
Fabrício Simões já jogou em quase todos os escalões de futebol em Portugal. Representou Câmara de Lobos, Machico e Benfica Castelo Branco na antiga III Divisão; Operário Lagoa na antiga II Divisão; Estoril, Sp. Covilhã, Famalicão, Farense, Feirense, Estrela da Amadora e B-SAD na 2ª Liga; e, por fim, Olivais e Moscavide e Alcochete nos Distritais. O Globetrotter das divisões ainda marca aos 40 – leva 14 golos pelo Alcochetense, líder da 1ª Divisão da AF Setúbal – e pode chegar ao Campeonato de Portugal. Contas feitas, ao experiente avançado vai ficar-lhe a faltar apenas… a Liga 3.
Com 15 golos e 2 assistências na época (contabilizando o golo na Taça da AF Setúbal), Fabrício é o homem golo do clube de Alcochete e assume a ambição do clube, sem reservas. “O grande objetivo do clube é a subida, então vamos lutar até ao fim para conseguir isso. Quero terminar a minha carreira em grande, com uma subida de divisão, seria a cereja no topo do bolo.”

A 5 jornadas do fim, o Alcochetense lidera a 1ª Divisão da AF Setúbal, com mais 2 pontos do que o Olímpico do Montijo e procura, então, o 5º título de campeão distrital, depois dos que alcançou em 1973/74, 1997/98, 2004/05 e 2008/09. Para isso, conta com um autêntico… nómada.
Ao todo, Fabrício Simões já representou 24 clubes na carreira, entre Brasil, Portugal, Angola e Chipre. “Confesso que não esperava ter uma carreira assim, a mudar tantas vezes de equipa”, admitiu o avançado, em exclusivo ao Craques.pt, destacando-se a sua passagem pelo futebol angolano, mais propriamento no Recreativo da Caála, onde esteve um ano e meio.
Sobre a passagem por Angola, lembra que a mudança foi, então, motivada por um bom contrato e pelo calendário compatível com a época portuguesa. “O futebol lá era muito agressivo e com muito contacto, parecido ao do Brasil”, diz o experiente avançado.

As razões para tantas mudanças deviam-se, segundo o goleador do Alcochetense, a “falta de acordo para renovar contratos ou a novas oportunidades mais atrativas que iam surgindo.” Mas, apesar da constante mudança, Fabrício tem deixado a sua marca e um espírito vencedor, incutido em todos os grupos por onde se tem integrado.
Na Segunda Liga portuguesa, ajudou a promover três equipas à Primeira Divisão: o Estoril, o Famalicão e o Farense. E acredita que o sucesso está sempre no coletivo. “Temos de estar todos juntos a remar para o mesmo lado. Quem subir vai ser recompensado, porque os jogadores valorizam-se e isso atrai os melhores projetos”, confessa.
O regresso de Angola, país onde representou Recreativo Caála, Benfica de Luanda e Recreativo do Libolo, deu-se em 2016/17 mas ainda houve uma passagem pelo Chipre – onde fez 20 golos em 14 jogos pelo Alki Oroklini – antes de aterrar em Famalicão, convencido por “num projeto para subir” e por um país que já conhecia, bem como a família.
Fisicamente, o veterano reconhece que os 40 anos já se fazem sentir: “A cabeça quer, mas as pernas já não acompanham tanto.” Ainda assim, está a 3 golos de bater a sua segunda melhor marca de sempre no futebol português: os 16 tentos apontados ao serviço de Famalicão e Sporting da Covilhã. Mas difíceis de alcançar já estão os 23 golos marcados pelo Benfica e Castelo Branco em 2009/10…

Quanto a sonhos ainda por realizar, Fabrício é direto: “Era um sonho voltar a jogar na Primeira Liga. Consegui, mesmo que por meia época, ao serviço da União de Leiria. Tenho muito orgulho no que fiz no futebol. Fiz grandes amizades e aprendi que, para as coisas darem certo, o balneário é muito importante”.
Aos 40 anos, o globetrotter das divisões em Portugal está a 5 jogos de ajudar o Alcochetense a subir ao Campeonato de Portugal. E Fabrício Simões, que já passou a barreira dos 200 golos na carreira esta época, talvez ainda possa fazer uma perninha numa das poucas divisões do nosso País onde ainda não se estreou…






