Categoria: Amor à Camisola

  • Christiani Anastácio – capitão e treinador do São Domingos FC em honra ao pai e ao avô

    Christiani Anastácio – capitão e treinador do São Domingos FC em honra ao pai e ao avô

    A equipa das Minas de São Domingos não vive os melhores dias a nível de resultados, mas o amor ao clube não esmorece. O avô foi presidente, o pai foi jogador e treinador e agora chegou a vez de Christiani. O central, de 36 anos, começou a dar treinos após a saída do treinador e conta ainda com o irmão, Richard, de 35 anos, no plantel. “Não podemos deixar o clube morrer”, avisa.

    O amor à camisola não tem em conta resultados ou equipas fortes ou menos fortes. Amar um clube é gostar dele sem reservas ou condições. Por isso, pouco importa se ele está na mó de cima ou na mó de baixo. É, até, mais nobre quando se apoia um clube quando ele vive dias difíceis pois é nessa condição que ele mais precisa do apoio e dedicação. É o caso do São Domingos FC, das Minas de São Domingos, que tem uma ligação umbilical à família Anastácio. Christiani Anastácio – capitão e treinador do São Domingos FC em honra ao pai e ao avô.

    Aos 36 anos, Christiani Anastácio aceitou acumular uma dupla função na equipa principal. “O mister saiu e como não chegou um novo treinador, fiquei eu a dar os treinos desde então. Não tenho curso, sequer. Mas o grupo aceitou bem, já me conhecem e respeitam-me”, explicou, ao Craques. Mas o amor ao São Domingos FC já vem de longe. “A ligação já vem desde o meu avô. Chamava-se António Anastácio e foi presidente do clube. Isto no tempo em que ainda não havia internet… (risos) depois, o meu pai, Manuel Dias Anastácio, foi jogador, treinador e presidente do clube também. Agora, não podemos deixar o clube morrer”, avisa.

    Richard joga com o irmão Christiani

    Procura-se malta nova…

    O São Domingos perdeu os primeiros dez jogos da época e empatou os últimos dois. E o Craques fez mesmo as contas aos últimos anos. Nos últimos 88 jogos oficiais, o clube somou… 12 vitórias. As dificuldades estão relacionadas com um dos maiores problemas do futebol distrital da atualidade.

    “É mesmo muito difícil arranjar jogadores para termos uma equipa. Ainda por cima, as Minas de São Domingos são um local maioritariamente de turismo e é difícil fixar pessoas aqui. Temos cinco ou seis GNR a jogar connosco que são do norte do país e vêm cá jogar ao fim-de-semana. E outros trabalham nas Minas de Aljustrel ou nas Neves-Corvo. Vou dar-lhe um exemplo: para o próximo jogo [hoje], em casa do Louredense, devemos ter 11 jogadores e, e… já será bom”, explica Christiani.

    Equipa tem dificuldades para contar com 11 jogadores ao domingo

    Ainda assim, o plantel, que conta com 7 jogadores com 30 ou mais anos – incluindo o guarda-redes Dário Gonçalves de 42 – também já começa a atrair alguns jovens. Mas só fazem um treino. “Não são de cá e chegam na sexta-feira ao fim do dia. Às vezes fazem esse treino e depois jogam ao domingo”, conta Christiani.

    “Ainda me sinto muito levezinho…”

    Questionado sobre se já começa a pensar ser treinador, o capitão e futebolista com mais jogos (116) com a camisola do São Domingos FC deixa, para já, essa hipótese de parte. “Não, não… Espero que o presidente António Calhegas contrate um treinador porque eu ainda me sinto muito levezinho [risos]. Quero continuar a jogar e só aceitei esta função porque o clube é centenário e não pode ficar para trás. Os jogos ao domingo ainda alegram aqui as gentes de São Domingos. O convívio é bom”, explica.

    Reconhecimento devido a António Calhegas

    A jogar “há dois ou três anos no novo relvado sintético”, a equipa empatou os últimos dois jogos do campeonato. E o clube tem crescido muito devido à dedicação de António Calhegas, presidente do clube há 10 anos. Esteve na presidência do clube e, após um interregno, voltou para liderar os destinos do São Domingos FC que hoje disputa a 2ª Divisão da AF Beja.

    “O presidente faz das tripas coração para manter o clube de portas abertas. Merece, sem dúvida, todo o nosso reconhecimento”, finaliza Christiani. Com um amor destes, o São Domingos nunca acabará.

  • Fabien Capelo só tem olhos para o GD Bragança: “Nunca pensei em deixar o clube que amo”

    Fabien Capelo só tem olhos para o GD Bragança: “Nunca pensei em deixar o clube que amo”

    O capitão do GD Bragança, Fabien Capelo, é uma verdadeira lenda viva do clube. Desde as camadas mais jovens, e durante toda a sua carreira enquanto jogador de futebol, o médio luso-francês representou apenas um emblema, o do clube da sua terra. Em entrevista ao Craques.pt, Fabien falou sobre o seu longo percurso no conjunto transmontano.

    O número 13 da formação brigantina é homem de um clube só, e representa, no seu estado mais puro, o significado de amor à camisola. Ao longo do tempo tornou-se um rosto incontornável do balneário e um exemplo para os mais jovens, pela forma como vive o clube e pela ligação profunda à cidade que o viu crescer. A sua história confunde-se com a do próprio GD Bragança, numa relação construída com trabalho e um respeito inabalável pelo emblema que sempre defendeu.

