A genialidade já exibida – e de forma consistente – por Lamine Yamal dão-lhe a legitimidade para fazer parte da eterna discussão sobre a eleição para melhor do Mundo. É inteiramente justo, lógico e, no fundo, natural que o novo prodígio do Barcelona passe a entrar nas contas sempre que, nos cafés, nos estádios, nos estúdios e nos comités de sábios da UEFA e da FIFA se discutirem os nomes para o melhor jogador da atualidade.

O que já não é natural é tudo isto estar a acontecer com um jovem que tem ainda 17 anos de idade e que, em circunstâncias normais, deveria estar nesta fase a trabalhar com os juniores do seu clube (nos sub-19, portanto) ou mesmo, na melhor das hipóteses, na equipa B do Barcelona. É esse o trajeto normal – mesmo com os grandes talentos – e só por raras vezes, nos casos excecionais, um miúdo ainda menor de idade tem oportunidade de chegar à equipa principal e, mais difícil ainda, de se afirmar.

O que Yamal está a fazer supera tudo aquilo que já se viu no futebol moderno. Acaba de cumprir 100 (!) jogos pelo Barcelona, já soma quatro conquistas no palmarés (Liga, Taça do Rei, Supertaça e Euro 2024). Tem 22 golos apontados pelo seu Barça e 33 assistências. Ou seja, aos 17 anos (nunca é demais lembrar), Lamine já participou de forma direta em 55 golos (!) de um dos maiores gigantes da história do futebol mundial. E podemos acrescentar a isto mais 19 jogos pela principal Seleção de Espanha, com 4 golos – um deles numa meia-final do Campeonato da Europa. Quem já se conseguiu aproximar, sequer, de um registo destes?

Ninguém pode dizer que Yamal vai fazer parte, um dia, dos melhores a história e atingir a galeria de imortais onde estão Pelé, Maradona, Messi ou Zidane. Seria preciso estar muitos anos a este nível estratosférico, seria preciso multiplicar muitas vezes os números que hoje já apresenta e seria preciso, também, conquistar o mais importante de todos os troféus: campeão do Mundo.

Para chegar ao título mundial não faltarão hipóteses, à partida. O Mundial 2026 está à porta. E vai disputá-lo ainda com… 18 anos. Se não conseguir levantar o troféu daqui por um ano, então ainda terá oportunidade em 2030, 2034, 2038 e até 2042, onde pode vir a marcar presença com “apenas”… 34 anos! É um absurdo o conjunto de cenários vantajosos que Yamal tem pela frente e as oportunidades que se podem projetar para um talento absolutamente incomum, que não pára de supreender. Depois da exibição frente ao Inter, na meia-final da Champions, os elogios chovem de todo o lado: a Imprensa mundial alucina, os colegas fazem-lhe a vénia, os adversários rendem-se, os adeptos deliram.

Yamal tornou-se no mais novo a marcar numa meia-final da Champions, diante do Inter Milão

Ninguém consegue garantir onde estará a carreira de Lamine Yamal daqui por três ou quatro anos. Mas o que é inegável é que ninguém teve, até hoje, um início como o dele. Estreia na equipa principal do Barcelona – e campeão de Espanha – com 15 (!) anos. Estreia na Seleção principal – e campeão da Europa – com 16 (!) anos. Golden Boy aos 17. E, neste momento, com boas possibilidades de vencer a segunda La Liga ainda com 17 anos e até na corrida pela Champions League, onde, já agora, também se estreou aos 16 anos.

A lista de recordes não tem fim: mais novo a jogar pelo Barcelona (15 anos e 9 meses); mais novo titular no Barcelona (16 anos e 38 dias); mais novo a jogar na La Liga; mais novo a fazer uma assistência na La Liga (16 anos e 32 dias); mais novo a jogar no clássico com o Real Madrid (16 anos e 107 dias); mais novo a jogar na Champions (16 anos e 68 dias); mais novo titular na Champions (16 anos e 83 dias, contra o FC Porto, curiosamente); mais novo a marcar pelo Barcelona (16 anos e 87 dias); primeiro jogador a marcar dois golos num jogo de La Liga antes dos 17 anos; mais novo a chegar aos 50 jogos pelo Barcelona (16 anos e 310 dias); mais novo a marcar na Supertaça de Espanha (16 anos e 182 dias); mais novo a marcar na Taça do Rei (16 anos e 196 dias); mais novo a jogar em fases a eliminar da Champions (16 anos e 223 dias); mais novo a marcar no campeonato de Espanha (16 anos e 87 dias); mais novo a jogar e a marcar pela Seleção principal de Espanha (16 anos e 57 dias); mais novo a marcar na qualificação para um Euro (16 anos e 57 dias); mais novo titular na fase final de um Euro (16 anos e 338 dias); mais novo a fazer uma assistência na fase final de um Euro (16 anos e 338 dias) e mais novo a marcar na fase final de um Euro (16 anos e 361 dias).

Desde a última quarta-feira passou a ser o mais novo, também, a marcar numa meia-final da Champions League (com 17 anos e 291 dias), destronando o anterior recordista, que era Mbappé (com 18 anos e 140 dias). E também o mais novo a chegar aos 100 jogos pelo Barcelona.

O brasileiro Ronaldo Nazário foi o jogador mais novo a vencer a Bola de Ouro, com 20 anos. Alguém se surpreenderá se também este recorde passar para Yamal?


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