Categoria: Idioma Futebol por Carlos Vaz Pinto

  • O Dérbi

    O Dérbi

    Ontem jogou-se a final da prova rainha do futebol português. O Sporting venceu o Benfica por 3-1, conquistou a sua 18ª Taça de Portugal e fez, então, a dobradinha.

    A expectativa era grande e não faltou emoção até ao último minuto do jogo, ainda que nem sempre bem jogado. Na antevisão ao jogo, Bruno Lage afirmou que Samuel Soares seria o titular na baliza encarnada, mas apenas ontem ficou confirmada a ausência do onze inicial de Aursnes e Di Maria. A mudança trouxe Dahl e Bruma de início, mas também um sistema tático que já utilizado algumas vezes esta época. O treinador do Benfica apostou, então, no 3x4x3 que normalmente o seu rival também utiliza.

    Rui Borges manteve a estrutura que utilizou nos derradeiros jogos para a Liga e fez uma alteração no 11 que tem utilizado nesse sistema tático. Saiu Diomande, por lesão, e St Juste foi o titular no centro do setor defensivo leonino.

    Os minutos iniciais tiveram algum equilíbrio, mas o Benfica, com a estrutura que Bruno Lage trouxe para o jogo, criou desconforto ao Sporting na sua primeira fase de construção. Havia como que um “espelho” da estrutura do Sporting e a aposta no homem-a-homem nos momentos de organização defensiva do Benfica deu conforto à equipa encarnada, que teve sempre o jogo controlado até ao fim dos primeiros 45 minutos.

    O treinador do Benfica e a sua equipa técnica planearam e operacionalizaram, na minha opinião, um plano de jogo que surpreendeu o Sporting, criando-lhe dificuldades na sua fase ofensiva do jogo.  

    A segunda parte começa praticamente com o 1-0 para o Benfica aos 47´. Kökçu, de fora da área, rematou forte num momento de desequilíbrio defensivo do Sporting do seu corredor direito. O Benfica, até aqui, tinha sido uma equipa coesa, determinada em cumprir o plano de jogo estabelecido pelo seu treinador e com níveis de concentração competitiva elevados. Merecia estar em vantagem.

    O que mudou?

    Aos 58´o Sporting faz a primeira alteração: Morita no lugar de Debast. Foi esta alteração que mudou o rumo do jogo? Ou foi o Benfica que perdeu o foco no seu plano de jogo?

    Na verdade, progressivamente, o Sporting começa a ter momentos mais prolongados de organização ofensiva e acaba o jogo dominador em todos os dados estatísticos do encontro.

    Há, na minha opinião, dois comportamentos coletivos determinantes nesta mudança. O Benfica perdeu capacidade de pressionar o Sporting na sua primeira fase construção e isso levou-o a defender em bloco médio-baixo. Trazendo, então, o adversário para zonas mais próximas da sua baliza. Além disso, a saída de Kokcu (fadiga?) e Pavlidis retiraram capacidade ao Benfica para conectar o seu jogo ofensivo e explorar o seu momento do jogo mais forte: a transição ofensiva.

    Do lado do Sporting, os jogadores vindos do banco trouxeram energia positiva ao seu jogo, algo que não aconteceu com os jogadores vindos do banco do seu rival. E é curioso, porque olhando para os dois bancos de suplentes, apostaríamos, à partida, que o Benfica teria armas mais poderosas para trazer ao jogo.

    Parece um chavão quando os treinadores falam em família e da importância dos laços que unem os membros de um grupo. O jogo de ontem voltou a sublinhar a importância de todos se sentirem parte da equipa. O empate (1-1) surgiu nos instantes finais do tempo regulamentar e forçou o prolongamento.

    Gyokeres converteu uma grande penalidade cometida sobre si próprio.

    É verdade que o coletivo será sempre o mais importante, mas o dérbi também se decididiu com pormenores de qualidade individual. O sueco foi determinante na conquista do bicampeonato e ontem voltou a sê-lo na conquista da dobradinha. É injusto não mencionar outros, como Hjulmand ou Trincão.

    O capitão e o português (época incrível) foram importantíssimos na conquista de ontem, mas também no desempenho do Sporting. Mas, hoje, permitam-me uma vénia a Di María. Obrigado!