    Fabien Capelo só jogou num clube: GD Bragança

    Raízes e referências

    Fabien Capelo veio de França, país onde nasceu, para Portugal com apenas seis anos de idade, e não demorou a encontrar lugar no clube da terra. “Comecei logo a jogar futebol nas escolinhas do GD Bragança”, sublinha recordando os primeiros toques na bola, no relvado onde ainda está.

    Ao revisitar os primeiros tempos no emblema brigantino, o jogador reconhece que que na adolescência era “muito rebelde e traquina”, mas teve quem o ajudou a focar-se e a canalizar essa energia no futebol. “O GD Bragança foi muito importante nesse aspeto. O mister Zézé, o meu treinador em praticamente todas as camadas jovens, ajudou-me muito na formação”.

    Já nos primeiros anos de sénior, o atleta destacou várias referências e “colegas de equipa que ajudaram bastante” no seu “crescimento”, dentro e fora de campo. “O Tony, que foi meu colega, treinador, e neste momento é meu diretor desportivo, ajudou-me muito. O Ximena que é, também, uma referência do clube e um colega que me ajudou muito, a todos os níveis. Vários outros jogadores como o Carlitos, o Mobil… foram todos muito importantes para mim”.

    Rui Borges, atual treinador do Sporting, cruzou-se com Fabien Capelo

    Uma das figuras mais mediáticas com quem se cruzou dentro de campo foi o atual treinador do Sporting, Rui Borges. O capitão da turma transmontana elogiou o antigo companheiro e recorda-o como um “mágico” com a bola nos pés: “Pensava muito mais rápido que qualquer um. Era muito inteligente e decidia quase sempre bem”. Acrescentou ainda que “já se notava que ia ser um grande treinador” e que o próprio “nunca escondeu esse desejo”.

    Orgulho brigantino

    Fabien Capelo é, com larga margem, o jogador com mais jogos disputados pelo GD Bragança, totalizando 376 partidas ao serviço do clube, mais 125 que o segundo. Números que o jogador considera ser motivo de “orgulho”, e que fazem dele uma lenda em atividade. “Ser o jogador com mais jogos disputados por um clube com 82 anos, e que é a minha equipa do coração e da minha cidade, não tem explicação”.

    O capitão admitiu que “nunca” pensou deixar o GD Bragança

    Apesar de admitir que já teve “várias propostas de outros clubes”, salientou que “nunca” foi capaz de sair: “Nunca pensei em deixar o clube que amo e que tanto me deu durante toda a minha vida”.

    O médio de 34 anos relembra a sua história na formação azul-e-amarela, marcada quer por momentos de glória, quer por momentos mais negativos. Entre os episódios mais difíceis destaca a “descida aos distritais”: “Foi muito triste para nós, especialmente porque o clube já não descia há mais de 30 anos”.

    Contudo, ao mesmo tempo, guarda com emoção várias conquistas inesquecíveis. Entre muitas destacou o “título de campeão na Série A da última edição da III Divisão”, na altura quarto escalão nacional, que deu acesso ao Campeonato Nacional de Seniores (CNS) que estreou na temporada seguinte.

    Futuro em aberto

    Apesar de já se especular que esta poderá ser a sua última temporada, Capelo mantém o foco no presente e prefere não antecipar finais: “Não sei se é a última temporada… penso que sim, mas sinceramente não estou a pensar muito no final. Estou a viver o momento e estou a desfrutar muito desta época”, admite, mostrando uma abordagem tranquila ao assunto.

    O luso-francês ainda não sabe se esta é a sua última temporada enquanto jogador

    Segundo o mesmo, o foco está sempre nos “objetivos coletivos” e não destoa deles, deixando aquilo que são as ambições individuais um pouco de lado. “O GD Bragança está acima de tudo, o principal objetivo é a manutenção no Campeonato de Portugal”.

    Quanto ao futuro, o jogador afirma que o caminho ainda está por definir, mas há algo de que não tem dúvidas. “Ainda não pensei no que vou fazer depois do futebol, mas claro que gostava de ficar ligado ao clube”, esclareceu relembrando ainda que não se imagina a viver “sem esta ligação”.

  • Agüero quer dar o título ao Guisande por amor à camisola

    Agüero quer dar o título ao Guisande por amor à camisola

    Manuel Carvalho ganhou a alcunha do antigo avançado argentino pelas “parecenças físicas e forma de jogar.” Chegaram a confundi-lo na rua com Kun e tirou fotografias em Cabo Verde como se fosse o ex-craque do At. Madrid e Man. City. Mas o craque do Guisande quer mesmo é levantar a taça de campeão no fim da época.

    Aos 33 anos, Manuel Carvalho parece manter intactas as qualidades que já mostrava aos 18. Pelo menos, a avaliar pela alcunha que ganhou nessa altura no futebol e a qual ainda se mantém mais do que viva. Sobretudo depois do hat-trick que fez no passado domingo, contribuindo para a goleada (9-0) do Guisande sobre o GDC Serafão, na Taça da AF Braga. O engenheiro civil que veste a pele de Agüero dentro das quatro linhas e tem um objetivo claro. Agüero quer dar o título ao Guisande por amor à camisola.

    Por uma razão muito simples. “A minha mãe é natural de Guisande. Eu moro cá, acomodei-me ao clube e tenho amor a esta camisola. Já tive várias propostas para jogar noutros clubes, mas gosto muito das pessoas do Guisande e gostava de lhes retribuir o carinho que têm por mim. Como? Ser campeão da AF Braga”, admite o experiente avançado que soma 7 golos em 6 jogos esta época.

