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  • Unidos de Lisboa – a breve glória lisboeta na elite do futebol português

    Unidos de Lisboa – a breve glória lisboeta na elite do futebol português

    O Unidos de Lisboa, um nome que ecoa na história do futebol português, viveu, então, o seu auge na década de 40 do século passado. Com três presenças consecutivas na antiga I Divisão, entre 1940/41 e 1942/43, o clube lisboeta deixou a sua marca na principal competição nacional. A origem do clube está ligada à antiga CUF.

    Fundado em 1936, como um dos três emblemas criados pelo Grupo Desportivo CUF de Lisboa, o “Clube de Futebol Os Unidos” ascendeu rapidamente ao patamar mais alto do futebol nacional. Em 1940, devido a imposições por parte do Estado Novo, alterou a sua designação para Clube de Futebol Os Unidos de Lisboa. A sua presença na I Liga durante três temporadas consecutivas foi, então, considerada um feito notável. A equipa, oriunda do Bairro Padre Cruz, em Carnide, defrontou os grandes nomes da época, mostrando a sua valia e ambição. Unidos de Lisboa – a breve glória lisboeta na elite do futebol português.

    Fundação e ascensão rápida

    O Clube de Futebol Os Unidos, fundado como Grupo Desportivo CUF de Lisboa, em 1936, nasceu na Quinta da Calçada, em Lisboa. A partir de 1940, com a mudança de nome, o clube destacou-se e alcançou grandes feitos. Assim como a CUF, os atletas também eram trabalhadores da ‘empresa-mãe’.

    A sua ascensão à I Liga, através de campeonatos distritais, foi um feito notável, demonstrando a qualidade e o empenho dos seus fundadores e atletas. Além da I Liga, o clube alcançou, então, as meias-finais da Taça de Portugal em duas vezes seguidas: 1940/41 (eliminado pelo Sporting) e 1941/42 (afastado pelo Belenenses).

    As três épocas na antiga I Divisão

    A presença do Unidos de Lisboa na I Liga foi um período de grande visibilidade. Nas temporadas de 1940/41, 1941/42 e 1942/43, o Unidos de Lisboa lutou pela manutenção, enfrentando desafios e superando obstáculos, sempre no Estádio Dr. Agostinho Lourenço.

    Entre os melhores resultados alcançados, nota para triunfos expressivos sobre o FC Porto – 4-2 em 1941/42 e 6-2 em 1942/43 – o Vitória de Guimarães – 5-1 em 1941/42 e 14-0 em 1942/43 – e a Académica (7-4 em 1942/43). Nota ainda para o empate (3-3) frente ao Benfica, ainda no Campo Grande, em 1942/43.

    A equipa mostrou resiliência, deixando, então, uma marca de relevo na história do futebol nacional. Especialmente na última temporada na I Liga, quando terminou num incrível 4º lugar, só atrás de Benfica, Sporting e Belenenses. Em 1944, com o fim da proibição de nomes corporativos, o clube voltou a integrar a CUF Lisboa. E em 1944/45, sagrar-se-ia, então, vice-campeão da Segunda Divisão.

    O legado de um histórico em crise

    O clube dissolveu-se, então, em 1947 por falta de terrenos, mas haveria de regressar em 1954 sob o nome Unidos de Lisboa, já ignorando as ligações à CUF. A sua breve passagem pela elite é uma recordação da sua história e potencial. O clube continua ativo, mantendo viva a chama do futebol no Bairro Padre Cruz, um histórico que merece ser recordado. A última equipa sénior jogou, então, em 2008/09, e atualmente o clube foca-se no desenvolvimento de equipas de formação.

    O clube de todos e para todos

    Hoje em dia, e nos últimos anos, a grande força do clube é, então, a formação. E é, também, ‘acolher’ os locais e direcioná-los para as escolhas certas no dia-a-dia. O clube tem hoje um protocolo assinado com a Academia do Sporting e acaba por ser a escolha das famílias, na altura de colocar os filhos no desporto. Por ser perto de casa e por saberem que quem trabalha no clube são, também, cidadãos locais.

  • Fabril do Barreiro – a queda da histórica CUF

    Fabril do Barreiro – a queda da histórica CUF

    O Clube União Fabril, outrora uma potência do futebol português, enfrenta um dos períodos mais desafiadores da sua longa história. Após décadas de glória e a revelação de talentos, o clube do Barreiro vê-se novamente na realidade dos campeonatos distritais. A nova descida em 2024/25, após uma passagem pelo Campeonato de Portugal, acende um alerta sobre o futuro de um emblema com um passado tão rico.

