
Passaram-se mais de duas décadas desde que o Sporting conquistou a Liga e a Taça de Portugal na mesma época. À conversa com Nélson Pereira, antigo guarda-redes do Sporting, presente na dobradinha de 2001/02, ficaram esclarecidas as possíveis semelhanças e diferenças entre os plantéis dessas duas temporadas. Ao Craques, Nélson disse ver parecenças entre aquela equipa e a atual. “Globalmente são equipas muito semelhantes”, disse, destacando, então, “a importância da continuidade.” As duas últimas dobradinhas do Sporting aos olhos de Nélson.
Entre as equipas de László Bölöni e de Rui Borges, o Embaixador da Liga Portugal entende que a estabilidade entre os jogadores foi fundamental para ambas as equipas. “As duas equipas transitaram a maioria do plantel de uma época para a outra. É importante a equipa conhecer-se para haver dinâmicas entre os jogadores… que só há quando se entendem, que vem com o tempo”, refere.
As duas equipas partilham, então, uma característica essencial: a resiliência. “Mesmo nos tempos mais difíceis, com as trocas de treinadores, nunca vi a equipa deixar-se abater. Conseguiu sempre bons resultados, mesmo com algum sofrimento. Lutou sempre até ao fim. É uma equipa bastante competitiva”, afirmou, então, sobre o Sporting de 2024/25.
Nélson salientou ainda outros pontos que ligam as duas formações ‘campeãs a dobrar’. “Globalmente são equipas muito semelhantes. São muito boas defensivamente e na frente têm jogadores que resolvem. Isso é muito importante. Ser consistente é fundamental e faz toda a diferença”, acrescenta.

Há várias semelhanças, mas também existem, então, diferenças notáveis. “Esta equipa é, claramente, mais jovem do que a de 2001/02”, atira. E justifica: “Na final da Taça de 2001/02, eu e o Beto se calhar éramos os mais jovens do 11. Depois de nós eram jogadores com 30 anos. Agora, só o Rui Silva é que tem essa idade”.
Mas os sistemas táticos também divergem. “As duas equipas tinham sistemas diferentes. Rui Borges manteve a linha de 3, como Ruben Amorim. Ao contrário de nós, em 2001/02, que raramente jogávamos assim, com o Beto a descair como ‘central da direita’”, explica, acrescentando que tinham “um sistema bem diferente com o Jardel e o João Pinto na frente”.
Nélson também define os dois treinadores como “diferentes”. O atual comentador da Sport TV descreveu os treinadores em relação às intervenções na zona técnica, começando por Bölöni: “Era muito interventivo… quase a dar sensação de nervosismo. Ao contrário de Rui Borges, que é um treinador low profile”.
Em cada época, houve jogadores determinantes. Nélson realçou três jogadores de cada plantel: “André Cruz, que foi o melhor central com quem joguei. Qualidade extrema que trazia segurança defensiva e ainda marcava golos.” Recordando ainda a época 2001/02, destaca também a “dupla ‘pai e filho’, com o ‘artista’ João Pinto e o goleador Jardel: “Eles jogavam de olhos fechados.”
Na equipa atual, identifica outros pilares. “Hjulmand é o líder dentro do campo, que traz experiência e qualidade”, além de Gyökeres que “dispensa apresentações” definindo-o como “perigosíssimo, nesta forma de jogar”. E sem esquecer Francisco Trincão que “traz requinte na forma como trata a bola, na maneira como serve os colegas e marca golos.” “Fez uma grande época e tenho a certeza que terá uma nova oportunidade na Liga das Nações”, conclui Nélson.
Para o ex-guardião, a certeza do golo é fundamental: “À semelhança da minha época, a equipa sabia que Jardel ia marcar e agora esta também sabe que Gyökeres vai marcar. Isso é muito importante.”
O embaixador da Liga Portugal deixou, então, algumas palavras sobre a importância de Rui Silva na dobradinha. “O Rui revolucionou muito esta equipa do Sporting. Ele foi um guarda-redes que trouxe tranquilidade, segurança e liderança, e isso faz toda a diferença. Franco Israel tinha qualidade, mas não tinha maturidade e regularidade competitiva. Algo que apareceu, então, com o Rui.”
“Sou da opinião que as equipas se constroem de trás para a frente. E o Sporting fez muito bem em ir buscar um guarda-redes que desse tranquilidade a toda a equipa”, acrescentou.
Para Nélson, os resultados positivos deram, então, toda a razão aos responsáveis leoninos: “O que é certo é que a decisão de vir o Rui Silva é mais do que reconhecida por todos. Hoje já ninguém fala na vinda de um médio ou de um extremo, no mercado de Janeiro.” A última nota exclusiva ao Craques – mais atenta ao detalhe dos vencedores da dobradinha – só podia ser, então, sobre a baliza: “Os guarda-redes que ganharam a dobradinha, jogaram de azul na final da Taça. Eu reparo nisto tudo! O Rui jogou com um azul mais claro e eu com um mais escuro.”






