As duas últimas dobradinhas do Sporting aos olhos de Nélson

CraquesCraquesFutebol9 meses atrás444 Visualizações

Vinte e três anos separam as duas dobradinhas do Sporting neste século, mas o “espírito competitivo” é o mesmo. O truque é “haver compromisso entre todos os jogadores”. Quem o diz é Nélson, guarda-redes leonino em 2001/02, que comparou, para o Craques, a sua equipa com o atual plantel campeão.

Passaram-se mais de duas décadas desde que o Sporting conquistou a Liga e a Taça de Portugal na mesma época. À conversa com Nélson Pereira, antigo guarda-redes do Sporting, presente na dobradinha de 2001/02, ficaram esclarecidas as possíveis semelhanças e diferenças entre os plantéis dessas duas temporadas. Ao Craques, Nélson disse ver parecenças entre aquela equipa e a atual. “Globalmente são equipas muito semelhantes”, disse, destacando, então, “a importância da continuidade.” As duas últimas dobradinhas do Sporting aos olhos de Nélson.

Entre as equipas de László Bölöni e de Rui Borges, o Embaixador da Liga Portugal entende que a estabilidade entre os jogadores foi fundamental para ambas as equipas. “As duas equipas transitaram a maioria do plantel de uma época para a outra. É importante a equipa conhecer-se para haver dinâmicas entre os jogadores… que só há quando se entendem, que vem com o tempo”, refere.

O espírito de luta é denominador comum

As duas equipas partilham, então, uma característica essencial: a resiliência. “Mesmo nos tempos mais difíceis, com as trocas de treinadores, nunca vi a equipa deixar-se abater. Conseguiu sempre bons resultados, mesmo com algum sofrimento. Lutou sempre até ao fim. É uma equipa bastante competitiva”, afirmou, então, sobre o Sporting de 2024/25.

Nélson salientou ainda outros pontos que ligam as duas formações ‘campeãs a dobrar’. “Globalmente são equipas muito semelhantes. São muito boas defensivamente e na frente têm jogadores que resolvem. Isso é muito importante. Ser consistente é fundamental e faz toda a diferença”, acrescenta.

O Embaixador da Liga Portugal falou em exclusivo ao Craques para comparar as dobradinhas do Sporting

As principais diferenças

Há várias semelhanças, mas também existem, então, diferenças notáveis. “Esta equipa é, claramente, mais jovem do que a de 2001/02”, atira. E justifica: “Na final da Taça de 2001/02, eu e o Beto se calhar éramos os mais jovens do 11. Depois de nós eram jogadores com 30 anos. Agora, só o Rui Silva é que tem essa idade”.

Mas os sistemas táticos também divergem. “As duas equipas tinham sistemas diferentes. Rui Borges manteve a linha de 3, como Ruben Amorim. Ao contrário de nós, em 2001/02, que raramente jogávamos assim, com o Beto a descair como ‘central da direita’”, explica, acrescentando que tinham “um sistema bem diferente com o Jardel e o João Pinto na frente”.

Nélson também define os dois treinadores como “diferentes”. O atual comentador da Sport TV descreveu os treinadores em relação às intervenções na zona técnica, começando por Bölöni: “Era muito interventivo… quase a dar sensação de nervosismo. Ao contrário de Rui Borges, que é um treinador low profile”.

Referências que fazem a diferença

Em cada época, houve jogadores determinantes. Nélson realçou três jogadores de cada plantel: “André Cruz, que foi o melhor central com quem joguei. Qualidade extrema que trazia segurança defensiva e ainda marcava golos.” Recordando ainda a época 2001/02, destaca também a “dupla ‘pai e filho’, com o ‘artista’ João Pinto e o goleador Jardel: “Eles jogavam de olhos fechados.”

Na equipa atual, identifica outros pilares. “Hjulmand é o líder dentro do campo, que traz experiência e qualidade”, além de Gyökeres que “dispensa apresentações” definindo-o como “perigosíssimo, nesta forma de jogar”. E sem esquecer Francisco Trincão que “traz requinte na forma como trata a bola, na maneira como serve os colegas e marca golos.” “Fez uma grande época e tenho a certeza que terá uma nova oportunidade na Liga das Nações”, conclui Nélson.

Para o ex-guardião, a certeza do golo é fundamental: “À semelhança da minha época, a equipa sabia que Jardel ia marcar e agora esta também sabe que Gyökeres vai marcar. Isso é muito importante.”

De guarda-redes para guarda-redes

O embaixador da Liga Portugal deixou, então, algumas palavras sobre a importância de Rui Silva na dobradinha. “O Rui revolucionou muito esta equipa do Sporting. Ele foi um guarda-redes que trouxe tranquilidade, segurança e liderança, e isso faz toda a diferença. Franco Israel tinha qualidade, mas não tinha maturidade e regularidade competitiva. Algo que apareceu, então, com o Rui.”

“Sou da opinião que as equipas se constroem de trás para a frente. E o Sporting fez muito bem em ir buscar um guarda-redes que desse tranquilidade a toda a equipa”, acrescentou.

Para Nélson, os resultados positivos deram, então, toda a razão aos responsáveis leoninos: “O que é certo é que a decisão de vir o Rui Silva é mais do que reconhecida por todos. Hoje já ninguém fala na vinda de um médio ou de um extremo, no mercado de Janeiro.” A última nota exclusiva ao Craques – mais atenta ao detalhe dos vencedores da dobradinha – só podia ser, então, sobre a baliza: “Os guarda-redes que ganharam a dobradinha, jogaram de azul na final da Taça. Eu reparo nisto tudo! O Rui jogou com um azul mais claro e eu com um mais escuro.”

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