Etiqueta: Amor à Camisola

  • Christiani Anastácio – capitão e treinador do São Domingos FC em honra ao pai e ao avô

    Christiani Anastácio – capitão e treinador do São Domingos FC em honra ao pai e ao avô

    A equipa das Minas de São Domingos não vive os melhores dias a nível de resultados, mas o amor ao clube não esmorece. O avô foi presidente, o pai foi jogador e treinador e agora chegou a vez de Christiani. O central, de 36 anos, começou a dar treinos após a saída do treinador e conta ainda com o irmão, Richard, de 35 anos, no plantel. “Não podemos deixar o clube morrer”, avisa.

    O amor à camisola não tem em conta resultados ou equipas fortes ou menos fortes. Amar um clube é gostar dele sem reservas ou condições. Por isso, pouco importa se ele está na mó de cima ou na mó de baixo. É, até, mais nobre quando se apoia um clube quando ele vive dias difíceis pois é nessa condição que ele mais precisa do apoio e dedicação. É o caso do São Domingos FC, das Minas de São Domingos, que tem uma ligação umbilical à família Anastácio. Christiani Anastácio – capitão e treinador do São Domingos FC em honra ao pai e ao avô.

    Aos 36 anos, Christiani Anastácio aceitou acumular uma dupla função na equipa principal. “O mister saiu e como não chegou um novo treinador, fiquei eu a dar os treinos desde então. Não tenho curso, sequer. Mas o grupo aceitou bem, já me conhecem e respeitam-me”, explicou, ao Craques. Mas o amor ao São Domingos FC já vem de longe. “A ligação já vem desde o meu avô. Chamava-se António Anastácio e foi presidente do clube. Isto no tempo em que ainda não havia internet… (risos) depois, o meu pai, Manuel Dias Anastácio, foi jogador, treinador e presidente do clube também. Agora, não podemos deixar o clube morrer”, avisa.

    Richard joga com o irmão Christiani

    Procura-se malta nova…

    O São Domingos perdeu os primeiros dez jogos da época e empatou os últimos dois. E o Craques fez mesmo as contas aos últimos anos. Nos últimos 88 jogos oficiais, o clube somou… 12 vitórias. As dificuldades estão relacionadas com um dos maiores problemas do futebol distrital da atualidade.

    “É mesmo muito difícil arranjar jogadores para termos uma equipa. Ainda por cima, as Minas de São Domingos são um local maioritariamente de turismo e é difícil fixar pessoas aqui. Temos cinco ou seis GNR a jogar connosco que são do norte do país e vêm cá jogar ao fim-de-semana. E outros trabalham nas Minas de Aljustrel ou nas Neves-Corvo. Vou dar-lhe um exemplo: para o próximo jogo [hoje], em casa do Louredense, devemos ter 11 jogadores e, e… já será bom”, explica Christiani.

    Equipa tem dificuldades para contar com 11 jogadores ao domingo

    Ainda assim, o plantel, que conta com 7 jogadores com 30 ou mais anos – incluindo o guarda-redes Dário Gonçalves de 42 – também já começa a atrair alguns jovens. Mas só fazem um treino. “Não são de cá e chegam na sexta-feira ao fim do dia. Às vezes fazem esse treino e depois jogam ao domingo”, conta Christiani.

    “Ainda me sinto muito levezinho…”

    Questionado sobre se já começa a pensar ser treinador, o capitão e futebolista com mais jogos (116) com a camisola do São Domingos FC deixa, para já, essa hipótese de parte. “Não, não… Espero que o presidente António Calhegas contrate um treinador porque eu ainda me sinto muito levezinho [risos]. Quero continuar a jogar e só aceitei esta função porque o clube é centenário e não pode ficar para trás. Os jogos ao domingo ainda alegram aqui as gentes de São Domingos. O convívio é bom”, explica.

    Reconhecimento devido a António Calhegas

    A jogar “há dois ou três anos no novo relvado sintético”, a equipa empatou os últimos dois jogos do campeonato. E o clube tem crescido muito devido à dedicação de António Calhegas, presidente do clube há 10 anos. Esteve na presidência do clube e, após um interregno, voltou para liderar os destinos do São Domingos FC que hoje disputa a 2ª Divisão da AF Beja.

    “O presidente faz das tripas coração para manter o clube de portas abertas. Merece, sem dúvida, todo o nosso reconhecimento”, finaliza Christiani. Com um amor destes, o São Domingos nunca acabará.

