirense

    Para lá disso, ficaram as recordações e… a qualidade. “Acho que consegui tirar um bocadinho daquilo que é a qualidade desse patamar”. Algo em que, vindo daí ou não, se tem evidenciado temporada após temporada. Mas ficam também registados os momentos inesquecíveis. “Nos Sandinenses, cheguei a apanhar o Vitinha, atual jogador do Génova. Estávamos os dois a disputar o título de melhor marcador, com muitos golos. Mas ele era um fora de série” relembrou o jogador.

    A dura realidade do futebol profissional

    Depois da boa experiência fora de casa, foi hora de voltar aos Sandinenses, outra vez. E lá se estreou como sénior na temporada 2020/2021, que coincidiu com os anos do Covid-19, o que dificultou a sua adaptação. Na segunda época, já correu melhor. “Os primeiros meses foram complicados, mas depois a bola já não batia no poste e já entrava. Acabou por correr bem”, disse Eduardo Ferreira, que marcou oitos golos nesse ano.

    Edu fez 5 golos nos primeiros 5 jogos como sénior

    Na temporada 2022/2023 e última ao serviço dos Sandinenses, sofreu, então, aquela que será a lesão mais temida no mundo do futebol, a rotura do LCA (Ligamento cruzado anterior). “Na terceira época tive uma rotura de ligamentos num joelho”, afirmou, lamentando, então, não ter participado nos jogos em que a equipa viria a confirmar a subida de divisão, neste caso, ao Campeonato de Portugal.

    Sonhar com os pés bem assentes na terra

    Antes de ser emprestado ao Desportivo de Ronfe, onde teve uma passagem rápida, Eduardo chegou a pisar os relvados do Campeonato de Portugal, com a camisola dos Dragões Sandinenses, por 16 minutos, mas avisa: “Não penso nisso como um objetivo de ter que voltar lá. Penso, só, que se tiver de acontecer acontece.”

    E finalmente, a chegada ao Ases de Santa Eufémia na temporada 2024/2025, a qual confessa que foi inesperada. “A saída do Ronfe foi um bocado precoce. À quarta jornada, decidiram terminar o contrato comigo e pensei nessa altura deixar de jogar. Até porque as equipas já estavam formadas, e era muito difícil entrar em qualquer plantel naquele momento” afirmou o jogador.

    Eduardo Ferreira fez 15 golos em 22 jogos na primeira época pelo Ases Sta Eufémia

    No entanto, o melhor estava por vir. Quando as coisas pareciam não estar a seu favor, encaixou no Ases de Santa Eufémia que nem uma luva e até agora não se pode queixar: esta época marcou em todos os jogos, tendo mesmo feito o golo da vitória em casa do Arões, na última ronda. “Conseguimos ser campeões, era o objetivo da equipa. E este ano, estamos num patamar superior onde o clube merece estar claramente” disse. Com alguns altos e baixos ao longo da sua carreira, o avançado de apenas 24 anos só quer aproveitar o momento: “O objetivo é desfrutar daquilo que o futebol me dá (…) e acho que o Ases foi um clube que me fez muito bem.”

    E certamente, fez. Eduardo Ferreira, sabe, então, melhor do que ninguém, o que é marcar em todos os jogos esta temporada. Com seis golos em seis jogos, é a sensação na segunda divisão distrital de Braga, ao serviço do Ases de Santa Eufémia.

  • João Serrão: central com golo e ambição de Primeira Liga

    João Serrão: central com golo e ambição de Primeira Liga

    Aos 25 anos, João Serrão soma já 3 golos em 7 jogos esta época pelo São João de Ver. Central de raiz, mas com faro de avançado, tem-se afirmado como uma das figuras da equipa malapeira e mantém vivo o sonho de chegar à Primeira Liga.

    O gosto pelos golos  

    No U. Lamas já tinha mostrado faro para a baliza, terminando como 2.º melhor marcador da equipa, e agora continua a confirmar esse instinto.
    O jogo aéreo é uma das minhas maiores armas. Nas bolas paradas, gosto de aparecer e meter a cabeça.

    Todos os golos desta época foram de cabeça, um reflexo do seu estilo combativo:
    Sou um central duro quando tem de ser, mas também gosto de ajudar a equipa a marcar.

    João Serrão nas alturas - Instagram João Serrão

    Metas para esta temporada  

    Se os golos são um bónus, o foco principal é claro:
    Óbvio que quero marcar, mas o meu objetivo é fazer o máximo de minutos possível e, acima de tudo, ajudar a equipa a não sofrer golos.

    Ainda assim, não esconde que continuar a aparecer na lista dos marcadores é algo que o motiva:
    Sempre que puder, vou tentar marcar. Mas o mais importante é ser útil à equipa em todos os momentos.