    Fundado em abril de 1928, o Fabril do Barreiro, inicialmente conhecido como Grupo Desportivo da CUF, construiu uma trajetória recheada de momentos memoráveis no futebol nacional. A sua história é, então, marcada por várias participações na Primeira Divisão. E pela conquista de títulos que o colocaram entre os clubes mais respeitados do país. No entanto, os últimos anos têm sido de um declínio acentuado, culminando em mais uma descida de divisão aos distritais. A qual entristece os seus fervorosos adeptos e a comunidade do Barreiro. Fabril do Barreiro – a queda da histórica CUF.

    História e glórias passadas

    O Grupo Desportivo da CUF viveu o seu auge nas décadas de 1950 e 1960. Ainda assim, foi em 1942/43 que o clube do Barreiro disputou, então, pela primeira vez a I Divisão, mas foi logo despromovido nessa temporada. Nas décadas de 50 e 60, o clube estabeleceu-se como uma força no futebol português, participando ininterruptamente na elite por 22 anos consecutivos, de 1954/55 a 1975/76.

    O ponto alto foi o terceiro lugar alcançado em 1964/65. Um feito notável que lhe valeu a participação na Taça das Cidades com Feiras (atual Liga Europa). O clube também conquistou o seu grupo na Taça Intertoto em 1973/74, um feito internacional que atesta, então, a sua relevância na época.

    A CUF chocou o Mundo ao vencer o Milan por 2-0 no Lavradio. Fonte: RTP

    O Estádio Alfredo da Silva, inaugurado em 1965, é também um símbolo dessa era dourada, tendo sido palco de grandes jogos. E de uma vitória histórica sobre o AC Milan, por 2-0, na Taça das Cidades com Feiras em 1965. Ainda assim, insuficiente para eliminar o gigante italiano, que foi forçado a disputar uma ‘finalíssima’ para eliminar o clube da Margem Sul do Tejo.

    Jogadores míticos e o brilho na Taça

    Manuel Fernandes jogou na CUF antes de rumar ao Sporting

    Entre os jogadores mais míticos da CUF encontram-se os defesas Abalroado, Durand e José Palma, os médios Arnaldo e Fernando Oliveira e os avançados José Travassos e Manuel Fernandes. Durand, Abalroado e Fernando Oliveira fizeram parte da equipa que bateu o Milan e Oliveira foi quem inaugurou o marcador.

    A melhor campanha na Taça de Portugal ocorreu nas épocas 1968/69 e 1972/73, em que a CUF acabou eliminada por Benfica e Sporting, respetivamente. Recentemente, e 50 anos depois dessa última grande campanha, em 2012/13, o clube do Barreiro voltou a fazer um belo percurso na prova rainha. Terminou nos oitavos-de-final, onde foi, então, afastado pelo Belenenses.

    O declínio e a realidade dos distritais

    Após a nacionalização da CUF e a mudança de nome para Quimigal e, posteriormente, Grupo Desportivo Fabril, o clube enfrentou um lento, mas contínuo, declínio. A perda do apoio da grande empresa industrial teve um impacto significativo na sua estrutura e capacidade financeira. Em 1975/76, após 22 anos na elite, o Fabril desceu, então, à Segunda Divisão. Mas em 1991/92, atingiu o plano mais fundo ao cair na 1ª Distrital da AF Setúbal. Embora tenha tido alguns regressos fugazes aos campeonatos nacionais, a estabilidade nunca mais foi a mesma.

    O Fabril vai disputar uma exigente 1ª Distrital da AF Setúbal

    A temporada 2024/25 trouxe, então, mais um duro golpe para o Fabril do Barreiro. Após ter competido na Série D do Campeonato de Portugal, o clube voltou a descer para os distritais. Esta nova descida é um reflexo das dificuldades que o clube tem enfrentado para se reerguer e uma recordação da distância que o separa dos seus tempos áureos. Agora, prepara-se para disputar a 1ª Distrital da AF Setúbal mais competitiva dos últimos anos – terá, então, como adversários o V. Setúbal, Cova da Piedade, Olímpico do Montijo, Charneca de Caparica ou Pescadores Costa de Caparica.