  • Fabien Capelo só tem olhos para o GD Bragança: “Nunca pensei em deixar o clube que amo”

    Fabien Capelo só tem olhos para o GD Bragança: “Nunca pensei em deixar o clube que amo”

    O capitão do GD Bragança, Fabien Capelo, é uma verdadeira lenda viva do clube. Desde as camadas mais jovens, e durante toda a sua carreira enquanto jogador de futebol, o médio luso-francês representou apenas um emblema, o do clube da sua terra. Em entrevista ao Craques.pt, Fabien falou sobre o seu longo percurso no conjunto transmontano.

    O número 13 da formação brigantina é homem de um clube só, e representa, no seu estado mais puro, o significado de amor à camisola. Ao longo do tempo tornou-se um rosto incontornável do balneário e um exemplo para os mais jovens, pela forma como vive o clube e pela ligação profunda à cidade que o viu crescer. A sua história confunde-se com a do próprio GD Bragança, numa relação construída com trabalho e um respeito inabalável pelo emblema que sempre defendeu.

    Fabien Capelo só jogou num clube: GD Bragança

    Raízes e referências

    Fabien Capelo veio de França, país onde nasceu, para Portugal com apenas seis anos de idade, e não demorou a encontrar lugar no clube da terra. “Comecei logo a jogar futebol nas escolinhas do GD Bragança”, sublinha recordando os primeiros toques na bola, no relvado onde ainda está.

    Ao revisitar os primeiros tempos no emblema brigantino, o jogador reconhece que que na adolescência era “muito rebelde e traquina”, mas teve quem o ajudou a focar-se e a canalizar essa energia no futebol. “O GD Bragança foi muito importante nesse aspeto. O mister Zézé, o meu treinador em praticamente todas as camadas jovens, ajudou-me muito na formação”.

    Já nos primeiros anos de sénior, o atleta destacou várias referências e “colegas de equipa que ajudaram bastante” no seu “crescimento”, dentro e fora de campo. “O Tony, que foi meu colega, treinador, e neste momento é meu diretor desportivo, ajudou-me muito. O Ximena que é, também, uma referência do clube e um colega que me ajudou muito, a todos os níveis. Vários outros jogadores como o Carlitos, o Mobil… foram todos muito importantes para mim”.

    Rui Borges, atual treinador do Sporting, cruzou-se com Fabien Capelo

    Uma das figuras mais mediáticas com quem se cruzou dentro de campo foi o atual treinador do Sporting, Rui Borges. O capitão da turma transmontana elogiou o antigo companheiro e recorda-o como um “mágico” com a bola nos pés: “Pensava muito mais rápido que qualquer um. Era muito inteligente e decidia quase sempre bem”. Acrescentou ainda que “já se notava que ia ser um grande treinador” e que o próprio “nunca escondeu esse desejo”.

    Orgulho brigantino

    Fabien Capelo é, com larga margem, o jogador com mais jogos disputados pelo GD Bragança, totalizando 376 partidas ao serviço do clube, mais 125 que o segundo. Números que o jogador considera ser motivo de “orgulho”, e que fazem dele uma lenda em atividade. “Ser o jogador com mais jogos disputados por um clube com 82 anos, e que é a minha equipa do coração e da minha cidade, não tem explicação”.

    O capitão admitiu que “nunca” pensou deixar o GD Bragança

    Apesar de admitir que já teve “várias propostas de outros clubes”, salientou que “nunca” foi capaz de sair: “Nunca pensei em deixar o clube que amo e que tanto me deu durante toda a minha vida”.

    O médio de 34 anos relembra a sua história na formação azul-e-amarela, marcada quer por momentos de glória, quer por momentos mais negativos. Entre os episódios mais difíceis destaca a “descida aos distritais”: “Foi muito triste para nós, especialmente porque o clube já não descia há mais de 30 anos”.

    Contudo, ao mesmo tempo, guarda com emoção várias conquistas inesquecíveis. Entre muitas destacou o “título de campeão na Série A da última edição da III Divisão”, na altura quarto escalão nacional, que deu acesso ao Campeonato Nacional de Seniores (CNS) que estreou na temporada seguinte.

    Futuro em aberto

    Apesar de já se especular que esta poderá ser a sua última temporada, Capelo mantém o foco no presente e prefere não antecipar finais: “Não sei se é a última temporada… penso que sim, mas sinceramente não estou a pensar muito no final. Estou a viver o momento e estou a desfrutar muito desta época”, admite, mostrando uma abordagem tranquila ao assunto.

