Paragem de março para compromissos das Seleções é a última antes das decisões nos principais campeonatos. Quem vai fazer a festa em maio?

Ao contrário do que seria expectável, a maioria dos cinco principais campeonatos da Europa parece estar decidida quanto ao vencedor. Dizemos parece porque, no futebol, já se viu de tudo, mas a verdade é que, à entrada para a reta final dos ‘Big Five’, há protagonistas de luxo: três campeonatos com um líder lançado para o título, sendo a La Liga e a Serie A as que prometem maior emoção até ao apito final.

Premier League: Reds perto do título

A edição 2024/25 trouxe duas grandes surpresas. Desde logo a supremacia evidenciada pelo Liverpool na época de estreia de Arne Slot, técnico holandês que sucedeu ao conceituado Jürgen Klopp e de quem, certamente, todos esperavam menor fulgor.

Mas os reds embalaram desde cedo na liderança do campeonato – graças a uma super época da sua estrela maior, Mohamed Salah – e chegam à reta final com um avanço confortável de 12 pontos sobre o Arsenal de Arteta, quando faltam nove jornadas por disputar.

Salah, com 27 golos e 17 assistências é a maior figura de um campeonato que, desta vez, não teve o Manchester City como protagonista principal – ocupa o 5º lugar depois do tetracampeonato – e no qual emergiu um super Nottingham Forest.

Apontado, no início da época, pelas casas de apostas a um 15º lugar na melhor das hipóteses, a turma de Nuno Espírito Santo emula, então, os feitos incríveis da equipa de Brian Clough nos anos 80 do século passado.

Já a luta pela permanência parece resumida a três clubes: Leicester, Ipswich Town e Wolverhampton, este último treinado por Vítor Pereira e que conta no plantel com seis futebolistas portugueses: José Sá, Toti Gomes, Nélson Semedo, Rodrigo Gomes, Carlos Forbs e Gonçalo Guedes.

Os lobos estão bem acima da zona de descida e, nas próximas cinco jornadas, defrontam os dois concorrentes diretos, pelo que têm na mão uma hipótese de ouro para garantir a salvação já em abril.

La Liga: luta titânica pela liderança

Flick, Ancelotti e Simeone estão a protagonizar uma luta titânica pelo título em Espanha. Uma maior irregularidade de Real Madrid e Barcelona aliada a uma época mais consistente do Atlético Madrid foram os condimentos necessários para um campeonato discutido ao detalhe e com muitas emoções guardadas para a recta final.

Ancelotti tarda em estabilizar uma equipa recheada de craques do meio-campo para a frente, mas com lacunas evidentes na defesa. Por outro lado, Flick tem visto um Barça mais forte em 2025, depois dos tropeções em novembro e dezembro do ano passado. Já o Atlético de Simeone vive agora o momento mais tremido da época, após ter ‘voado’ em novembro e dezembro.

Lewandowski continua, aos 36 anos, a desafiar as leis do físico. Atualmente, ocupa a liderança dos melhores marcadores, com 22 golos, mais dois do que Kylian Mbappé. Note-se que o estreante merengue que disparou depois de um arranque muito criticado.

No Atlético, o craque é… a equipa, mantendo-se fiel à filosofia de Simeone. Resta saber se o adeus às competições europeias, caindo aos pés do… Real Madrid, pode ser um tónico para a equipa colchonera esfomeada de títulos.

Na luta permanência, ninguém pode mesmo descansar. O Valladolid parece já condenado à descida, mas, a 10 rondas do final, ainda há 3 pontos a separar o 15º (Espanyol) do 19º (Las Palmas). Portanto, qualquer ponto conquistado pode ser decisivo nas contas finais da La Liga.

Serie A: Inter e Nápoles taco a taco

A 10 jornadas do fim, Antonio Conte e Simone Inzaghi são os craques de um campeonato discutido ao… milímetro. O empate entre Nápoles e Inter de há três jornadas mostrou que não será uma luta fácil pelo scudetto, como parecia para o Nápoles na primeira metade da época.

