Portugal conseguiu a quarta final na sua história e alcançou este magnífico registo no espaço de ‘apenas’ 21 anos. Ou seja, a Seleção Nacional tem conseguido uma média de uma final – de uma grande competição – a cada cinco anos.

A primeira foi, claro, em 2004, no Europeu disputado em Portugal. Foi o Euro do nosso descontentamento, em todo o caso, pelo trauma ‘grego’ que nos irá perseguir, a todos, até ao último dia das nossas vidas. Em 2016, porém, chegou a alegria suprema: Portugal voltou à final do Campeonato da Europa, em Paris, e conseguiu escrever nessa noite a página mais brilhante da sua história, com o golo imortal de Éder.

Três anos depois, em 2019, Portugal voltou a uma nova final – logo no ano de estreia da Liga das Nações. Vitória no Porto, no Estádio do Dragão, frente à Holanda (golo de Guedes).

Cinco anos volvidos, e aí está Portugal, de novo, numa final da Liga das Nações, depois da brilhante vitória sobre a Alemanha, em Munique – com os golos de Francisco Conceição e Cristiano Ronaldo.

Quatro finais em 21 anos não é, de todo, um registo ao alcance de muitas seleções mundiais. E das três já disputadas, Portugal levantou duas vezes o troféu – com Fernando Santos ao comando, em ambos os casos.

Números jogam a favor do espanhol

Ora, numa altura em que o nome de Roberto Martínez está na agenda do dia, em função da especulação que vai crescendo em torno da sua continuidade (ou não) à frente de Portugal, importa perceber se – mais do que os conceitos, a estética ou a capacidade de comunicar – os números jogam a favor do espanhol.

E, sim, jogam. Claramente! Dos três selecionadores que levaram Portugal a finais (Scolari, Fernando Santos e, agora, Roberto Martínez), o atual selecionador é aquele tem maior percentagem de vitórias: 22 triunfos em 29 jogos, o que equivale a 75,8% de jogos ganhos.

Fernando Santos, o selecionador que venceu o Euro’2016 e a Liga das Nações, em 2019, disputou 109 jogos à frente de Portugal e conseguiu 68 vitórias: 62,3% de triunfos.

Scolari, esse, aparece no último lugar do pódio: 41 vitórias em 69 jogos, o que resulta em ‘apenas’ 59,4% de jogos ganhos. Ou seja, Martínez é o melhor… e a longa distância dos treinadores mais bem sucedidos na história da FPF.

Convertendo para uma lógica de 3 pontos por vitória todos os jogos que disputaram (mesmo considerando as eliminatórias, onde não existe a questão pontual), a vantagem de Martínez é, também, evidente: o espanhol consegue uma média de 2,34 pontos por jogo, contra 2,06 de Fernando Santos e 1,98 de Luiz Felipe Scolari.

Golos Marcados

No que toca a golos marcados — outro fator de análise que pode ajudar, de certa forma, a medir a qualidade e a proposta de jogo — Martínez também leva vantagem. E de forma confortável. Sob o comando do espanhol, Portugal marca em média 2,75 golos por jogo. Já com Scolari, a média desce para 2,13. Com Fernando Santos, baixa ainda mais: 2,11.

O brasileiro foi, ainda assim, aquele que precisou de menos jogos para chegar a uma final. Até ao (fatídico) jogo com a Grécia, Scolari fez 22 jogos. Fernando Santos, por seu lado, completou 25 jogos antes da final de Paris, enquanto Roberto Martínez somou 29 jogos até ao momento.

A conclusão a retirar daqui é que, independentemente do que acontecer na final de domingo, não há muitos argumentos que possam servir para justificar o afastamento de Martínez do comando da Seleção Nacional. Afinal, é o que ganha mais vezes e é o que marca mais golos. Está no cargo há apenas dois anos e meio e tem contrato válido até julho de 2026 – mês em que termina o próximo Mundial.

Nem mesmo na Bélgica, que orientou entre 2016 e 2022, Martínez conseguiu registos tão positivos. Aqui vale a pena lembrar que, nessa fase, a seleção belga chegou a ser durante muito tempo líder no ranking da FIFA. Ao serviço da Bélgica, o espanhol somou 56 vitórias em 80 jogos (70% de triunfos) e teve uma média de 2,26 pontos conquistados por desafio. Com Portugal, reforce-se, a percentagem de vitórias está hoje nos 75,8% e a média de pontos nos 2,34 por jogo.

Posto isto, a pergunta é: como vai ser possível deixar cair Martínez?


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