    O luso-francês ainda não sabe se esta é a sua última temporada enquanto jogador

    Segundo o mesmo, o foco está sempre nos “objetivos coletivos” e não destoa deles, deixando aquilo que são as ambições individuais um pouco de lado. “O GD Bragança está acima de tudo, o principal objetivo é a manutenção no Campeonato de Portugal”.

    Quanto ao futuro, o jogador afirma que o caminho ainda está por definir, mas há algo de que não tem dúvidas. “Ainda não pensei no que vou fazer depois do futebol, mas claro que gostava de ficar ligado ao clube”, esclareceu relembrando ainda que não se imagina a viver “sem esta ligação”.

  • A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina

    A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina

    Num futebol cada vez mais dominado por cláusulas milionárias e contratos de marketing, os regressos de Ángel Di María e Leandro Paredes à Argentina surgem como uma lufada de ar fresco. E são uma recordação poderosa do que significa o verdadeiro amor à camisola. Dois campeões do mundo, dois filhos de casas distintas, dois caminhos distintos mas um destino em comum: o regresso a casa com emoção.

    Após 17 anos a brilhar nos maiores palcos da Europa, Ángel Di María decidiu voltar às raízes. O fim do contrato com o Benfica, em julho deste ano, abriu, então, a porta para o tão aguardado regresso ao Rosario Central, o clube que o viu nascer para o futebol profissional, em 2006. O anúncio do craque argentino emocionou os adeptos e mexeu com o coração de uma cidade inteira. Agora com 37 anos, Di María chegou e marcou, então, na (re)estreia frente ao Godoy Cruz, mostrando que a classe permanece intacta, com mais um penálti e a frieza que tão bem o caracterizam. Já o médio Leandro Paredes voltou ao seu querido Boca Juniors, levando a mãe à loucura. Emulando um verso da célebre música ‘Don’t Cry for me, Argentina’, de Eva Perón, Di María e Paredes mostraram isto mesmo aos adeptos. A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina.

    Lágrimas e muita emoção

    O regresso de Di María foi, afinal, mais do que uma simples transferência: foi uma declaração de princípios. El Fideo sempre fez questão de dizer que queria voltar a vestir a camisola do clube do coração antes de pendurar as botas. E, após cumprir outro desejo, o de regressar ao Benfica, clube que o lançou para o futebol europeu, agora regressa a Rosário, mais precisamente ao Rosario Central. À cidade e ao clube onde tudo começou a ser escrito.

    Já do outro lado do país, o Boca Juniors também viu, então, um dos seus filhos pródigos regressar a casa. Leandro Paredes, médio de 31 anos, voltou à Bombonera após 11 temporadas na Europa. Tetracampeão com o PSG, ídolo da Roma e figura de relevo no título mundial da Argentina em 2022, Paredes regressou numa transferência realizada por 3,5 milhões de euros. Uma verba simbólica face ao seu currículo, para consumar o retorno ao clube onde se formou e se estreou, então, como futebolista profissional.

    Apesar de ainda não se ter reestreado oficialmente com a camisola do Boca, o entusiasmo dos adeptos já se faz sentir. Nomeadamente, através da loucura da mãe de Paredes, Myriam Benítez. Com o filho a ser apresentado aos adeptos no relvado da Bombonera, saltou literalmente à vista o contentamento imenso de Myriam Benítez. Por ver, então, o filho regressar a um palco onde deu os primeiros passos no futebol.

    Myriam vestiu a camisola 5 de Leandro Paredes e vibrou efusivamente nas bancadas, despertando a atenção de vários jornalistas que se encontravam no mítico palco do Boca Juniors a cobrir o evento.

    Geração dourada do futebol argentino

    Paredes representa mais do que um reforço para o meio-campo, simboliza o regresso de uma geração dourada ao futebol argentino. Estes regressos de Di María e Paredes não se explicam, então, apenas com estatísticas ou estratégias de mercado. São gestos de gratidão, de identificação profunda para com as cores de um clube, de reconhecimento das suas origens.

    Paredes assumiu ter voltado ao Boca Juniors por “amor ao clube”

    Num tempo em que o futebol parece cada vez mais distante das suas raízes, histórias como as de Di María e Paredes recordam-nos, então, que ainda há espaço para o romantismo no desporto-rei. Se há quem jogue por milhões, há também quem jogue — e regresse — por paixão. Eva Perón é que tinha razão e Di María e Paredes devem, então, concordar. A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina.