  • O Exercício de Treino

    O Exercício de Treino

    Participei, no passado mês de março, no Fórum anual da ANTF 2025 realizado em Matosinhos. Muitos foram os ilustres palestrantes nas diversas sessões teóricas e práticas. É um momento de partilha acerca das nossas práticas enquanto treinadores de futebol, de reflexões e análise de conteúdos das mais diversas áreas, de divulgação de novos estudos e metodologias relativos ao treino desportivo. E também é um momento de conversas informais com colegas com enorme sabedoria acumulada ao longo de anos de prática.

    Um dos ilustres participantes, enquanto palestrante, foi o Professor Carlos Queiroz. Uma referência para mim!

    No longínquo ano de 1990 fui convocado para a seleção nacional de Sub-15. As seleções nacionais jovens iniciavam, sob o seu comando, um trajeto ímpar de sucesso nos resultados desportivos mas, acima de tudo, no desenvolvimento de jovens de enorme talento no nosso país.

    Hoje, passados 35 anos, é um enorme gosto ouvir o Professor pela sua sabedoria e constatar que continua a ser uma referência para os que amam este desporto e procuram todos os dias melhorar o desempenho de equipas e jogadores.

    O treino como “terapêutica”

    Uma das ideias por si trazidas a debate foi a de que o exercício de treino é, ou devemos considerá-lo, como uma “terapêutica” para melhorarmos jogadores e equipas.

    Na verdade, apresentaram-me esta ideia ainda em tempos de estudante universitário. O Professor Jorge Castelo no prefácio do seu livro “O exercício de treino desportivo” faz a analogia entre o ato médico e o ato do treinador e também entre o medicamento e o exercício de treino. Seguindo esta ideia, o medicamento receitado para um dado indivíduo está para o médico, como o exercício de treino está para o treinador de futebol.

    Após o diagnóstico do estado do paciente, a prescrição médica, estabelece o fármaco (medicamento) que melhor corresponda às necessidades deste.

    Para o treinador, a questão é similar. Após o conhecimento e análise das capacidades momentâneas dos jogadores ou da equipa, o técnico deverá, em função dos objetivos, planear (prescrever) as sessões e os respetivos exercícios de modo que respondam de forma adequada e eficaz às exigências que treino e competição em si encerram.

    O exercício de treino é um meio que se afirma como um dos mais importantes da atividade do treinador. Por este motivo, faz sentido que, para nós treinadores, mereça uma reflexão e estudo de acordo com a sua importância.

    A medicina dispõe das mais diversas terapêuticas, assim como treino desportivo. O treino em futebol é de tal ordem complexo que permite que as mais variadas conceções (terapêuticas) conduzam de forma igualmente favorável ao sucesso desportivo.

    No entanto, o exercício de treino precisa alinhar-se com a ideia de jogo do treinador. O treinador define essa forma de jogar e utiliza o treino para modelar os comportamentos e atitudes dos jogadores/equipas.

    Se o objetivo é ter uma equipa organizada para competir, o treinador deve seguir um modelo de jogo. Para isso, precisa de usar exercícios que façam parte desse modelo. Esses exercícios devem evidenciar os princípios que definem a organização da equipa.

    A periodização tática

    Muito do sucesso dos treinadores de futebol portugueses passa pela evolução metodológica verificada com o aparecimento da periodização tática. Esta metodologia de treino visa operacionalizar as ideias do treinador em processo de ensino-aprendizagem desenvolvendo tudo de acordo com a ideia de jogo do treinador.

    Resumindo, e citando o professor Jorge Castelo: o treino desportivo é um processo pedagógico. Tem como objetivo desenvolver as capacidades técnicas, táticas, físicas e psicológicas dos jogadores e das equipas. Para isso, baseia-se na prática sistemática e planificada do exercício. Tudo isso acontece dentro do contexto das situações competitivas e segue princípios e regras fundamentadas no conhecimento científico.

    A evolução do treino depende da qualidade do conhecimento teórico-prático. Por isso, os momentos de reflexão são fundamentais. Permitem que os treinadores cresçam e, ao mesmo tempo, elevam a qualidade do jogo das equipas.

  • El Clásico

    El Clásico

    Neste sábado, o Barcelona venceu o Real Madrid na final da Taça do Rei, em Sevilha, após prolongamento, por 3-2. Assim, consolidou a ideia de que pode ganhar tudo esta temporada. Que grande época está a fazer!