    Até a rematar Manuel Carvalho é igualzinho a Kun Agüero

    Conquistar o título seria um momento único. “Nos últimos anos temos morrido sempre na praia. Mas, enquanto capitão, erguer a Taça de campeão no fim da época era incrível. Se calhar terminava aí a carreira”, explica.

    Abordado na rua para tirar fotografias

    A alcunha de Agüero já vem de longe. “Sou fisicamente parecido com o Agüero e logo aos 18 ou 19 anos deram-me essa alcunha, até porque jogo na mesma posição em que ele jogava. E curiosamente já fui abordado na rua, em Espanha e Inglaterra, a pensarem que sou o Agüero. Mas quando chegam mesmo ao pé de mim é que percebem que não sou [risos]”, conta.

    O estilo não engana: Manuel Carvalho é igual a Agüero

    Ainda assim, teve um episódio mais caricato em Cabo Verde. “Houve uma situação gira durante umas férias que fui passar a Cabo Verde. Uns idosos confundiram-me com o Agüero e mesmo quando chegaram ao pé de mim, não viram que eu não era ele. Eu disse-lhes que era português e não era o Agüero. Mesmo assim, quiseram tirar fotografias e ligaram aos netos a dizerem que estavam com o Agüero. Os miúdos gostavam do Manchester City e até começaram a chorar…”

    A verdade é que Agüero já é uma ‘lenda’ do Guisande. É o jogador com mais jogos (177) pelo clube e com mais golos (68), estando a cumprir atualmente a 12ª temporada pelo clube de Braga.

    Agüero é o primeiro da esquerda… é ou não é a cara chapada de Kun Agüero?

    Frasco de ketchup abana e sai tudo de uma vez

    Para Agüero, o segredo da boa época do Guisande passa, também, pelo treinador Xavier Silva. “É bom treinador. Tem uma grande capacidade de treino e, de certa forma, tem evoluído muito connosco também. Ele também é novo, ainda tem muito para crescer. Espero que o faça aqui”, salienta.

    Tal como Kun, Agüero também veste a camisola 7 no Guisande

    Já sobre os golos, o avançado não quer estabelecer metas para esta época. Até porque a regularidade não é o seu forte. Agüero até faz uma analogia com… um frasco de ketchup. “Eu sou mesmo assim. Ainda ontem estava a dizer à minha mulher que os meus golos saem em catadupa. É como frasco de ketchup. Estou ali três ou quatro jogos a abanar. E depois sai tudo de uma vez”, diz. E os registos confirmam-no: se é verdade que tem 7 golos em 6 jogos esta época, Agüero só marcou, então, em duas partidas. Um póquer contra o Arsenal da Devesa e o hat-trick do fim-de-semana passado ao GDC Serafão.

  • Sheva – o roupeiro ‘faz tudo’ do Atlético Clube do Cacém

    Sheva – o roupeiro ‘faz tudo’ do Atlético Clube do Cacém

    Viajou da Ucrânia até Portugal, com um propósito maior do que a vida e acabou por se tornar um símbolo do clube. Agora, passados 25 anos de ter imigrado, ‘Sheva’ relembra as dificuldades passadas, mas também os bons momentos. Além das recordações que ficam para sempre na memória. “Eu já estou cá há muito tempo e gosto de como é viver aqui”, confessa ao Craques.

    Chegou a trabalhar numa papelaria no Cacém, mas teve a oportunidade de ser roupeiro do Atlético Clube do Cacém em 2007. E não recusou. Mesmo com a barreira linguística que poderia afetar a sua relação com as pessoas, o pouco português que ‘Sheva’ consegue expressar foi sempre o suficiente para ninguém se esquecer dele. “Muitos pais e miúdos, que já não treinam cá, quando vêm com as equipas fazem uma festa por me ver”, explica, numa entrevista exclusiva ao Craques. Sheva – o roupeiro ‘faz tudo’ do Atlético Clube do Cacém.

    Um propósito, uma vida nova

    Yevheniy Shutovskyy chegou a Portugal no ano 2000. Era, então, apenas um imigrante, com o propósito de ajudar a pagar os estudos do filho. “O meu filho estava a acabar a escola e precisava de dinheiro para a Universidade. Eu pensei em vir para cá 2 ou 3 anos para ganhar esse dinheiro”, afirmou. A verdade é que passou muito mais tempo do que isso.

    Quando veio do país de origem, relembra as dificuldades que já se sentiam. “Quando a União Soviética acabou, muitos empregos acabaram. Havia muitos problemas com o trabalho, o dinheiro era pouco”, confessa. Por isso mesmo, resolveu imigrar e quando cá chegou, começou logo a trabalhar na Papelaria Fernandes, no Cacém. Mais tarde, ‘Sheva’ juntou-se ao Atlético Clube do Cacém, mas apenas como Técnico de Equipamentos em part-time.

    Sheva está no Atlético Clube Cacém há 18 anos e em Portugal há 25

    Algum tempo depois, passou a trabalhar só no clube. Até que o convidaram para ser o guarda-campo, ficando, então, a morar dentro do recinto desportivo. Em 2014, a sua mulher Dara veio para Portugal. Para trás, também deixou os dois filhos, mas ambos licenciados e com o sentimento de missão concluída.