  • Amor à camisola – as exceções num mundo de milhões

    Amor à camisola – as exceções num mundo de milhões

    No futebol atual, onde os contratos milionários e as trocas frequentes são norma, histórias como as de Totti, Gerrard, Reus, Lahm ou Müller perderam força. Mas Neymar, Coutinho, Di María ou Nico Williams mostram-nos que, mesmo com os mercados inflacionados, ainda há respeito pela camisola que se veste.

    São exemplos contemporâneos que resgatam a verdadeira essência da expressão “amor à camisola”, aqueles que vos apresentamos neste artigo. Regressos a casa com muita emoção, permanência no mesmo clube apesar do interesse de vários tubarões ou despedidas adiadas ainda fazem do futebol um espaço de lealdade e de apelo ao coração. Amor à camisola – as exceções num mundo de milhões.

    Bom filho à Vila torna

    Após rescindir com o Al‑Hilal, Neymar regressou ao Santos FC a 30 de janeiro de 2025. O craque fez, então, a sua (re)estreia a 6 de fevereiro, num empate a uma bola frente ao Botafogo e, desde aí, somou mais 11 partidas ao serviço do clube da Vila Belmiro.  Apesar das constantes lesões, que o assolam há vários anos, a Vila Belmiro decidiu abraçar e segurar o seu menino de ouro, de 33 anos. A 24 de junho, o Santos renovou o seu contrato até ao final do presente ano civil, com uma opção de mais seis meses.

    E impacto foi imediato: o clube ganhou, então, mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais e viu a sua presença digital crescer 74% nos últimos seis meses. Embora o regresso reforce o legado de Neymar no clube, também há vários ganhos comerciais e desportivos. Mais até do ponto de vista do clube, que atravessava um momento crítico da sua gloriosa história. Assim, Neymar pode ser visto como o menino que voltou para ajudar a Vila a recuperar o seu encanto.

    A joia vascaína

    Após rescindir com o Aston Villa, Philippe Coutinho regressou ao Vasco da Gama, clube onde deu os primeiros toques na bola. A sua estreia oficial aconteceu poucos dias depois da sua chegada, na partida frente ao Atlético Mineiro, onde saiu ovacionado mesmo entrando apenas nos últimos 20 minutos da partida.  Desde então, somou 44 jogos, com oito golos e quatro assistências, tornando-se uma das vozes mais influentes no balneário vascaíno.

    O reencontro com São Januário foi mais do que simbólico, foi emocional. Envolvido num projeto desportivo de reconstrução do clube, Coutinho, de 33 anos, assumiu a mítica camisola 10, carregando não só a responsabilidade técnica, mas também o peso histórico de um símbolo que vestiu lendas como Juninho Pernambucano ou Edmundo.

    Apesar das ofertas que chegavam do exterior e de clubes do Médio Oriente, o camisa 10 optou por permanecer. E a renovação foi anunciada a 4 de julho de 2025, prolongando Coutinho o seu vínculo ao clube do coração até junho de 2026.

    El Fideo de regresso a Rosario

    Após terminar o seu contrato com o Benfica, Ángel Di María decidiu regressar ao Rosario Central, clube que o viu crescer no mundo do futebol.

    Aos 37 anos, esta é a segunda vez que o craque argentino recusa propostas milionárias, desde a MLS à Arábia Saudita, para regressar à casa de partida. Já o tinha feito em 2023, quando voltou ao Benfica, clube europeu que o lançou ao estrelato, ignorando propostas bem mais lucrativas do que aquela que tinha sobre a mesa em Lisboa.

    Agora, a escolha foi ainda mais simbólica, o Rosario Central, o clube da sua terra natal, onde tudo começou. A assinatura foi oficializada com um contrato de um ano.

    Num futebol cada vez mais dominado por milhões, Di María mostrou uma vez mais que ainda há espaço para decisões guiadas pela alma. O seu regresso não foi apenas um gesto nostálgico, mas um ato de amor e identidade. A cidade de Rosario voltou a ver, em carne e osso, o menino que saiu, então, à conquista da Europa e do Mundo. Agora, no fim da sua carreira, escolheu fechar o ciclo, no ponto de partida, com a mesma camisola que vestiu aos 17 anos.