    Após o confronto de ontem à noite, o Barcelona pode conseguir o pleno nesta época desportiva. Ambas as equipas com ausências no onze inicial! Lewandowski, lesionado, não foi utilizado enquanto o condicionado Mbappé começou no banco. 

    O Barcelona entrou melhor e dominou a primeira parte. Marcou o 1-0 por Pedri, aos 28 minutos, fruto de algum domínio catalão sobre o Real Madrid muito pelo “encaixe defensivo” que Hansi Flick promoveu. Retirou espaço e tempo ao seu rival, muito pela pressão exercida no momento de construção do Real Madrid mas também pela forma coordenada como a linha defensiva blaugrana retirou espaços também no momento de criação!

    Revela muita competência, o Barcelona, nestes momentos, principalmente quando se trata de, com muitos metros nas suas costas para cobrir, deixar a linha defensiva jogar no limite do risco para encurtar espaços e juntar linhas. Foram, para mim, estes aspetos defensivos decisivos que determinaram o domínio do Barcelona na primeira parte.

    É inequívoco que o nível superior deste tipo de jogador é fundamental para a manifestação destes comportamentos, mas o papel do treinador é decisivo para a sua operacionalização do ponto de vista coletivo.

    A análise quantitativa

    Nem sempre a análise quantitativa nos mostra, a nós treinadores, a qualidade das ações, mas o gráfico seguinte reforça a ideia de que, ao longo da primeira parte, o domínio do Barcelona está muito associado aos seus comportamentos coletivos defensivos e às ações defensivas individuais dos seus jogadores. Há, para mim, muito trabalho do seu treinador do ponto de vista tático mas também ao nível da dimensão psicológica.

    Fonte: WyScout

    A segunda parte do jogo foi diferente. O Real Madrid melhorou muito com a entrada de Mbappé mas também com a aposta de Ancelotti em Modric.

    Como podemos constatar no gráfico seguinte, a capacidade de recuperar bola aumentou com a entrada do craque croata, de 39 anos! Trouxe à equipa capacidade para pressionar mais e melhor a construção do Barcelona, deu ao Real Madrid mais domínio. O acerto no timing da pressão foi decisivo para o melhor momento ofensivo da equipa.

    Pode parecer estranho mas os momentos do jogo de futebol estão interligados. É decisivo defender bem, ter esse acerto, para que o momento ofensivo seja mais prolongado e por consequência as equipas sejam mais dominadoras.

    A importância da pressão coletiva

    No prolongamento, já com alguns jogadores a mostrar sinais de fadiga, tivemos, para além da qualidade individual dos intervenientes, muita emoção. O golo da vitória nos últimos instantes do jogo, obtido por Koundé – num belo momento de pressão coletiva do Barcelona e numa recuperação de bola no último terço do campo -, expulsões e muita emoção como os adeptos do futebol gostam e merecem ser presenteados.

    Jules Koundé aproveitou uma recuperação alta para disparar certeiro e fazer o 3-2 no prolongamento

    É, por este motivo, que o Barcelona está neste momento da época em condições de discutir a conquista de todas as competições em que está envolvido. É uma equipa muito bem trabalhada no seu todo, com jogadores de muita qualidade, que conhecem muito bem a ideia de jogo do seu líder e que a transportam para o campo do ponto de vista coletivo e deixando de lado os egos que tantas vezes não permitem atingir os objetivos coletivos.

    Esta época, o Barcelona já conquistou a Supertaça de Espanha na Arábia Saudita, ganhou a Taça do Rei pela 31ª vez, sendo o clube mais titulado da competição, está nas meias finais da Liga dos Campeões e encontra-se bem posicionado para vencer o campeonato (é líder com quatro pontos de vantagem).

    Temos Equipa!

  • A importância da Liga Revelação

    A importância da Liga Revelação

    Regressei ao Futebol Clube Famalicão na temporada de 2019/20 para assumir as funções de treinador da equipa Sub-23, que participava na 2ªedição da Liga Revelação. Foi um projeto que me cativou pelo desafio de ‘potenciar talento’. Conhecia o clube – havia passado por lá em 2016/17, então como diretor desportivo – e sabia da transformação que a chegada da SAD estava a operar, o que, aliado ao fervor dos adeptos, fariam crescer o Famalicão.