    João Serrão ao serviço do União de Lamas - Foto: Craques.pt

    De guarda-redes a defesa com golo  

    Curiosamente, o primeiro sonho de Serrão não foi ser defesa.
    Queria ser guarda-redes como o meu pai, mas uma lesão fez-me ser central.
    E ainda bem. Hoje é patrão da defesa, mas também um dos nomes que aparece nas estatísticas de marcadores do São João de Ver.

    A Juventus e a escola de elite  

    Formado no FC Porto, partiu aos 16 anos para a Juventus, onde aprendeu a exigência do futebol de topo:
    Foi um desafio difícil no início, sozinho e sem saber falar a língua. Mas num clube da dimensão da Juventus nunca nos faltou nada. Foi uma experiência incrível, que nunca mais vou esquecer.

    João Serrão na Juventus - @gettyimages

    A Roménia e os estádios cheios  

    Depois da formação em Itália, regressou a Portugal, mas rapidamente surgiu a oportunidade de alinhar na Roménia.
    Jogávamos sempre com 30 ou 40 mil pessoas. Mesmo em casa, tínhamos 13 a 14 mil adeptos. Foi uma experiência cultural e desportiva incrível.

    Uma aventura que o fez crescer, mas que também lhe mostrou a dimensão do futebol fora de Portugal.

    O regresso a casa e a subida com o Felgueiras  

    De volta, passou por Vitória FC, Oliveirense, USC Paredes, Felgueiras e U. Lamas. No Felgueiras viveu um dos momentos mais especiais da carreira:
    A subida à Segunda Liga com o Felgueiras. Foi uma época dura, joguei pouco, mas a forma como conquistámos a subida na última jornada foi inesquecível.

    Um balneário unido  

    Hoje, no São João de Ver, sente que encontrou uma casa onde pode crescer ainda mais.
    O balneário é incrível, temos sempre boa disposição e não viramos a cara à luta.

    equipa do SC São João de Ver abraçada em campo - Instagram  SCSJV

    Ídolos e referências  

    Na hora de escolher um espelho, não hesita:
    O meu ídolo sempre foi o Sérgio Ramos. Tento fazer algumas coisas como ele – até os golos de cabeça.

    E recorda colegas que o marcaram:
    Na Juventus, Fagioli era diferenciado. E na Roménia, o Fred Maciel também me impressionou pela qualidade e caráter.

    O sonho da Primeira Liga  

    Apesar de já ter 25 anos, a ambição é clara:
    Ainda sonho chegar à Primeira Liga. Temos muitos exemplos de jogadores que lá chegaram aos 29 ou 30. Vou continuar a trabalhar todos os dias para lá chegar.

    A Taça de Portugal  

    No presente, a prioridade é ajudar o São João de Ver. Na Taça de Portugal, o próximo adversário é o Famalicão, equipa da Primeira Liga:
    Encaramos o jogo como todos os outros, mas queremos passar. Ainda por cima jogamos em casa, vamos lutar pelo objetivo de ir o mais longe possível.

    A história continua

    Entre cortes e cabeceamentos certeiros, João Serrão tem mostrado ser mais do que “apenas” um central. No São João de Ver tornou-se uma referência na defesa, mas também um nome a ter em conta quando a bola viaja para a área contrária. A época ainda vai no início, mas uma coisa já ficou clara: o central goleador quer continuar a deixar marca, jogo após jogo.

    Vê a entrevista completa em vídeo com o João Serrão nas redes e no site do Craques.pt!

  • A “experiência incrível” de Jorginho na Liga dos Campeões

    A “experiência incrível” de Jorginho na Liga dos Campeões

    O percurso de sonho de Jorginho no Kairat continua. O clube apurou-se para a fase de liga da Champions e o português, que ainda há dois anos jogava no Campeonato de Portugal, fala em “experiência incrível”.

    Há dois anos Jorginho fazia tremer os defesas no Campeonato de Portugal ao serviço do Pevidém. Agora, foi protagonista no apuramento inédito do Kairat, do Cazaquistão, para a fase de liga da Liga dos Campeões, com dois golos e duas assistências apontadas em oito jogos.

    Em declarações exclusivas ao Craques.pt, o atacante português fala na família, no país e na “experiência incrível” que é jogar na prova milionária.

    Como foi a experiência na Liga dos Campeões?

    Esta fase de qualificação para a Liga dos Campeões foi uma experiência incrível, mas agora todos queremos mais.

    Há dois anos jogavas no Campeonato de Portugal e agora competes na Champions. Como é que um jogador vive isto?

    Tem que ser com a maior naturalidade possível. É óbvio que estou a viver o sonho e que foi uma mudança incrível na minha vida, mas o que eu quero é que isto se torne normal e regular.