    Um amor que valeu milhões

    Nico Williams, de apenas 22 anos, oficializou no dia 4 de julho de 2025 a renovação com o Athletic Bilbao até junho de 2035.

    Desta forma, o jovem internacional espanhol rejeitou, então, propostas concretas quer do Barcelona quer do Bayern. Ele que viu a sua cláusula de rescisão subir dos 58 milhões para cerca de 90 milhões. Este contrato de uma década é um marco importante num contexto onde jogadores trocam de clube com frequência. E vem reforçar o compromisso com as raízes bascas e a identidade do clube, de Bilbau, que lhe ofereceu um salário astronómico para o convencer a permaneceu no País Basco.

  • Domenico Berardi – o Rei do Sassuolo

    Domenico Berardi – o Rei do Sassuolo

    Avançado italiano, de 30 anos, desceu à Serie B no ano passado com o clube de uma vida e agora fê-lo regressar à Serie A. A maior lenda do Sassuolo – 399 jogos e 148 golos – foi determinante na subida de divisão e está perto de assinar… um contrato vitalício com o clube, isto é, até 2029. “Ser a bandeira do Sassuolo é um orgulho, até porque não há mais bandeiras”, atirou o campeão europeu por Itália em 2021.

    Domenico Berardi estreou-se pelos seniores do Sassuolo a 18 de agosto de 2012, na 3ª eliminatória da Taça de Itália, em casa do Catania. Substituiu, então, Carl Valeri aos 75 minutos mas não impediu a derrota, por 1-0. O que ninguém sabia é que começava aí uma longa e entusiasmante história de amor entre Berardi e o Sassuolo. Os 11 golos em 39 jogos feitos nessa época despertaram, então, o interesse da Juventus que o contratou para… o emprestar ao Sassuolo. Não chegou a jogar pela Vecchia Signora e o amor à camisola do Sassuolo ficou para sempre. Esta época, Berardi cumpriu a sua 13ª época pelo clube, que em Itália é também conhecido por ‘Casca de Melancia’, e ajudou-o a regressar do ‘inferno’ da Serie B, onde havia caído na época anterior. Lenda maior do clube de Emilia-Romagna, Berardi prepara-se para, aos 30 anos, assinar um contrato vitalício com o clube – até 2029 – e estender ainda mais a sua dinastia. Domenico Berardi – o Rei do Sassuolo.

    Os números de Domenico Berardi sempre impressionaram, fosse em golos ou assistências. O avançado italiano, cujas melhores características são o instinto goleador e a capacidade técnica, é, então, um verdadeiro exemplo de amor à camisola, tendo recusado já várias propostas para sair do clube. A única vez que o fez foi quando assinou pela Juventus mas nos dois anos seguintes foi cedido ao Sassuolo, que o haveria de comprar novamente no verão de 2015.

    Berardi soma 148 golos em 399 jogos pelo Sassuolo

    Números impressionantes

    “Ser a bandeira do Sassuolo é um orgulho, até porque não há mais bandeiras”, disse, há poucos dias, Berardi. E é verdade. Se olharmos para os nomes históricos do clube que só a partir de 2013 marcou presença na Serie A, Berardi destaca-se, e muito, dos demais. Senão vejamos. Berardi é o melhor marcador da história dos pretos-e-verdes, com 148 golos, mais… 104 do que o ex-companheiro de equipa, Gaetano Masucci, que representou o clube entre 2004 e 2014. Já ao nível de jogos, Berardi contabiliza uns impressionantes 399 pelo Sassuolo, mais… 156 do que o mesmo Masucci.

    Berardi e Giovanni Carnevali quando anunciaram a renovação de contrato até 2027

    E, aos 30 anos, Berardi tem ainda muito mais para dar. Sobretudo agora, que voltou a colocar o Sassuolo entre os grandes do futebol italiano. “O Sassuolo como família nasceu há muito tempo, com Carnevali, Giorgio Squinzi e Adriana Spazzoli, que me acolheram como se eu fosse um filho. Infelizmente, eles faleceram e os filhos, Verónica e Marco, assumiram a situação.  Sempre disse que o Sassuolo é uma família, é a minha casa e onde me sinto bem”, atirou o avançado, que estará perto de renovar pelo clube de uma vida até 2029 (tem contrato até 2027).

    O próprio Giovanni Carnevali, CEO do Sassuolo, admite que Berardi vai ficar. “O Domenico é um campeão, ele agarrou nos jovens que tínhamos no ano passado pela mão e subimos. Tem mostrado uma lealdade incrível à camisola do Sassuolo. Renovação? Pode mesmo acontecer”, explicou.