    Entrei com a época já em curso, com a equipa sem vitórias, mas com objetivos muito claros: desenvolver atletas, formar e criar potencial para valorizar. E valeu a pena!

    Mais valias financeiras

    No início desta temporada, 2024/2025, dois atletas dessa equipa foram transferidos com mais valias financeiras para FC Famalicão e AVS, com a venda dos passes de Luiz Júnior para o Villarreal e Clayton Sampaio para o Internacional de Porto Alegre.

    O Clayton veio pela primeira vez para Portugal para jogar nos Sub-23 do FC Famalicão. Não foi aposta na equipa principal, fez o seu trajeto até chegar à 2ª Liga, onde representou o Nacional da Madeira e o AVS, e gerou uma transferência de €1,2M para o Internacional.

    O Luiz Júnior chegou a Famalicão proveniente dos Sub-20 do Mirassol para jogar nos Sub-19, mas subiu aos Sub-23, até se impor na equipa principal e ser vendido por €12M para o Villarreal.

    Para além destes dois casos, que são os rostos mais visíveis da equipa, há vários jogadores a competir na 1ª e 2ª Ligas Portuguesas, assim como em ligas profissionais no estrangeiro. Assisto, frequentemente, a discussões sobre a utilidade da Liga Revelação. Estas discussões envolvem colegas de profissão e aparecem também em debates nos órgãos de comunicação social e na imprensa.

    Clubes com objectivos diferentes para a Liga revelação

    Há várias opiniões, das mais favoráveis, mas também há quem não olhe para a competição como o espaço competitivo ideal para desenvolver talento e gerar mais valias.

    Na verdade, os diversos clubes participantes na Liga Revelação olham para a competição com objetivos diferentes. Há quem jogue com jogadores no limite da idade permitida para o escalão, mas há clubes a utilizar jogadores muito jovens de modo a potenciar talento.  

    O caso mais recente é Geovany Quenda, que fez mais do dobro dos jogos nos Sub-23 do Sporting do que na equipa B. E, neste caso específico, encontramos inúmeros exemplos:

    –  Matheus Nunes passou dos Sub-23 do Sporting para a equipa principal diretamente;

    –  António Silva tem apenas 4 jogos da equipa B do Benfica (e fez mais de 35 nos Sub-23);

    –  João Neves tem mais jogos nos Sub-23 do que na equipa B do Benfica;

    –  Vitinha fez mais jogos nos Sub-23 do que na Equipa B do Sp. Braga;

    –  O próprio Renato Veiga tem mais jogos nos Sub-23 do Sporting do que na equipa B.

    Vale(u) a pena!

    Atualmente, na 1ª Liga, jogam vários atletas que passaram pelo menos uma época na Liga Revelação. Alguns deles fazem parte do onze habitual das equipas principais. Entre eles estão: Tomás Handel (Vitória de Guimarães), Leonardo Lelo (agora no Casa Pia, mas que fez mais de 30 jogos nos Sub-23 do Portimonense), Wagner Pina (Estoril), Gustavo Sá (Famalicão), Fábio Ronaldo (Estrela da Amadora) e João Gonçalves (Boavista).

    O guarda-redes Ricardo Velho tem mais jogos nos Sub-23 do Sp. Braga do que na equipa B, e mesmo quando se transferiu para o Farense (na 2a liga na altura) começou na equipa de Sub-23, até impor-se na equipa principal. Hoje é um jogador de Seleção Nacional Portuguesa! Mas tanto em Braga como em Faro precisou daquele contexto para se potenciar.

    Carlos Vaz Pinto liderou a equipa Sub-23 do Famalicão em 2019/20

    Há, ainda, outros casos de futebolistas que jogam com regularidade, mas sem o mesmo mediatismo. São exemplos Miguel Reisinho (Boavista), Miguel Maga (Vitória de Guimarães), Fabrício (Estoril) e Tiago Dias (atualmente no Casa Pia e que foi meu jogador no Famalicão Sub-23), entre outros.

    Alguém tem noção de quanto dinheiro já “rendeu” a Liga Revelação?