    Hoje, aos 65 anos, Sheva é o ‘faz tudo’ do Atlético Clube do Cacém. Além de ser guarda campo e roupeiro, faz a limpeza do clube, pinta paredes, solda balizas, organiza o material e é, também, canalizador. Profissão que já tinha na Ucrânia. “Já estou cá há muito tempo e sei o que fazer. Aqui tem de se fazer tudo andar para a frente, não posso parar”, atira.

    Sheva também corta e pinta as linhas do relvado onde jogam os seniores

    O que fica na memória

    Além do trabalho rotineiro, o ucraniano ‘Sheva’ começou a ir aos jogos com a equipa sénior, logo na sua primeira temporada, em 2007/2008. Nesse ano, o clube chegou à Terceira Eliminatória da Taça de Portugal e disputou ainda a Terceira Divisão Nacional, que equivale aos dias de hoje, ao Campeonato de Portugal.

    Relembra também os momentos, em tom de brincadeira. “Em Portugal (Continental) ia sempre, mas para fora não. Eu dizia a brincar com os miúdos, que a equipa vai de avião e eu vou lá ter de barco. Quando eu chegar lá, a equipa já voltou”, diz. Isto, porque nesse ano, os madeirenses Câmara de Lobos e UD Santana jogavam, então, no mesmo campeonato que o AC Cacém.

    Passam jogadores, dirigentes e treinadores, mas Sheva é o único que se mantém

    Viagem de regresso

    Com o tempo, foi fazendo parte da mobília do clube. O “velhote” Sheva, como se apelida, é conhecido pelo seu sentido de humor e, talvez por isso, tenha ficado marcado no coração de muitas pessoas que trabalharam no clube. “Havia um treinador que já não está cá há 5 ou 6 anos e sempre que é Natal, vem-me visitar”, refere com alguma emoção.

    Com a sua Ucrânia a três dias de viagem de autocarro, Sheva relembra os bons momentos e as saudades da família. “Os meus netos ficam sempre à minha espera. E depois vamos à pesca na lagoa. Tenho tudo para descansar lá fora”, explica.

    Sheva regressa sempre que pode à sua cidade na Ucrânia, Lviv.

    Agora, depois de 25 anos em Portugal, com 18 ao serviço do clube, Sheva alcançou o seu propósito e espera apenas, pela reforma para voltar à casa que construiu ao longo destes anos. “Tenho uma casa bonita de dois andares lá na Ucrânia”, concluiu, com orgulho, em entrevista ao Craques.

  • Boavisteiros em massa no primeiro jogo da ‘nova vida’

    Boavisteiros em massa no primeiro jogo da ‘nova vida’

    O primeiro jogo do Boavista, depois da queda até aos distritais, ficou marcado pela forte presença da massa adepta axadrezada, que lotou o campo do Estrelas FC de Fânzeres. O primeiro particular da temporada do ‘recomeço’ terminou, então, empatado 1-1 mas o carinho que os adeptos dedicaram à equipa é inegociável.

    O Boavista Futebol Clube voltou aos relvados e os apaixonados adeptos axadrezados fizeram questão de mostrar o seu amor ao clube. O primeiro jogo depois da queda com estrondo até aos distritais foi um particular frente ao Estrelas de Fânzeres. Muito mais do que o resultado, este jogo ficou marcado pela massa adepta boavisteira presente no estádio. A qual fez questão de mostrar a dimensão que um clube centenário sempre terá. Boavisteiros em massa no primeiro jogo da ‘nova vida’.

    A prova foi dada e desmistifica, então, os pensamentos de que o clube podia ir abaixo. O Boavista está vivo e, a avaliar pelas fotografias, (muito) bem acompanhado.

    Loucura nas bancadas com o regresso da equipa do Boavista. Foto: @mpdigital.insta

    Uma paixão sem divisão

    ‘A nossa paixão não tem divisão.’ É assim que podemos interpretar os axadrezados que marcaram presença no Estádio Estrelas de Fânzeres. O primeiro jogo do Boavista Futebol Clube, depois de todos os problemas vividos desde o fim da última temporada, vai ser recordado pelo número de adeptos boavisteiros nas bancadas. As bancadas estavam cheias e pintadas de preto e branco a ver o seu clube recomeçar a sua jornada de cara nova. Mas com as raízes bem presentes.

    O jogo que serviu, então, de apresentação dos novos jogadores e sobre a forma de jogar da nova equipa técnica, liderada por Luís Merêncio, terminou empatado 1-1. O golo axadrezado foi, então, da autoria de João Pereirinha, de 27 anos.

    Reconstrução com uma base forte

    Como dizem os adeptos das panteras negras, “Enquanto houver um boavisteiro, o Boavista nunca acaba”. Com isto, e depois da manifestação de amor pelo clube que os adeptos demonstraram de forma clara no jogo em Fânzeres, podemos esperar uma forte presença axadrezada nas bancadas dos jogos na 2ª Divisão da AF Porto.

    O Boavista vai começar, então, o seu caminho pela última divisão da AF Porto. Daqui a três semanas, os axadrezados têm a estreia marcada frente ao Ventura SC.

    Adeptos não escondem a sua paixão pelo clube axadrezado. Foto: @mpdigital.insta
  • Mats Hümmels – a despedida merecida ao muro amarelo

    Mats Hümmels – a despedida merecida ao muro amarelo

    Após ter terminado na carreira ao serviço da Roma, o central veterano, de 36 anos, foi convidado pelo Borussia Dortmund a fazer um particular para a despedida diante dos ‘seus’ adeptos. As 14 temporadas feitas pelo clube amarelo e preto ficaram, então, gravadas a ouro no coração de um dos melhores centrais do novo século.