    Fidelidade a toda a prova

    A lealdade é uma característica que Berardi adota na vida profissional mas também familiar. Está com a mulher, Francesca Fantuzzi, desde os 18 anos e ambos celebraram, então, o casamento em 2022. Da união, nasceu já um menino, Nicolò Berardi. O amor pelo Sassuolo também trouxe estabilidade ao casal, podendo agora o craque, que se sagrou campeão europeu por Itália em 2021, voltar a jogar entre os maiores do futebol italiano.

    Berardi e Francesca Fantuzzi

    O Rei de Sassuolo está de volta. E prepara-se, então, para chegar aos 400 jogos pelo clube. Mas se renovar mesmo até 2029, a lenda de Berardi será mesmo inatingível num clube com a dimensão do Sassuolo.

  • Fernando Muslera – o ‘estrangeiro de ouro’ do Galatasaray

    Fernando Muslera – o ‘estrangeiro de ouro’ do Galatasaray

    Chegou oficialmente ao fim a história de amor entre Fernando Muslera e o Galatasaray. O guarda-redes uruguaio, de 38 anos, despediu-se a 18 de maio, do RAMS Park, casa do tricampeão turco. No adeus, Muslera anotou, de penálti, o segundo golo da carreira.

    Domingo, 18 de maio de 2025. Após 14 épocas a vestir a camisola de guarda-redes do Galatasaray, o uruguaio Fernando Muslera foi chamado a marcar um penálti, aos 89 minutos, frente ao Kayserispor, e converteu, no seu último jogo pelo clube. Depois de ter chegado à Turquia em 2011, o experiente guardião escreveu uma longa história de amor pelo seu ‘Gala’ e deixa um legado incrível de troféus conquistados. Hoje contamos a história de Fernando Muslera – o ‘estrangeiro de ouro’ do Galatasaray.

    Catorze anos depois de ter feito, igualmente, um golo de penálti na sua primeira época pelo Galatasaray – 8 de abril de 2012, em casa do Manisaspor – Muslera faz o seu segundo golo na última época. E termina, então, a sua história no clube, com 550 jogos efetuados e 19 troféus conquistados.

    História de amor e títulos

    O guardião, que fez toda a sua formação nos uruguaios do Montevideo Wanderers, chegou à Europa em 2007/08, para defender as cores da Lazio, após um empréstimo de uma temporada ao Nacional de Montevideo. A passagem pela capital romana foi, então de quatro épocas, onde Muslera amadureceu como guarda-redes e chegou mesmo a conquistar a Taça e Supertaça de Itália.

    Contudo, no verão de 2011, o guarda-redes, de 23 anos, assinou pelo Galatasaray, a troco de menos de 7 milhões de euros. E começava aqui uma longa história de amor e títulos. Muslera agarrou a baliza do ‘Gala’ e deixou logo marca: nas primeiras duas épocas sagrou-se bicampeão, além de conquistar ainda uma Taça da Turquia e duas Supertaças.

    Num percurso extremamente marcado pelo sucesso, só em três épocas – 2019/20, 2020/21 e 2021/22 – é que Muslera não ganhou qualquer troféu. Ao todo, conquistou 19 troféus: 8 campeonatos, 5 Taças e 6 Supertaças.

    Muslera despediu-se com um golo de penálti e foi abraçado pelos companheiros

    No pódio com mais jogos e o ‘estrangeiro de ouro’

    Com 550 jogos feitos ao serviço do Galatasaray, Muslera termina a sua passagem pelo clube no pódio dos mais distintos futebolistas. Só atrás do recordista Bülent Korkmaz, defesa turco que representou o ‘Gala’ entre 1987 e 2005, completando uns incríveis 593 jogos.

    Muslera está, então, no 2º lugar e, atrás de si, surge o antigo ponta-de-lança turco Hakan Sukür, com 536 jogos. Mas o guardião uruguaio é mesmo considerado pela imprensa turca como o ‘estrangeiro de ouro’ da história do clube. Uma vez que é o único não turco que integra a lista dos 10 futebolistas com mais jogos pelo Galatasaray. Na qual se encontra, por exemplo, o mítico treinador Fatih Terim (10º), com 402 jogos, feitos entre 1974 e 1985.

  • Ranieri deixou a reforma e acordou a Roma!

