
Três Taças de Portugal (1964/65, 1966/67 e 2004/05) e uma Taça da Liga (2007/08) constituem os maiores feitos dos 114 anos do V. Setúbal. O sexto clube com mais participações na Liga – 72, sendo o segundo lugar de 1971/72 a melhor classificação de sempre – e por onde passaram nomes que imortalizaram este emblema, como Jacinto João, Fernando Tomé e Octávio Machado, ou Yekini, Hélio e Sandro, vive atualmente uma dura realidade, longe dos palcos dos campeonatos profissionais. O Estádio do Bonfim, qual elefante branco no centro da cidade, teima em manter-se de pé. Mas é uma verdadeira batalha aquilo que o V. Setúbal enfrenta pela sobrevivência.
Consecutivas más gestões e o avolumar de dívidas foram adiando a necessidade de intervenções de fundo e agravando os problemas financeiros. Até que no final da época 2019/20, quando no relvado a equipa conseguiu assegurar a manutenção, uma decisão do Tribunal Arbitral atirou o clube do Sado para o Campeonato de Portugal.
Ultrapassado o choque, o Vitória foi à luta para tentar o regresso aos principais escalões. E acabou por garantir a subida, ao ficar em terceiro lugar à frente da U. Leiria em 2020/21.
Daí que nas temporadas seguintes, 2021/22 e 2022/23, o emblema do Bonfim tenha disputado, então, a Liga 3. Com a esperança de conseguir levar os seus adeptos de volta ao segundo escalão do futebol português, e aí sonhar com o regresso à ribalta. Mas se, em 2021/22, o Vitória acabou a fase de subida em terceiro lugar, deixando por pouco escapar o barco da subida de divisão, na temporada seguinte o desastre voltou a assolar os sadinos. E o Vitória regressou ao inferno: de uma quase subida, a uma descida histórica, caindo diretamente no quarto escalão do futebol português.
Se as finanças já estavam a rebentar pelas costuras, a descida agravou ainda mais a crise financeira. Apesar da queda aparatosa, o histórico emblema entregou-se à luta na Série D do Campeonato de Portugal.
Sob o comando de José Pedro, a época 2023/24 corre de feição, vencendo o Campeonato Portugal, e dessa forma garantindo a subida à Liga 3. Porém, o fantasma da crise financeira volta a fazer-se sentir e a falha no cumprimento dos requisitos mínimos, levou a novo e profundo golpe: despromoção para II Distrital.
A queda, abrupta, levou à debandada de jogadores e técnicos. Pelo que coube a Paulo Martins, 47 anos, assumir, no início desta temporada, o emblema da cidade de onde é natural. E tem sido um timoneiro à altura do peso histórico do seu barco, conduzindo, então, os sadinos a um registo praticamente imbatível. Soma um total de 22 vitórias, dois empates e uma derrota, que valem a liderança da segunda distrital de Setúbal, com seis pontos de avanço sobre o Cova da Piedade.
Com 86 golos marcados e apenas nove sofridos, este Vitória que renasce leva as suas gentes a sonhar com a saída do fundo do poço. Subindo degrau a degrau. Para já para a primeira divisão distrital e depois mais além.
Pedro Catarino, avançado de 24 anos, é o nome em maior destaque na equipa sadina, com 28 golos no seu registo: sozinho leva mais golos do que cinco equipas da competição.

No final de dezembro de 2024 eis que surge uma luz ao fundo do túnel: a Assembleia Geral do clube aprovou uma proposta de projeto imobiliário, que prevê a venda dos topos sul e norte do Estádio do Bonfim, por valor que pode chegar aos €25 milhões, e com isso assegurar o cumprimento do plano de recuperação (PIRE) recentemente aprovado pelos credores do clube.
Cabe agora a Francisco Alves Rito, presidente eleito a 25 de março, dar os passos para cumprir este plano e com isso garantir mecanismos financeiros capazes de trazer o emblema do Bonfim de regresso aos grandes palcos do futebol nacional. E aí então ganhar a batalha do V. Setúbal pela sobrevivência.







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