Categoria: Mais Atletismo por Domingos Castro

  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    As próximas semanas serão bastante intensas no que diz respeito a grandes provas de atletismo mundial, com três momentos de enorme significado: os Mundiais ao ar livre, em Tóquio, de 13 a 21 de setembro; os Mundiais de Corrida em Montanha e Trail, em Canfranc-Pirineos, de 25 a 28 de setembro, e o Campeonato Mundial Paralímpico, que pela primeira vez será realizado em Nova Deli, Índia, de 27 de setembro a 5 de outubro.

    Provas deste calibre têm sido cruciais na construção do atletismo português. É nos grandes palcos que nascem nomes memoráveis, heróis nacionais e momentos que ficam inscritos na história do desporto em Portugal. Simbolizam esperança, projeto e orgulho coletivo.

    Porém, o valor do atletismo transcende as medalhas. É a essência do movimento, o primeiro passo desportivo de muitas crianças, um instrumento de saúde pública e de inclusão. Ao celebrarmos estes campeonatos, celebramos também a força que esta modalidade traz à sociedade.

    A convocatória para Tóquio demonstra a qualidade e o empenho dos nossos atletas, que levam Portugal às maiores frentes do atletismo e temos a convicção de que podemos estar novamente perante uma competição memorável, onde tentaremos uma participação de excelência. Tal como em Canfranc-Pirineos, onde a resistência, a simplicidade do esforço nos desafiará. Em Nova Deli, mais do que competir, mostramos ao mundo que estamos solidários com os valores de superação e igualdade, pilares dos Mundiais Paralímpicos.

    Enquanto Federação, sentimos a responsabilidade de nutrir esta tradição de excelência e de garantir que o atletismo continue a ser motor de coesão e progresso. Levamos para cada competição confiança, trabalho e o valor inegável de um desporto que une e eleva.

    Esta é a última oportunidade de levar Mais Atletismo aos leitores do Craques.pt e sei que foram muitos os que aqui me seguiram ao longo destas 23 semanas. Estou grato pelo tempo e atenção que me deram ao ler estas linhas. Foi um gosto partilhar com todos a minha paixão de sempre, o Atletismo.

  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Quando aceitei o desafio de liderar a Federação Portuguesa de Atletismo, sabia que não podia ficar fechado em Lisboa a olhar para relatórios. O atletismo português não se faz de gabinetes, faz-se de pistas, de ruas, de parques, de escolas e de pessoas. Foi por isso que tracei uma prioridade clara desde o primeiro dia: estar próximo das pessoas, dos clubes, dos atletas, das autarquias, ouvir, criar pontes e trabalhar lado a lado com quem, no terreno, torna o desporto possível.

    Foi por isso que iniciei um périplo que ao longo destes nove meses me conduziram a reuniões com 45 municípios. Em cada visita confirmo algo em que sempre acreditei: a força do atletismo nasce da capacidade de envolver comunidades. Em Bragança, por exemplo, vi como a Meia Maratona das Cantarinhas é um orgulho coletivo que mobiliza milhares. Em Chaves, percebi a urgência de uma pista de 200 metros, que pode mudar a vida de atletas que ainda percorrem dezenas de quilómetros só para treinar. O mesmo em Vila Nova de Cerveira, Tabuaço, Castro Daire, Alcochete, Vila Real ou no Porto e em muitas, muitas mais localidades. Cada reunião é diferente, mas em todas sinto a mesma determinação em valorizar o desporto.

    Tenho dito e repito: sem as câmaras municipais, o desporto em geral e o atletismo em particular em Portugal não sobreviveria. São as autarquias que asseguram o essencial, criando condições reais para que crianças e jovens descubram o atletismo. Esta verdade não me assusta; pelo contrário, dá-me confiança. Porque sei que temos nas autarquias parceiras de excelência.

    Descentralizar, para mim, não é apenas uma opção de gestão, é um compromisso com as pessoas. É garantir que uma criança em Vila Pouca de Aguiar tem as mesmas oportunidades de praticar atletismo do que uma em Lisboa. É levar provas nacionais ao interior, enchendo cidades e vilas de atletas, famílias e vida, como por exemplo aconteceu em Marvão ou em Viana do Castelo. É ligar o atletismo à saúde pública, à educação e à coesão social.