    O futebol atual está muito marcado pelos investimentos financeiros cada vez mais avultados, e alguns deles até vistos como contrários à génese do desporto. Mas, felizmente, ainda há espaço para alguns laivos de amor à camisola. Foi o que aconteceu em Dortmund no fim-de-semana passado. Após ter colocado um ponto final na carreira aos 36 anos, Mats Hümmels recebeu, neste defeso, um convite muito especial. O Borussia Dortmund, clube onde o central jogou durante 14 temporadas, ‘convocou-o’ para um particular de despedida diante do lendário ‘muro amarelo’ do Signal Iduna Park, diante da Juventus. E ainda lhe deu a braçadeira de capitão, que Hümmels utilizou durante os 18 minutos que esteve em campo. Mats Hümmels – a despedida merecida ao muro amarelo.

    E, apesar da derrota (2-1), o resultado foi a parte menos importante de um jogo carregado de emoções, tanto para os adeptos como para Hümmels e a respetiva família. No final, aquele que foi um dos melhores centrais do novo século discursou, então, aos seus adeptos. Hümmels foi, ainda, presenteado com uma placa comemorativa da sua ligação ao clube preto e amarelo, além de um ramo de flores. Nas redes sociais do Dortmund, trataram-no como “lenda”.

    Números para a história

    No total, Mats Hümmels cumpriu 508 partidas com a camisola do Borussia Dortmund e fez 38 golos. Só Michael Zorc fez mais jogos (572) pelos pretos e amarelos. Formado no Bayern Munique, Hümmels nunca teve espaço na equipa principal dos bávaros e acabou por rumar a Dortmund. Primeiro, então, por empréstimo na época 2007/08 e depois a nível definitivo em 2008/09.

    Haveria de regressar ao Bayern no verão de 2016 mas o central não teve, então, a mesma preponderância que evidenciava no Signal Iduna Park. Hümmels voltou ao Dortmund três anos depois e por lá ‘morou’ até ao verão de 2024, no qual terminou contrato e não renovou. Ainda fez uma época na Roma (2024/25).

    Mas o Dortmund quis adocicar essa despedida e deu ao central a despedida merecida. No clube preto e amarelo, Hümmels conquistou seis troféus, com destaque para os campeonatos alemães de 2010/11 e 2011/12. Perderia, então, duas finais de Champions pelo Dortmund. Mas o amor, esse, será eterno.

  • A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina

    A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina

    Num futebol cada vez mais dominado por cláusulas milionárias e contratos de marketing, os regressos de Ángel Di María e Leandro Paredes à Argentina surgem como uma lufada de ar fresco. E são uma recordação poderosa do que significa o verdadeiro amor à camisola. Dois campeões do mundo, dois filhos de casas distintas, dois caminhos distintos mas um destino em comum: o regresso a casa com emoção.

    Após 17 anos a brilhar nos maiores palcos da Europa, Ángel Di María decidiu voltar às raízes. O fim do contrato com o Benfica, em julho deste ano, abriu, então, a porta para o tão aguardado regresso ao Rosario Central, o clube que o viu nascer para o futebol profissional, em 2006. O anúncio do craque argentino emocionou os adeptos e mexeu com o coração de uma cidade inteira. Agora com 37 anos, Di María chegou e marcou, então, na (re)estreia frente ao Godoy Cruz, mostrando que a classe permanece intacta, com mais um penálti e a frieza que tão bem o caracterizam. Já o médio Leandro Paredes voltou ao seu querido Boca Juniors, levando a mãe à loucura. Emulando um verso da célebre música ‘Don’t Cry for me, Argentina’, de Eva Perón, Di María e Paredes mostraram isto mesmo aos adeptos. A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina.

    Lágrimas e muita emoção

    O regresso de Di María foi, afinal, mais do que uma simples transferência: foi uma declaração de princípios. El Fideo sempre fez questão de dizer que queria voltar a vestir a camisola do clube do coração antes de pendurar as botas. E, após cumprir outro desejo, o de regressar ao Benfica, clube que o lançou para o futebol europeu, agora regressa a Rosário, mais precisamente ao Rosario Central. À cidade e ao clube onde tudo começou a ser escrito.

    Já do outro lado do país, o Boca Juniors também viu, então, um dos seus filhos pródigos regressar a casa. Leandro Paredes, médio de 31 anos, voltou à Bombonera após 11 temporadas na Europa. Tetracampeão com o PSG, ídolo da Roma e figura de relevo no título mundial da Argentina em 2022, Paredes regressou numa transferência realizada por 3,5 milhões de euros. Uma verba simbólica face ao seu currículo, para consumar o retorno ao clube onde se formou e se estreou, então, como futebolista profissional.

    Apesar de ainda não se ter reestreado oficialmente com a camisola do Boca, o entusiasmo dos adeptos já se faz sentir. Nomeadamente, através da loucura da mãe de Paredes, Myriam Benítez. Com o filho a ser apresentado aos adeptos no relvado da Bombonera, saltou literalmente à vista o contentamento imenso de Myriam Benítez. Por ver, então, o filho regressar a um palco onde deu os primeiros passos no futebol.

    Myriam vestiu a camisola 5 de Leandro Paredes e vibrou efusivamente nas bancadas, despertando a atenção de vários jornalistas que se encontravam no mítico palco do Boca Juniors a cobrir o evento.

