
Com quatro vitórias, sete empates e quatro derrotas, António Oliveira não resistiu à oscilação de resultados e viu interrompida mais uma etapa no futebol brasileiro, apenas meses depois de também ter sido afastado do Sport Recife, na Série A.
Quando chegou a Belém do Pará, no início do verão, António Oliveira parecia, pois, ter reencontrado um caminho para relançar a carreira. O Remo, histórico clube amazónico, confiava-lhe a missão de devolver competitividade e de manter vivo o sonho de regressar ao convívio dos grandes do Brasileirão.
Houve sinais de esperança: triunfos fora de portas, uma equipa combativa, a estreia promissora do açoriano João Pedro. Mas no Baenão, a exigência nunca se dissipou. Apenas uma vitória em casa — frente ao Avaí, a 25 de julho — tornou-se o reflexo de uma relação difícil com os adeptos, que cedo mostraram impaciência.

Nos 45 pontos disputados sob o comando de António Oliveira, o Remo conquistou 19 — longe de ser um registo desastroso, mas insuficiente para garantir a tranquilidade que a direção e os adeptos reclamavam. O português manteve a equipa em zona competitiva, próxima dos lugares de subida, mas não conseguiu estancar a irregularidade que acompanhava cada jornada. O equilíbrio, tantas vezes elogiado, não se transformou em vitórias consistentes.

A saída de Belém é, então, o segundo despedimento de António Oliveira em 2025, depois da curta passagem pelo Sport Recife, onde somou quatro jogos sem qualquer vitória. Entre Série A e Série B, o treinador não encontrou ainda o espaço de afirmação plena que procura no Brasil, país onde já soma passagens por sete clubes — Santos (como adunto de Jesualdo Ferreira), Athletico Paranaense (adjunto de Paulo Autuori e principal), Cuiabá (duas vezes), Coritiba, Corinthians, Sport e agora Remo.
Filho de Toni, antigo internacional e treinador português de referência, hoje vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, António Oliveira leva consigo mais uma aprendizagem numa trajetória feita de avanços e tropeços.
O desafio, agora, é reconstruir confiança. O mercado brasileiro continua a ser-lhe familiar, mas a sucessão de despedimentos em tão pouco tempo torna mais pesada a próxima aposta.
No coração de Belém, António Oliveira deixa o Remo a meio do caminho: competitivo, mas preso às suas próprias incertezas. E deixa também uma pergunta no ar — quantas vidas restam ainda ao treinador português no futebol brasileiro?
António Oliveira rescinde com o Remo: mais uma travessia interrompida no Brasil






