
Este último fim de semana, o emblemático Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, testemunhou aquilo que entendo ter sido um verdadeiro renascimento na dinâmica dos Campeonatos Nacionais de Clubes. A conjugação de cores, expressões de esforço e espírito coletivo revelaram um país a respirar atletismo de alta competição e grande paixão.
A 1.ª Divisão foi palco de um épico braço de ferro entre Sporting e Benfica, no setor masculino, com a disputa a prolongar-se até à derradeira estafeta dos 4×400 m, com o Sporting a impor-se e a bater o recorde nacional de clubes, superando uma marca que datava de 1989. Em femininos, as leoas chegaram ao 55.º título, 15.º consecutivo. Mas sublinhar esta hegemonia não significa diminuir a importância dos demais clubes, que com espírito e respeito engrandeceram a competição.
Mais do que nas equipas de topo, é nas divisões ditas secundárias que tenho sentido uma chama vibrante. Na 2.ª e 3.ª divisões ecoou o orgulho de representar cores e histórias locais, atletas empenhados numa luta intensa, revelando o verdadeiro significado de entrega e paixão, de pertencer a si mesmos, ao seu clube, à sua comunidade.
É com estes alicerces que se constrói a grandeza do futuro. A ambição de subir, a frustração de falhar por pouco, os momentos de glória; elementos essenciais para nutrir o DNA do atletismo.
A presença em Leiria de medalhistas e finalistas internacionais, já com olhos postos nos Mundiais de Tóquio, imprimiu outra dimensão à competição. A isso juntou-se uma inebriante moldura humana: equipas e público unidos num entusiasmado apoio. Foi atletismo global, com a alma do atletismo português.
Vi, por isso, em Leiria um atletismo saudavelmente plural: capaz de excelência, capaz de formar, capaz de emocionar. Os clubes – todos eles – deixaram uma marca, deram reforçados passos rumo ao topo e reforçaram os pilares do coletivo.
Sinto-me confiante quanto ao futuro do nosso Atletismo. A coesão da FPA, o empenho dos clubes, a aposta nos atletas emergentes, a resiliência dos mais experientes e o envolvimento comunitário definem um caminho sólido. É por mais fins de semana assim que empenhamos a nossa energia.







JOSÉ CONCHINHA
Obrigado a todos os atletas. Técnicos e dirigentes.