    Geração dourada do futebol argentino

    Paredes representa mais do que um reforço para o meio-campo, simboliza o regresso de uma geração dourada ao futebol argentino. Estes regressos de Di María e Paredes não se explicam, então, apenas com estatísticas ou estratégias de mercado. São gestos de gratidão, de identificação profunda para com as cores de um clube, de reconhecimento das suas origens.

    Paredes assumiu ter voltado ao Boca Juniors por “amor ao clube”

    Num tempo em que o futebol parece cada vez mais distante das suas raízes, histórias como as de Di María e Paredes recordam-nos, então, que ainda há espaço para o romantismo no desporto-rei. Se há quem jogue por milhões, há também quem jogue — e regresse — por paixão. Eva Perón é que tinha razão e Di María e Paredes devem, então, concordar. A verdade é que eu nunca te deixei, Argentina.

  • Amor à camisola – as exceções num mundo de milhões

    Amor à camisola – as exceções num mundo de milhões

    No futebol atual, onde os contratos milionários e as trocas frequentes são norma, histórias como as de Totti, Gerrard, Reus, Lahm ou Müller perderam força. Mas Neymar, Coutinho, Di María ou Nico Williams mostram-nos que, mesmo com os mercados inflacionados, ainda há respeito pela camisola que se veste.

    São exemplos contemporâneos que resgatam a verdadeira essência da expressão “amor à camisola”, aqueles que vos apresentamos neste artigo. Regressos a casa com muita emoção, permanência no mesmo clube apesar do interesse de vários tubarões ou despedidas adiadas ainda fazem do futebol um espaço de lealdade e de apelo ao coração. Amor à camisola – as exceções num mundo de milhões.

    Bom filho à Vila torna

    Após rescindir com o Al‑Hilal, Neymar regressou ao Santos FC a 30 de janeiro de 2025. O craque fez, então, a sua (re)estreia a 6 de fevereiro, num empate a uma bola frente ao Botafogo e, desde aí, somou mais 11 partidas ao serviço do clube da Vila Belmiro.  Apesar das constantes lesões, que o assolam há vários anos, a Vila Belmiro decidiu abraçar e segurar o seu menino de ouro, de 33 anos. A 24 de junho, o Santos renovou o seu contrato até ao final do presente ano civil, com uma opção de mais seis meses.

    E impacto foi imediato: o clube ganhou, então, mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais e viu a sua presença digital crescer 74% nos últimos seis meses. Embora o regresso reforce o legado de Neymar no clube, também há vários ganhos comerciais e desportivos. Mais até do ponto de vista do clube, que atravessava um momento crítico da sua gloriosa história. Assim, Neymar pode ser visto como o menino que voltou para ajudar a Vila a recuperar o seu encanto.

    A joia vascaína

    Após rescindir com o Aston Villa, Philippe Coutinho regressou ao Vasco da Gama, clube onde deu os primeiros toques na bola. A sua estreia oficial aconteceu poucos dias depois da sua chegada, na partida frente ao Atlético Mineiro, onde saiu ovacionado mesmo entrando apenas nos últimos 20 minutos da partida.  Desde então, somou 44 jogos, com oito golos e quatro assistências, tornando-se uma das vozes mais influentes no balneário vascaíno.

    O reencontro com São Januário foi mais do que simbólico, foi emocional. Envolvido num projeto desportivo de reconstrução do clube, Coutinho, de 33 anos, assumiu a mítica camisola 10, carregando não só a responsabilidade técnica, mas também o peso histórico de um símbolo que vestiu lendas como Juninho Pernambucano ou Edmundo.

    Apesar das ofertas que chegavam do exterior e de clubes do Médio Oriente, o camisa 10 optou por permanecer. E a renovação foi anunciada a 4 de julho de 2025, prolongando Coutinho o seu vínculo ao clube do coração até junho de 2026.

    El Fideo de regresso a Rosario

    Após terminar o seu contrato com o Benfica, Ángel Di María decidiu regressar ao Rosario Central, clube que o viu crescer no mundo do futebol.

    Aos 37 anos, esta é a segunda vez que o craque argentino recusa propostas milionárias, desde a MLS à Arábia Saudita, para regressar à casa de partida. Já o tinha feito em 2023, quando voltou ao Benfica, clube europeu que o lançou ao estrelato, ignorando propostas bem mais lucrativas do que aquela que tinha sobre a mesa em Lisboa.

    Agora, a escolha foi ainda mais simbólica, o Rosario Central, o clube da sua terra natal, onde tudo começou. A assinatura foi oficializada com um contrato de um ano.

    Num futebol cada vez mais dominado por milhões, Di María mostrou uma vez mais que ainda há espaço para decisões guiadas pela alma. O seu regresso não foi apenas um gesto nostálgico, mas um ato de amor e identidade. A cidade de Rosario voltou a ver, em carne e osso, o menino que saiu, então, à conquista da Europa e do Mundo. Agora, no fim da sua carreira, escolheu fechar o ciclo, no ponto de partida, com a mesma camisola que vestiu aos 17 anos.

    Um amor que valeu milhões

    Nico Williams, de apenas 22 anos, oficializou no dia 4 de julho de 2025 a renovação com o Athletic Bilbao até junho de 2035.

