De um lado, o Sporting. Do outro, a estrela da companhia. Em menos de nada, o que parecia ser uma relação perfeita transformou-se num ‘filme de suspense’, com “ameaças, chantagem e ofensas” à mistura. Quem diria que, depois de duas épocas de sonho, a separação entre o Sporting e Gyökeres viria a ser tão dolorosa e conturbada? Quem poderia imaginar que, mesmo com o bicampeonato e a conquista da Taça de Portugal, o final de época dos leões iria ficar marcado por este braço-de-ferro entre o presidente e aquele que foi o principal obreiro dos títulos conquistados pelo Sporting nas duas últimas temporadas?
Gyökeres será sempre, aconteça o que acontecer, o maior fenómeno que passou pelos relvados portugueses neste milénio. Um jogador irrepetível, um caso de rendimento extraordinário e, claramente, um dos avançados que maior impacto causou na história do campeonato português. Parecia feliz, parecia agradecido e parecia integrado. Parecia, até, que não se importaria de passar o resto da carreira em Portugal. Respeitado por todos – por adversários, inclusivamente – o sueco “estava em casa” e até a namorada, portuguesa, servia para reforçar essa ideia de cenário perfeito.
Mas uma coisa é o que parece. E outra coisa… é o que é. Há muitos anos que o futebol profissional deixou de ter espaço para romantismos. O caso de Gyökeres não é, nem poderia ser, uma exceção. Estava escrito nas estrelas que a saída de Portugal aconteceria agora, no verão de 2025. Alguns dos maiores clubes europeus estavam rendidos à qualidade do goleador. A transferência estava certa, só faltava saber duas coisas: para onde e por quanto.
Na perspetiva do Sporting, titular dos direitos desportivos do jogador, o “para onde” foi sempre relativo. O “por quanto” é que já não. Com contrato válido até 2028 e com a proteção de uma cláusula de rescisão no valor de 100 milhões de euros, Frederico Varandas definiu as regras: o preço de venda está entre os 60+10 e os 90 milhões de euros.

Gyökeres e o seu empresário alegam, no entanto, que existia a garantia, por parte do Sporting, de que 60 milhões + 10 (bónus) seriam suficientes. Varandas nega essa versão. E agora? O que falta ainda conhecer nesta novela? Iria Gyökeres atingir este estado de revolta e indignação sem motivo para isso? Iria, por outro lado, o presidente dos leões contar uma história que não fosse verdadeira, correndo o risco de vir a ser desmentido?
A forma como este confronto escalou em tão pouco tempo – e colocou presidente e jogador em rota de colisão – permite concluir, desde logo, que Gyökeres não voltará mesmo a vestir a camisola do Sporting. Será preciso, no entanto, que apareça uma oferta acima daquilo que foi definido por Frederico Varandas. Que, a exemplo do sueco, também não irá recuar.
Insisto, contudo, na ideia de que ainda faltam aparecer algumas peças para que o puzzle fique completo. Ninguém pode ser tão irresponsável ao ponto de extremar posições, desta forma, sem estar seguro de que a razão lhe pertence. A verdade irá conhecer-se. É, como sempre, uma questão de tempo.

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