    O quão importante foi a Liga 3 e o Campeonato de Portugal na tua evolução como jogador?

    Jogar em Portugal foi muito importante para a minha formação e crescimento como jogador. É dos melhores países formadores, onde se aprende muito sobre o jogo e foi importante para me dar bagagem.

    Estás muito longe de casa. Como se mantém a tua relação com a família? Foi contigo para o Cazaquistão?

    Não, a minha família ficou em Portugal. Falamos várias vezes por videochamada, mas já me vieram visitar aqui e eu também já consegui ir a casa numa pausa para as seleções.

    O que dizes sobre jogar no Cazaquistão? O que achas da Liga e do país?

    É um país diferente, o futebol aqui é mais físico e menos tático, os jogos são mais partidos. O país é muito grande e só tive oportunidade de conhecer um pouco, por isso não posso falar muito. A cidade de Almaty, onde estou, é bastante desenvolvida e com várias atrações e opções de lazer, é bastante diferenciada em relação a outras cá.

    Achas que um português, por vezes, tem mais mediatismo quando joga bem fora de Portugal em relação a quando tem boas exibições aqui?

    Sim, sem dúvida. Infelizmente em Portugal sempre se preferiu investir em jogadores de fora do que em jogadores locais. Mas é o que é, tanto no futebol como na vida temos que seguir em frente e aproveitar as oportunidades que nos vão surgindo.

  • Avintes sobe à Liga PRO da AF Porto: “É um momento histórico”

    Avintes sobe à Liga PRO da AF Porto: “É um momento histórico”

    O Avintes subiu à Liga PRO da AF Porto dada a desistência do Leixões B. Em declarações exclusivas ao Craques.pt, o presidente Bruno Lopes Cardoso fala em “momento histórico” para o clube de Vila Nova de Gaia e confia na manutenção.

    Foi a 11 de agosto que os adeptos do Avintes celebraram a subida de divisão. Não é normal haver mudanças nas organizações das competições da AF Porto nesta altura, mas devido à desistência do Leixões B da Liga PRO, houve uma “dança de cadeiras” entre emblemas e um dos afetados foi o conjunto gaiense.

    Em declarações ao Craques.pt, o presidente Bruno Lopes Cardoso mostrou confiança que será uma época positiva, mas de consolidação para o Avintes, reconhecendo a exigência que competir na Liga PRO da AF Porto traz.

    O que representa a subida à Liga PRO para o Avintes?

    Esta subida constitui (mais) um momento histórico para o Futebol Clube de Avintes e o reconhecimento do trabalho, empenho e dedicação de todos — com particular enfoque para a anterior direção, equipa técnica e jogadores. A todos eles um especial agradecimento. Esta subida, embora de cariz administrativo, não retira qualquer mérito ao trabalho realizado na época transata pois é o resultado de um projeto sustentado que esta nova direção procurará consolidar e incrementar.

    Que desafios a subida de divisão coloca ao clube?

    A nova realidade competitiva traz exigências acrescidas, tanto no plano desportivo como no organizacional. Iremos defrontar adversários mais experientes e com maior estrutura, o que implicará otimizar recursos e garantir que manteremos o rigor e a coesão que nos trouxeram até aqui.

    Quais são os planos do Avintes para a próxima época?

    O nosso objetivo é preparar uma época competitiva e equilibrada, consolidando a nossa presença na Liga PRO. Apostamos na estabilidade do plantel e na criação de condições logísticas e técnicas que permitam à equipa competir ao mais alto nível.

    Acredita na manutenção na Liga PRO?

    Acreditamos firmemente na manutenção. Respeitamos todos os adversários, mas temos confiança no trabalho da equipa técnica e no compromisso dos nossos jogadores. A nossa meta será assegurar a permanência, construindo vitórias passo a passo. Contamos com o 12.º jogador (os sócios e adeptos) que, no caso particular do Futebol Clube de Avintes, é de vital importância pelo apoio e energia que transmitem para dentro das quatro linhas.

    Haverá diferenças no investimento?

    Neste momento podemos dizer que nenhuma diferença existirá. As condições de treino e organização do clube foram substancialmente melhoradas durante a pré-época, o atual plantel é extenso, com muita qualidade e recheado de atletas talentosos e com ambição. Manteremos, por isso, uma gestão responsável, procurando equilibrar a ambição desportiva com a sustentabilidade financeira, a qual, para esta direção, é de vital importância.

    Que mensagem passa aos adeptos neste momento?

    Este sucesso é também deles. Aos nossos sócios e adeptos, deixo um profundo agradecimento pelo apoio incondicional e pela forma como nos acompanham em todos os momentos. Queremos que continuem a ser a nossa força extra e que vivam connosco esta nova etapa, sempre com orgulho e paixão pelo Futebol Clube de Avintes.