    Desta forma, o jovem internacional espanhol rejeitou, então, propostas concretas quer do Barcelona quer do Bayern. Ele que viu a sua cláusula de rescisão subir dos 58 milhões para cerca de 90 milhões. Este contrato de uma década é um marco importante num contexto onde jogadores trocam de clube com frequência. E vem reforçar o compromisso com as raízes bascas e a identidade do clube, de Bilbau, que lhe ofereceu um salário astronómico para o convencer a permaneceu no País Basco.

  • Carlos Pedro Passos – O amor eterno pelo Boavista que lhe foi transmitido pelo avô

    Carlos Pedro Passos – O amor eterno pelo Boavista que lhe foi transmitido pelo avô

    Adepto do clube do Bessa desde 1980, Carlos Pedro Passos é também acionista desde a criação da SAD boavisteira e até já fez parte da equipa técnica, então liderada por Jaime Pacheco. Com uma iminente queda nos distritais, o ferrenho adepto axadrezado guarda boas memórias do seu clube. Que está “mergulhado num caos completo”, como conta, em exclusivo, ao Craques.

    O Boavista encontra-se, mais uma vez, numa situação complicada perto de 20 anos depois de ter caído para o terceiro escalão do futebol português. Agora, e novamente por incumprimento financeiro e dívidas acumuladas, o clube do Bessa ainda tenta inscrever-se na Liga 3, mas tem até esta 5ª feira para apresentar as certidões de não dívida ao Fisco e à Segurança Social. Se não o fizer, ou caso haja alguma irregularidade, o Boavista cairá na 2ª Divisão Distrital do Porto. E o Craques foi auscultar um sócio do clube e acionista da SAD para perceber o que sente hoje um adepto ao ver o clube mergulhar numa nova crise. Carlos Pedro Passos – O amor eterno pelo Boavista que lhe foi transmitido pelo avô.

    O nome pode, então, não lhe dizer muito, mas Carlos Pedro Passos já tem a sua história no Boavista. E este amor começou já em 1980. “Quem me inscreveu como sócio do Boavista foi o meu avô. A partir daí, vim morar para um apartamento ao lado do Estádio do Bessa e passava ali a minha vida, quando saía da escola”, conta, ao Craques.  

    Carlos Pedro Passos viveu a sua infância nas imediações do Bessa

    As recordações desse tempo estão mais ligadas a jogadores marcantes. “Lembro-me muito bem de três jogadores do Boavista, já falecidos, de quem eu gostava muito. O Frederico Rosa, central português muito elegante a jogar, e o Jaime Alves, mais da década de 80 e início de 90. Mas também não esqueço o Lucas, que passou pelo Boavista, vindo da Académica”, conta, com a voz embargada.

    Na equipa técnica de Jaime Pacheco

    Anos mais tarde, aquando da primeira passagem pelo Bessa, Jaime Pacheco recrutou-o para a sua equipa técnica, para que Carlos acompanhasse de perto os craques axadrezados. “As melhores memórias que tenho são de quando fui convidado a integrar a equipa técnica. Comecei a colaborar com o Jaime Pacheco e ainda apanhei o Zeljko Petrovic. A minha função era controlar o plantel e fazer com que os jogadores respeitassem as regras internas do clube”, explica quem é portador de uma incompatibilidade sanguínea desde a nascença, plasticidade muscular, a qual lhe provocou uma paralisia do lado direito do corpo. O que não o impediu, contudo, de fazer a sua vida.

    Na nota de rodapé, vê-se Carlos Pedro a dar uma palestra ao plantel do Boavista

    A conquista do título nacional, em 2000/01, foi “muito marcante”, mas, Carlos Pedro Passos recorda, então, um jogo muito especial. O da estreia do Boavista na Liga dos Campeões, em Anfield. “Empatámos contra o Liverpool, num jogo incrível. Jogámos muito bem. Ficou-me gravado para sempre”, explica.

    A ligação ao Boavista tornou-se mais forte quando foi criada a SAD. “Nessa altura, tornei-me acionista, porque queria assistir às reuniões do clube e poder, então, intervir nas mesmas”, revela.

    Uma nova queda… muito indesejada

    Quinze anos depois de ter caído para o terceiro escalão do futebol português – em 2009/10 jogou, então, a II Divisão – Nível 3 -, o Boavista corre agora o risco de não ser aceite na Liga 3 e ter de começar do zero. Ou seja, da 2ª Divisão da AF Porto. Um suplício para os adeptos. E Carlos Pedro Passos recorda que chegou a alertar o antigo presidente axadrezado para os riscos que corria quando fez uma aliança com o empresário Gérard López.

    “Foi tudo uma precipitação da direção anterior, liderada pelo senhor Vítor Murta. Cheguei a falar-lhe nos riscos que corria porque aquela ligação poderia ser muito vantajosa ou muito ruinosa. Gérard López já tinha deixado o Lille numa má situação e afundou o Bordéus”, avisou.

    Já sobre Fary Faye, presidente da SAD, Carlos iliba-o de responsabilidades na crise do Boavista, mas deixa um conselho. “O Fary devia tomar as decisões pela cabeça dele. Precisa de ter um bocado mais de pulso. É uma pessoa responsável, mas está muito mal rodeado”, adverte.

    Mergulhado num caos completo

    A confirmar-se a queda nos distritais, o Boavista terá uma montanha muito íngreme para escalar, até voltar novamente ao convívio com os maiores do futebol português. Mesmo que faça parte desse núcleo, até pelo campeonato conquistado no início do século. Mas não são esperadas facilidades. Ainda esta terça-feira, o clube foi considerado insolvente pelo Tribunal do Comércio de Gaia.