    Como atleta, vivi na pele o que significa treinar com condições precárias e sonhar alto apesar das dificuldades. Hoje, como presidente, sinto que tenho a responsabilidade de devolver esse sonho a todos os que começam. O atletismo é, e deve continuar a ser, uma escola de vida.

    Com efeito, numa altura em que a Direção da FPA está a preparar a época desportiva 2025/26, temos vindo a apresentar diversos projetos a parceiros estratégicos, tendo em vista o enriquecimento das competições do Quadro Nacional. A estratégia é contar cada vez com mais eventos e eventos com mais qualidade. É nesta proximidade com as autarquias, com as comunidades, com as instituições e com cada jovem que acredita em correr mais longe, que vejo o verdadeiro futuro da nossa modalidade.

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  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Escrevo estas linhas no regresso da Finlândia, onde este último fim de semana o Atletismo português evidenciou o seu vigor e potencial. Os Campeonatos da Europa Sub-20, em Tampere (Finlândia), foram palco de momentos históricos para o nosso País. O velocista Pedro Afonso conquistou uma brilhante medalha de prata nos 200 metros, com 20,85 segundos, atrás apenas do italiano Diego Nappi, marca que simboliza um pódio inédito para Portugal na velocidade nesta competição.

    Destaca-se igualmente a prestação de Natacha Candé, que fechou o heptatlo no top-9 europeu. Um resultado valioso, que confirma a sua resiliência e competência multi-disciplinar. Além disso, o quarteto feminino da estafeta 4×400 m (Cristina Neves, Clara Martinha, Adimizia Andrade e Margarida Oliveira) estabeleceu um novo recorde nacional de Sub-20 com 3 min 42,06 s, proporcionando um salto qualitativo que empolga toda a nossa comunidade.

    Estas marcas sublinham o mérito e o trabalho árduo individual, mas também refletem o êxito dos programas de formação e da estratégia federativa. É a competir lá fora, perante os melhores, que os mais jovens aprendem a ultrapassar dificuldades. A Seleção de 29 atletas que representou Portugal reforça o reconhecimento e investimento no futuro da modalidade.

    É fundamental perceber que estes resultados não acontecem por acaso. São o produto de um esforço coletivo que alia formação, apoio técnico, condições dignas de treino e competição. Continuam a existir assimetrias como lacunas estruturais em infraestruturas e necessidade de reforçar o calendário competitivo para equilibrar volume com qualidade. Mas estamos empenhados em olhar para todos os clubes de igual forma, e esta Seleção já demonstrou isso mesmo.

    O meu compromisso é o de continuar a fortalecer este ecossistema, estimulando a cooperação com clubes, autarquias e técnicos especializados, para que todos os atletas, estejam onde estiverem, disponham dos meios necessários para crescer.

    Os 200 metros de Pedro Afonso, os saltos e lançamentos coletivos, o heptatlo – sem esquecer a quebra de um dos recordes mais antigos no atletismo português (durava há 21 anos), com Etson Barros a correr os 3000 metros obstáculos em 8m12s19”, no Meeting de Oordegen – tudo isso simboliza um atletismo português em ascensão.

    Inspiram-me e renovam a convicção: estamos, pois, a construir um desporto mais forte, mais coeso e com futuro. Juntos, vamos fazê-lo com ambição e responsabilidade.

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  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Excelência e renovação. Tem sido este o nosso foco em prol do atletismo português desde que esta Direção tomou posse, em novembro do ano passado. É por isso com orgulho imenso que quase nove meses depois, tenhamos atingido a marca de 56 recordes nacionais quebrados em diversos escalões etários (21 em absolutos, 12 em sub-20, 9 em sub-23, 6 em sub-18 e 8 em sub-16) e disciplinas: 22 deles na velocidade e 18 no meio-fundo e ainda 7 em estafetas, 4 na marcha, 3 em provas combinadas, 1 em saltos e 1 em lançamentos; 26 em femininos e 30 em masculinos.

    Trata-se então de números que refletem o sucesso de uma estratégia que coloca os atletas no centro: investimentos sólidos em formação, acompanhamento técnico personalizado e condições competitivas cada vez mais exigentes.