    Ranieri deixou a reforma e acordou a Roma!

    Aos 73 anos, Claudio Ranieri já se havia aposentado mas, meses depois, o telefone tocou. Do outro lado, surgiu um convite irrecusável da Roma, clube do seu coração, que fez o mítico treinador italiano regressar mais cedo do que o esperado. E o experiente técnico fez ressuscitar uma equipa que andava perdida pelo meio da tabela na Serie A…

    Velhos são os trapos. Após uma desgastante época de 2023/24 no comando do Cagliari, o experiente técnico italiano Claudio Ranieri anunciou a reforma no verão passado. Mas o amor à camisola não tem limites. Em novembro do ano passado, já depois de fazer 73 anos, Ranieri recebeu um telefonema de um clube muito especial: nada mais, nada menos do que a Roma, o seu clube do coração. Os papéis para a reforma ficaram na gaveta e o técnico assumiu, então, uma equipa que se ‘arrastava’ a meio da classificação da Serie A. Se os primeiros resultados não correram de feição, o mesmo não se poderá dizer da incrível sequência de resultados obtida a partir de meados de dezembro e, sobretudo, em 2025. Ranieri deixou a reforma e acordou a Roma!

    Quando Ranieri chegou à Roma, a formação giallorossa vivia uma fase muito complicada. Sob o comando do croata Ivan Juric, a equipa era, então, 10ª classificada na Série A, a 21 pontos da líder Atalanta, e havia sofrido 17 golos em apenas 13 jornadas. A urgência de uma mudança no banco era gigante e a necessidade de ajuda ainda maior.

    Não é como começa, é como acaba

    O arranque de Ranieri na terceira passagem pelo seu clube do coração não começou bem. À derrota na estreia, em Nápoles, seguiram-se, então, mais duas nos seis primeiros jogos e os adeptos romanos desconfiaram da aposta no técnico que, meses antes, tinha dito que queria reformar-se. Contudo, após o desaire em casa do Como, a Roma ‘disparou’ para uma série incrível de bons resultados na Serie A.

    A 15 de dezembro de 2024, a Roma perdeu em Como, por 2-0. Mas, desde então… nunca mais perdeu para o campeonato, somando 14 vitórias e 5 empates nas últimas 19 jornadas. O resultado deste brilhante percurso reflete-se na classificação da Liga italiana. A Roma está no 5º lugar, com os mesmos 63 pontos da Juventus (4º), a espreitar uma posição de acesso à Liga dos Campeões em 2025/26.

    Ranieri trouxe de volta os sorrisos aos adeptos da formação giallorrossa

    Os únicos três desaires na época depois da derrota com o Como verificaram-se, então, na Liga Europa – diante de AZ Alkmaar e Athletic Bilbao – e na Taça de Itália, onde a equipa de Ranieri foi eliminada, nos quartos-de-final, pelo AC Milan de Sérgio Conceição, por 3-1.

    A melhor equipa dos Big Five em 2025

    Para se ter uma noção do que Ranieri tem feito na Roma, nada melhor do que os números para o comprovar. Neste ano civil, nenhuma equipa dos cinco principais campeonatos fez mais pontos do que a Roma em igual número de jogos. A formação giallorrossa já somou 43 pontos na Serie A em 2025 e era, antes deste fim-de-semana, a recordista de pontos no ano civil. Mas, face à vitória do Barcelona no clássico de ontem frente ao Real Madrid, precisa de ganhar hoje para recuperar o estatuto.

    Ranking de pontos em 2025 (Equipas das Ligas Big Five)

    Barcelona – 44 (+ 1 jogo)
    Roma – 43 (joga hoje)
    Bayern – 43 (+ 1 jogo)
    PSG – 41 (+ 1 jogo)
    Estrasburgo – 40 (+ 1 jogo)

    Além disso, o experiente treinador solidificou a equipa. Com Ranieri ao comando, a Roma sofreu apenas 13 golos em 23 jornadas e mostrou ser uma equipa competitiva. Venceu, então, o dérbi de Roma, e triunfou em casa do campeão Inter Milão, tirando, há duas jornadas, a liderança do campeonato à equipa de Inzaghi. A três jornadas do fim, e com Atalanta (hoje), Milan (dia 18) e Torino (dia 25) ainda pela frente, a ressuscitada Roma de Ranieri sonha, então, com uma presença na Champions League! A reforma do técnico italiano bem pode esperar…

  • Nogueirense: o amor à camisola ainda existe no futebol

    Nogueirense: o amor à camisola ainda existe no futebol

    Jonny, filho da casa, regressou à competição após sete meses de paragem devido a uma grave lesão. Na memória estão, ainda, os 18 golos marcados pelo… trinco na época passada. O Nogueirense já só pensa na subida de divisão em 2025/26.