    Refiro-me apenas a jogadores que disputaram a Liga Revelação por, pelo menos, uma época. Esses jogadores subiram à equipa A, afirmaram-se e geraram uma venda. (Aqui, excluo Benfica, Sporting e Braga.) Em 7 edições da prova, já renderam qualquer coisa como 150 milhões de euros! Se, a estes valores, juntarmos Benfica, Sporting e Sp. Braga, os números rondam os 500 milhões de euros!

    A Liga Revelação surgiu na época 2018/2019. O objetivo era ocupar, nos clubes com equipas nos campeonatos profissionais, o espaço de transição entre o futebol júnior e o sénior. Assim, procurou-se potenciar o talento em idades decisivas e inspirar os jovens jogadores. A ideia era que, nos sub-23, mantivessem o objetivo de seguir uma carreira de sucesso no futebol.

    Na minha opinião, foi um objetivo amplamente atingido. Além disso, contribuiu para que os clubes, mesmo os de menor dimensão, conseguissem gerar mais valias financeiras. Vale(u) a pena!

  • Vamos falar Futebol!

    Vamos falar Futebol!

    O dicionário da língua portuguesa da Porto Editora refere o significado de Idioma como: 1. língua de um povo ou de uma nação, considerada nas suas características próprias (léxico, regras gramaticais, fonética, etc.); 2. forma de expressão que caracteriza uma pessoa, um período ou um movimento.

    Terá o futebol o seu próprio léxico? – O Futebolês, dirão alguns!

    A verdade é que ao longo destes anos enquanto treinador tenho refletido acerca do tema, porque se a comunicação assume papel fundamental em todas as áreas de atividade, mais ainda numa equipa de futebol onde tantas vezes temos pela frente um plantel com vários idiomas e por vezes até dialetos e até os carateres não são os comuns à nossa língua mãe. Trabalhei em dois contextos, Etiópia e Índia, que são disso exemplo e a verdade é que o futebolês existe e é dele que nos socorremos para explicar no treino e no jogo o que queremos.

    Muitos são os treinadores portugueses espalhados pelo mundo. Os números recentes dizem-nos que desde a década de 60 mais de 1100 treinadores principais portugueses exerceram funções em 150 países. Tivemos ainda, 28 treinadores que foram selecionadores A. Conquistámos troféus em 64 países. Qual a razão para tamanho sucesso?

    Como comunica o treinador?

    Entre nós treinadores e na reflexão que fazemos acerca das nossas práticas enumeramos várias razões.

    A enorme capacidade que o treinador português revela na adaptação ao contexto é com toda a certeza uma das primeiras para o enorme sucesso que temos obtido fora de portas.

    Mas como comunicamos com os jogadores em África, na Europa, na Ásia ou na América do Sul?

    Martí Perarnau, o autor do livro A Evolução, explica como para Pep Guardiola funciona o processo de comunicação, os diálogos e as trocas de informações numa equipa.

    No livro A Evolução, o jornalista e escritor Martí Perarnau explora o “idioma” de Pep Guardiola

    “Guardiola constrói o seu idioma, uma língua própria com os conceitos de futebol que o treinador pretende praticar. Estes conceitos formam o modelo de jogo – que nada mais é que a ideia de jogo do treinador. Assim, o modelo de jogo é um idioma. De modo a atingir os objetivos é fundamental que todos na equipa compreendam esse ‘idioma’”, escreve.

    De rabiscos a exercícios padronizados

    Vários são os meios utilizados pelos treinadores para comunicar. Desde rabiscos em quadros táticos a exercícios padronizados ou até a utilização do suporte de vídeo, são usados para transmitir a ideia de jogo.

    Não é tarefa fácil criar este idioma. A criação e operacionalização do modelo de jogo é uma tarefa complexa, que exige de staff e jogadores muito estudo e treino. O modelo de jogo é um idioma que todos devem perceber.

    Para uns, basta falar, para outros é melhor escrever num bilhete, gesticular enquanto falamos ou até usar um palavrão à boa maneira do Idioma Futebol que tão bem o treinador português usa quando quer transmitir uma emoção.

    A comunicação é o elo de ligação entre os membros de todos os grupos, e em todos os cantos do mundo somos bons porque carregamos emoção no nosso Idioma Futebol tratando os nossos jogadores primeiro como pessoas. Será futebolês provavelmente, aquela que se torna universal e que nos leva a ser entendidos por todos.