Os campeões incontestáveis das últimas épocas travam, então, agora uma luta acérrima pela liderança da Serie A e, embora os napolitanos de Conte tenham, em teoria, um calendário mais favorável (até pelo facto de não estarem envolvidos em provas europeias), não é aconselhável afastar já o campeão da equação.

Já pela negativa, o grande protagonista chama-se Thiago Motta. Depois da campanha sensacional que fez ao serviço do Bolonha, qualificando o clube para a Liga dos Campeões, o antigo médio assumiu o comando da Juventus. No entanto, a sua época de estreia não lhe tem corrido de feição.

Os múltiplos empates somados na primeira fase da prova deixaram a equipa muito longe da desejada luta pelo título. De facto, é a equipa com mais empates na Serie A (13), à frente de Bolonha, Torino, Veneza e Génova, todos com 11. Agora, resta esperar por melhores dias em Turim.

Já na luta pela permanência, o histórico Parma luta desesperadamente por se salvar. Está três pontos acima da zona de descida, mas os 6 pontos que separam o 15º (Cagliari) do 19º (Veneza) prometem muitas emoções nas últimas 10 jornadas.

Já o Monza, de Pedro Pereira e Dany Mota, ocupa, então, o último lugar, a 10 pontos da salvação e só um milagre evitaria a descida à Serie B.

Bundesliga: Bayern vai lançado

Se, na época passada, o craque da Bundesliga foi Xabi Alonso, treinador que operou o milagre do Bayer Leverkusen campeão, nesta temporada parecem identificados dois craques: Vincent Kompany e… Harry Kane.

O Bayern voltou à ‘normalidade’ e está lançado para o seu 34º título de campeão. A equipa é orientada pelo estreante técnico belga Kompany, enquanto um bombardeiro cheio de fome de títulos, Harry Kane, lidera o ataque.

O avançado inglês prepara-se, então, para ganhar o primeiro troféu da carreira aos 31 anos. Um título importante depois de uma década passada ao serviço do Tottenham, sem grandes motivos para festejar.

É o melhor marcador da Bundesliga, com 21 golos, mais quatro do que Schick (Leverkusen) e tem alimentado o sonho de Kompany, um técnico muito questionado quando chegou a Munique, pelo facto de ter pouca experiência como treinador e nenhuma em qualquer dos Big Five.

Mas contra resultados não há (grandes) argumentos e o Bayern tem mostrado a sua força.

Na luta pela fuga à descida, o regressado St. Pauli procura a todo o custo evitar regressar ao segundo escalão. Com 7 pontos a separar o 14º (Hoffenheim) do 17º (Heidenheim), a luta promete emoções até ao apito final da 34ª jornada.

Ligue 1: já ninguém agarra o PSG

O grande protagonista do campeonato francês, edição 2024/25, é o mesmo dos mais recentes anos: Paris Saint-Germain.

Mas o realce vai para o ‘upgrade’ de uma equipa de autor construída por Luis Enrique. O PSG funciona em bloco e já consegue dar respostas convincentes na Liga dos Campeões.

Com pilares assentes num meio-campo recheado de craques dos pés à cabeça, como Vitinha ou João Neves, o PSG entra na reta final do campeonato como líder. Está mais do que isolado, ostentando 19 pontos de avanço. Essa margem é suficiente para concentrar agora os esforços no grande sonho: ser campeão europeu.

Imbatível até ao momento, o PSG é de “outro campeonato”. Assim sendo, a luta europeia é aquela que vai reservar maior nível de nervosismo para os adeptos. Apenas 4 pontos separaram o Marselha (2º) do Estrasburgo (7º).

Na luta pela permanência na Ligue 1, o português Aurélio Buta (Reims) procura ajudar o histórico Stade de Reims a evitar a descida. No entanto, a tarefa não será fácil, pois Le Havre e o histórico St. Étienne estão muito próximos: 3 pontos a distanciar 3 equipas.


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