E, de repente, Sérgio Conceição a “entrar” nas eleições do Benfica, que prometem ser as mais concorridas de sempre. Para já, confirmados estão: Rui Costa, João Noronha Lopes, João Diogo Manteigas, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho. Luís Filipe Vieira está a pouco tempo de confirmar a sua candidatura… e sabe-se lá se não aparecerá ainda mais alguém!
São cinco candidaturas já anunciadas e a “quase certeza” de que Vieira se juntará ao pelotão. É impossível, nesta fase, prever o que pode acontecer, até porque daqui até 25 de outubro muita coisa irá acontecer. Para já, a vantagem – aparentemente – está do lado de Rui Costa. É sempre assim. A vantagem pertence a quem está no poder. Mas – e Rui Costa é o primeiro a sabê-lo – bastará um mau resultado à equipa principal de futebol para essa vantagem se começar a escapar entre os dedos.
Vem aí a Supertaça, segue-se o objetivo (esse absolutamente decisivo) de entrar na Liga dos Campeões e, até às eleições, ainda ficam nove jornadas da Liga para realizar. O risco é grande e a atual direção sabe que está completamente nas mãos… de Bruno Lage. E isso não é uma grande notícia, na verdade.
Um bom ou mau mercado também podem ter algum peso no grau de (in)satisfação dos sócios e, por fim, ainda será preciso perceber como correm as entrevistas, os debates e a disputa mais dura assim que a campanha atingir o seu ponto alto.
A figura do treinador é sempre fundamental para a perceção que os sócios e adeptos têm do projeto desportivo. O “rodízio” de jogadores a entrar e a sair do Seixal a que se tem assistido neste mandato de Rui Costa é um sinal demasiado forte das dúvidas e dos ziguezagues na estratégia do futebol profissional. Este verão, pelos vistos, vamos pelo mesmo caminho.
Entretanto, com as eleições já à vista, o Benfica anunciou uma série de medidas que visam, naturalmente, ir ao encontro da vontade popular: a saída de figuras como Lourenço Pereira Coelho ou Rui Pedro Braz (que os sócios há muito rejeitavam), a guerra aberta com a Federação liderada por Pedro Proença e até alguma confrontação mais assumida com os rivais, FC Porto e Sporting, através das eternas questões de alegados controlos do “sistema” – seja lá o que isso for. Já não falando, obviamente, numa das medidas mais “pop” entre a massa associativa, que é tentar fazer abortar a ideia de uma centralização dos direitos de transmissão televisiva que, segundo a maioria da ‘massa encarnada’, não favorece os interesses do Benfica.
A pergunta: e quanto tempo existiu para fazer isto tudo? Tinha mesmo de ser tudo a três meses das eleições? Mas acharão, na verdade, que ninguém percebe?
Claro que ainda há trunfos para tirar da cartola. Como João Félix, por exemplo. Nada será tão importante, ainda assim, como os resultados do futebol. Se o Benfica ganhar a Supertaça, tudo bem. Se o Benfica chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões, excelente. Se o Benfica chegar a outubro na liderança do campeonato, perfeito. O problema é se… alguma coisa falha. Aí, virá ao de cima o balanço desportivo do mandato de Rui Costa: uma Liga, uma Supertaça e uma Taça da Liga. Ou seja: 3 troféus em 16 possíveis.
E estar dependente da “arte” de Bruno Lage para chegar a outubro com a parte desportiva a surfar uma “onda alta”… é um risco demasiado alto para Rui Costa poder dormir descansado.
Luís Filipe Vieira conhece exatamente essa fragilidade do atual “status quo” e por isso é que não hesitou em “atirar-se” a Sérgio Conceição, enquanto todos os outros candidatos vão “empurrando com a barriga” quando são confrontados com a questão do treinador para os seus respetivos projetos. Refugiam-se no clássico: “Lage é o meu treinador, quando eu for eleito… logo se vê.”
Ou seja, é essa incerteza, dúvida, prudência e o que se quiser classificar que Luís Filipe Vieira está a saber explorar. Como quem diz: “Vocês não têm certezas, mas eu tenho! O meu treinador é este.”
Sérgio Conceição será sempre um nome que vai dividir muitas opiniões na Luz. Há quem não goste nada e que nunca o vá aceitar. Como também há quem não goste… mas que esteja disposto a engolir o sapo, por saber que, na verdade, a competência do treinador não está em causa e que, como ele, o Benfica teria um treinador claramente muito superior ao atual. E que, assim, estaria muito mais perto de voltar a ganhar.
Diria que, para já, sem acesso a qualquer sondagem ou estudo de mercado, João Noronha Lopes tem garantidos entre 35 a 40% dos votos. Rui Costa e Luís Filipe Vieira irão, depois, dividir uma fatia parecida, que pode chegar, no máximo, a 45%. Assim sendo, a perspetiva de haver uma 2ª volta é grande, pois a hipótese de existir um vencedor à primeira – segundo os últimos estatutos aprovados, esse terá de reunir 50% dos votos + 1 – é praticamente impossível. Já os restantes 15 a 20% disponíveis serão para dividir entre João Diogo Manteigas, Martim Mayer e o “patusco” Cristóvão Carvalho. Sendo que, é justo dizê-lo, Manteigas tem mostrado ser claramente o candidato mais preparado, mais ativo e com melhores ideias para o Benfica.
O que pode virar este “xadrez”? Duas coisas. Uma, repito, os resultados da equipa de futebol. A outra, a entrada em cena (oficial) de Vieira e o papel que Sérgio Conceição estiver disposto a ter neste processo eleitoral.

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