O “Novo Messi” que foi traído por lesões

CraquesCraquesEternas Promessas6 meses atrás200 Visualizações

O tempo é impiedoso com as promessas do mundo do futebol. Num dia és a próxima lenda, o próximo Messi, e no outro és apenas mais um nome esquecido nos boletins clínicos do Barcelona. No caso de Ansu Fati, o destino foi cruel para um jovem tão promissor.

De prodígio precoce no Camp Nou a uma dúvida ambulante no mercado de transferências. Mas agora, com a camisola do AS Mónaco, surge a pergunta inevitável sobre Ansu Fati: Ainda vai a tempo de ser o jogador que todos projetaram? Tudo começou, então, em 2016. Quando um jovem de apenas 13 anos, chamado Anssumane Fati Vieira, surgiu nos escalões de formação da La Masia, a somar 21 golos em 25 jogos pelos sub-17 do emblema catalão. A sua ascensão foi extraordinária, e no dia 25 de agosto de 2019, o jovem, então com 16 anos, subiu ao relvado de Camp Nou. O “Novo Messi” que foi traído por lesões.

Golo atrás de golo, drible atrás de drible, tornou-se o mais jovem goleador da história do Barcelona na La Liga, o mais jovem a marcar na Champions pelo clube e, ainda, o mais jovem a marcar e assistir no mesmo jogo do campeonato espanhol.

Parecia haver ali mais do que talento: havia uma estrela destinada à elite do futebol mundial. Natural da Guiné-Bissau, mas formado em Espanha – camadas jovens do Sevilha -, Ansu não só encantava pela ousadia, como jogava com uma maturidade que desafiava a própria idade. Rapidamente, os adeptos do Barça procuraram nele uma tábua de salvação para a era pós-Messi. E o clube reforçou essa ideia com um gesto simbólico mas bastante pesado.

O menino Fati no Sevilha

A camisola 10 que… queima

Quando o astro argentino Lionel Messi saiu do clube, em 2021, muitos pensavam que a lendária camisola 10 seria retirada. Ou, pelo menos, “congelada” por respeito à história de um dos maiores atletas da modalidade. Mas o Barcelona surpreendeu tudo e todos, ao entregá-la a um jovem de 18 anos ainda a recuperar de lesão, Ansu Fati.

Ansu Fati herdou a mítica camisola 10 que tinha sido deixado livre por… Lionel Messi

O gesto foi visto por uns como confiança, por outros como pressão desnecessária. A verdade é que a responsabilidade pesou. E o corpo não aguentou. Desde 2020, a carreira de Ansu Fati entrou numa espiral descendente marcada por problemas físicos, cirurgias no joelho, recaídas, longos períodos de paragem e dificuldades de recuperação. A capacidade de explosão, que o tornara temido, tinha-se, então, tornado antes uma maldição. A promessa de ouro estava presa num corpo de cristal.

Mesmo com minutos esporádicos no Barcelona e alguma esperança durante o empréstimo ao Brighton & Hove, na Premier League, Ansu nunca reencontrou, então, a consistência e a qualidade que outrora demonstrara. O talento vislumbra-se apenas em lampejos, faltando ritmo, confiança, segurança e, acima de tudo, continuidade.

Ansu Fati ainda viveu alguns momentos de alegria ao serviço do Brigthon

Nova hipótese no Principado

Agora, aos 22 anos, Ansu Fati embarca num novo capítulo da sua história. O jovem prodígio jogará pelo AS Mónaco por empréstimo, em 2025/26. Um clube com tradição em revitalizar carreiras jovens, senão veja-se, por exemplo, os casos de James Rodríguez, Anthony Martial ou Bernardo Silva.

No principado, Ansu terá que encontrar o seu espaço, mais longe dos holofotes, e um treinador disposto a apostar nele como desequilibrador nas alas. O Mónaco de Adi Hüttler disputa as competições europeias, renovou as ambições no campeonato francês e precisa exatamente de um jogador como o melhor Fati. Velocidade, criatividade, irreverência e polivalência que lhe permita atuar em qualquer um dos flancos. De forma a tornar-se o suplente de luxo de Ben Seghir ou, eventualmente, o seu novo companheiro de ataque.

É impossível saber se Ansu Fati voltará a ser aquilo que prometia há uns anos. Mas se há algo que o futebol sempre provou, é que os talentos verdadeiros nunca desaparecem, apenas adormecem à espera do contexto certo para brilhar. Aos 22 anos, ainda há tempo. Mas o relógio não vai parar de contar. No Mónaco, entre o mar e os Alpes, longe das comparações com Messi e das sombras do Camp Nou, Ansu tem talvez, então, a última grande oportunidade para provar que ainda pode ser sinónimo de futuro.

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