    “Fico triste porque, muito sinceramente, não estou a ver o Boavista, num curto espaço de tempo, a voltar aos maiores palcos e a ser, novamente, o clube que já foi. Além disso, esta queda vai provocar um afastamento ainda maior da comunicação social”, diz. Questionado sobre se está disponível para ajudar a reerguer o seu clube do coração, Carlos Pedro Passos é direto: “O Boavista está mergulhado num caos completo. Mas com as pessoas certas, acredito que podemos reconstruir o clube e torná-lo novamente estável e competitivo.” Esta é a história de Amor à Camisola de hoje. Carlos Pedro Passos – O amor eterno pelo Boavista que lhe foi transmitido pelo avô.

  • Domenico Berardi – o Rei do Sassuolo

    Domenico Berardi – o Rei do Sassuolo

    Avançado italiano, de 30 anos, desceu à Serie B no ano passado com o clube de uma vida e agora fê-lo regressar à Serie A. A maior lenda do Sassuolo – 399 jogos e 148 golos – foi determinante na subida de divisão e está perto de assinar… um contrato vitalício com o clube, isto é, até 2029. “Ser a bandeira do Sassuolo é um orgulho, até porque não há mais bandeiras”, atirou o campeão europeu por Itália em 2021.

    Domenico Berardi estreou-se pelos seniores do Sassuolo a 18 de agosto de 2012, na 3ª eliminatória da Taça de Itália, em casa do Catania. Substituiu, então, Carl Valeri aos 75 minutos mas não impediu a derrota, por 1-0. O que ninguém sabia é que começava aí uma longa e entusiasmante história de amor entre Berardi e o Sassuolo. Os 11 golos em 39 jogos feitos nessa época despertaram, então, o interesse da Juventus que o contratou para… o emprestar ao Sassuolo. Não chegou a jogar pela Vecchia Signora e o amor à camisola do Sassuolo ficou para sempre. Esta época, Berardi cumpriu a sua 13ª época pelo clube, que em Itália é também conhecido por ‘Casca de Melancia’, e ajudou-o a regressar do ‘inferno’ da Serie B, onde havia caído na época anterior. Lenda maior do clube de Emilia-Romagna, Berardi prepara-se para, aos 30 anos, assinar um contrato vitalício com o clube – até 2029 – e estender ainda mais a sua dinastia. Domenico Berardi – o Rei do Sassuolo.

    Os números de Domenico Berardi sempre impressionaram, fosse em golos ou assistências. O avançado italiano, cujas melhores características são o instinto goleador e a capacidade técnica, é, então, um verdadeiro exemplo de amor à camisola, tendo recusado já várias propostas para sair do clube. A única vez que o fez foi quando assinou pela Juventus mas nos dois anos seguintes foi cedido ao Sassuolo, que o haveria de comprar novamente no verão de 2015.

    Berardi soma 148 golos em 399 jogos pelo Sassuolo

    Números impressionantes

    “Ser a bandeira do Sassuolo é um orgulho, até porque não há mais bandeiras”, disse, há poucos dias, Berardi. E é verdade. Se olharmos para os nomes históricos do clube que só a partir de 2013 marcou presença na Serie A, Berardi destaca-se, e muito, dos demais. Senão vejamos. Berardi é o melhor marcador da história dos pretos-e-verdes, com 148 golos, mais… 104 do que o ex-companheiro de equipa, Gaetano Masucci, que representou o clube entre 2004 e 2014. Já ao nível de jogos, Berardi contabiliza uns impressionantes 399 pelo Sassuolo, mais… 156 do que o mesmo Masucci.

    Berardi e Giovanni Carnevali quando anunciaram a renovação de contrato até 2027

    E, aos 30 anos, Berardi tem ainda muito mais para dar. Sobretudo agora, que voltou a colocar o Sassuolo entre os grandes do futebol italiano. “O Sassuolo como família nasceu há muito tempo, com Carnevali, Giorgio Squinzi e Adriana Spazzoli, que me acolheram como se eu fosse um filho. Infelizmente, eles faleceram e os filhos, Verónica e Marco, assumiram a situação.  Sempre disse que o Sassuolo é uma família, é a minha casa e onde me sinto bem”, atirou o avançado, que estará perto de renovar pelo clube de uma vida até 2029 (tem contrato até 2027).

    O próprio Giovanni Carnevali, CEO do Sassuolo, admite que Berardi vai ficar. “O Domenico é um campeão, ele agarrou nos jovens que tínhamos no ano passado pela mão e subimos. Tem mostrado uma lealdade incrível à camisola do Sassuolo. Renovação? Pode mesmo acontecer”, explicou.

    Fidelidade a toda a prova

    A lealdade é uma característica que Berardi adota na vida profissional mas também familiar. Está com a mulher, Francesca Fantuzzi, desde os 18 anos e ambos celebraram, então, o casamento em 2022. Da união, nasceu já um menino, Nicolò Berardi. O amor pelo Sassuolo também trouxe estabilidade ao casal, podendo agora o craque, que se sagrou campeão europeu por Itália em 2021, voltar a jogar entre os maiores do futebol italiano.

    Berardi e Francesca Fantuzzi

    O Rei de Sassuolo está de volta. E prepara-se, então, para chegar aos 400 jogos pelo clube. Mas se renovar mesmo até 2029, a lenda de Berardi será mesmo inatingível num clube com a dimensão do Sassuolo.