
Especialista nestes momentos, Gustavo Galil é chamado pela quarta vez na carreira para a decisão por penáltis na Taça de Portugal, onde foi sempre feliz. Em 2021/22, chegou até aos quartos-de-final com o Leça FC, e foi decisivo com grandes defesas e sendo chamado como o “rei dos penáltis”.

Com algum tempo até se afirmar em Portugal, o guarda-redes de 27 anos deu os seus primeiros passos de afirmação no Campeonato de Portugal em 2019/20, no Leça FC. Apesar de ter ficado, praticamente, três anos sem jogar isso nunca foi um obstáculo mental. “Fui para o Leça e não jogava, mas as oportunidades que ia tendo tentava agarrar”, afirmou.
Era precisamente na Taça de Portugal que ia tendo essas oportunidades. O primeiro grande motivo de destaque, foi, então, num jogo contra a Oliveirense, precisamente na 2.ª eliminatória. Nessa partida defendeu um penálti que garantiu o empate 0-0, e consequente ida para as grandes penalidades. E, adivinhe-se, defendeu outro e garantiu, pois, o acesso à próxima fase. O Leça só saiu da prova pelas mãos do SC Braga, por 3-1, na eliminatória seguinte.
O ano de afirmação no clube estava por vir, mais cedo ou mais tarde. E veio. Com Luís Pinto, atual treinador do Vitória SC, a quem Gustavo Galil se refere, pois, com grande admiração: “Foi o treinador que mais me marcou, com certeza o melhor que eu trabalhei a nível tático, técnico e mental. Não é à toa que chegou onde chegou, e está onde está. Tenho uma admiração e um carinho muito grande por ele”.

Numa temporada repleta de grandes emoções, e com um lugar mais firme no plantel, foi mais uma vez a Taça de Portugal que o fez sorrir. Na temporada 2021/22, o Leça escreveu uma das mais bonitas caminhadas da história na competição, certamente. Depois de eliminar o Lusitânia de Lourosa e o SC Pombal nas primeiras eliminatórias, encontraram o Arouca, clube da Primeira Liga. Com uma grande exibição, Gustavo Galil foi o herói do jogo, após o empate a um durante 120 minutos, com quatro penáltis defendidos!
Como se não fosse suficiente, eliminaram ainda o Gil Vicente. E, novamente, nas grandes penalidades contra o Paredes, defendeu, então, mais dois penáltis e ainda marcou o decisivo que colocou a equipa nos quartos-de-final, frente ao Sporting, que acabou por eliminá-los. O guarda-redes brasileiro recorda essa caminhada com grande emoção: “Conseguimos fazer uma trajetória bonita. Foi um momento muito marcante para todos nós, para os adeptos e para o clube”.

Vindo do Brasil com apenas 17 anos tinha a vontade de jogar “como todos os miúdos brasileiros”. Com o sonho de jogar na Europa decidiu aceitar o desafio, em Portugal. Gustavo teve que ultrapassar algumas adversidades no caminho: das promessas de empresários, à 1.ª divisão distrital do Porto, e, agora, à Liga 3.
Em Portugal jogou no Sport Canidelo, Varzim ‘B’, Sobrado, Leça, Tirsense, Fafe, União de Santarém e, atualmente, o Sporting da Covilhã. Um desafio que, passado muitos anos, continua a ser uma luta diária. O início de temporada dos serranos tem sido conturbado, e na Liga 3 ainda não venceram. Por isso mesmo, estas vitórias na Taça são vistas como uma lufada de ar fresco. “É uma sensação muito boa. Nós vivemos para estes momentos. São muitos dias de luta, para estes, raros, dias de glória”, rematou o guarda-redes.
O atleta de 27 anos confidenciou, ainda, que tem um sonho: “Quero experimentar novos campeonatos, novas ligas, na Europa ou na Ásia. Tenho essa vontade e vou trabalhar para isso”.
Gustavo Galil, o rei dos penáltis: “É um rótulo que eu gosto bastante”