    João Maia, conhecido por ‘Jonny’, é um dos meninos do clube de Nogueira da Maia. Nasceu e cresceu a respirar Nogueirense, ali se fez jogador. Na época passada, mesmo a jogar na posição de trinco, apontou uns incríveis 18 golos. “Não sou um goleador por natureza, mas quando se joga com o coração e por um símbolo que representa tanto, tudo se torna possível. Entrei em cada jogo com a mesma vontade de sempre: ajudar, correr, dar tudo por esta camisola. Os golos foram apenas reflexo disso”, explicou, em exclusivo ao Craques.pt, João Maia. No Nogueirense, o amor à camisola ainda existe no futebol.

    Mas viu, depois o azar bater-lhe à porta. No início da presente temporada, sofreu uma rotura de ligamentos num joelho que prometia um longo tempo de paragem. Mas a resiliência de João Maia levou-o a recuperar em tempo recorde: sete meses, tal como… Éder Militão, do Real Madrid. “Trabalhei muito no silêncio, com uma única meta em mente. Voltar a vestir esta camisola e continuar a honrá-la como sempre fiz, porque este clube merece tudo de mim”, revela.

    Jonny com o presidente Ângelo Coelho, quando fez 200 jogos pelo Nogueirense

    Voltou a jogar a 18 de abril, ao cumprir 24 minutos na receção ao Vila Caiz, para o campeonato, e atuou depois 27 minutos na derrota com o líder Aparecida, para o campeonato. Com o Nogueirense já longe do lugar que dá acesso à subida aos nacionais, o médio promete que o clube não vai baixar os braços na próxima época. “O futuro do clube é feito de luta, de entrega e de união. Vamos cair mais vezes, mas também vamos levantar-nos sempre ainda há muito por conquistar, e o caminho faz-se com resiliência”, garantiu o médio.

    Ambição é subir em 2025/26

    Com 19 anos de Nogueirense, João Maia chegou a recusar, no final da época passada, propostas de clubes de divisões superiores. O desejo de honrar o emblema defendido durante toda uma vida pelo seu falecido pai e antigo presidente da assembleia geral do clube foi, então, mais forte. E a meta de subir com o clube de uma vida é partilhada com Ângelo Coelho, presidente do Nogueirense.

    O Craques.pt conversou também com o responsável máximo do clube de Nogueira da Maia, o qual admitiu ter esse objetivo bem claro para a próxima época. “A curto prazo queremos colocar as equipas de Sub-15 e Sub-17 nos nacionais, uma vez que se estão a disputar a Fase de Promoção nos respetivos escalões. E queremos também subir a equipa sénior aos Nacionais na próxima época”, assumiu.

    Ambição de Ângelo Coelho passa pela subida aos Nacionais

    Ângelo Coelho foi, então, incentivado a presidir o Nogueirense por Sérgio Leite, antigo guarda-redes do Boavista e das seleções jovens nacionais, que foi, vários anos, Coordenador do clube e é hoje Consultor. “A candidatura à presidência do clube surgiu após um convite do Sérgio Leite, que é um pulmão de sucesso em todas as conquistas e fases de crescimento da União Nogueirense”, explicou.

    Cidade Desportiva a caminho

    Em cima da mesa está um projeto ambicioso para a formação do clube de Nogueira da Maia, o qual tem a Certificação de 4 estrelas. Mas quer mais. “Estamos a desenvolver o projeto da Cidade Desportiva da União Nogueirense FC, para podermos vir a receber a Certificação de Entidade Desportiva 5 Estrelas. Esse será, com certeza, o passo definitivo para o sucesso do clube no futuro”, admitiu Ângelo Coelho.

    Nogueirense é uma Entidade Desportiva Certificada com 4 estrelas

    Para já, a equipa de juniores do Nogueirense confirmou, então, o grande potencial ao garantir a subida ao principal escalão no panorama nacional. Embora o clube tenha perdido a Final da Taça da Associação de Futebol do Porto, frente ao Aparecida, o Nogueirense tem construído as raízes para um futuro promissor, seja ao nível das camadas jovens, seja ao nível dos seniores.