    Cada recorde representa mais que um número ou uma marca: é o reflexo da dedicação, da confiança na nossa estrutura técnica e da ambição inata que caracteriza os atletas portugueses. A nossa aposta está a dar frutos, desde os lançamentos às pistas, dos saltos às corridas de fundo, com renovação e continuidade.

    Foi isso, também, que se constatou na 110.ª edição dos Campeonatos de Portugal, realizada no Estádio 1.º de Maio, em Braga, que testemunhou momentos de bastante brilho competitivo. Performances de alto nível, atletas a lutar pelos seus objetivos, emoção, surpresas e recordes dos campeonatos e pessoais. No fundo um final de semana sublinhando o equilíbrio entre técnica e resiliência física que procuramos fomentar e que encerraram da melhor forma o calendário competitivo nacional.

    Esses dois dias foram um exemplo claro daquilo que queremos ver no atletismo nacional: fair‑play, intensidade e a concretização de objetivos pessoais e coletivos. A organização em Braga, a terceira vez que acolheu os Campeonatos de Portugal (1992, 2023, 2025), foi irrepreensível, criando as condições para que cada atleta pudesse aspirar ao melhor desempenho.

    Tanto os recordes nacionais batidos nos últimos meses como a entrega observada nestes Campeonatos de Portugal, mostram um caminho consistente e sustentável que permitiu que Braga fosse um palco de provas memoráveis, a confirmar que o atletismo português está em crescendo.

    A todos os atletas, treinadores, associações regionais e equipa técnica da FPA, o meu agradecimento e o reconhecimento por este trajeto de sucesso. Há ainda muito por alcançar, seja nas pistas, nos lançamentos ou nos saltos e estou confiante de que vamos continuar a elevar o nível, representando Portugal com orgulho e ambição nos grandes palcos internacionais.

    Juntos continuaremos a bater limites.

    PS: Ainda estou a beliscar-me para perceber se não sonhei. A morte do Jorge Costa deixou-me perplexo e a refletir, uma vez mais, sobre a fragilidade do ser humano, sobre a importância da nossa existência, que num sopro se apaga. O Jorge Costa foi alguém que viveu intensamente o seu clube, o seu País, que dedicou a sua vida inteira ao desporto. Deu tudo e tinha ainda muito para dar. Deixo, por isso, as minhas sentidas condolências a todos os amigos e família.

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  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    O futuro corre connosco. Considero convictamente que atravessamos um momento vibrante no atletismo português, onde o presente se constrói com os pés firmes no futuro. Esta é uma das constatações que podemos confirmar no fim de semana que passou, onde a juventude voltou a dar sinais de grande empenho e determinação em diversas competições.

    No Seixal, o Campeonato Nacional Sub-20, foi marcada por competitividade, espírito coletivo e promessas em ascensão, reflexo de um trabalho de base cada vez mais consistente por parte dos clubes, dos treinadores e dos seus atletas. Se coletivamente o Sporting se impôs em femininos e masculinos, não posso deixar de referir o jovem Pedro Afonso, que em dois dias seguidos quebrou dois recordes nacionais sub-20, em 400 e 200 metros.

    O futuro pertence, pois, a jovens deste calibre e vão poder mostrar novamente todas as suas potencialidades nos Campeonatos Europeus Sub-20, que vão decorrer na Finlândia de 7 a 10 de agosto. A nossa Seleção para estes campeonatos reúne uma geração talentosa e resiliente, preparada para honrar o nome de Portugal. Cada atleta chamado representa centenas de jovens que todos os dias correm, saltam e lançam movidos por sonhos.

    Quando esses sonhos se concretizam, é todo o País que se inspira. Foi o que aconteceu no Festival Olímpico Europeu da Juventude, ou nos Mundiais Universitários, ou ainda, nos Jogos Europeus da Juventude, onde, uma vez mais, jovens atletas de grande valor e grande futuro deixaram uma bandeira erguida por todos os que acreditam no poder transformador do desporto.

    É com este espírito que nos preparamos para os 110.ºs Campeonatos de Portugal, que terão lugar em Braga no próximo fim de semana, dias 2 e 3 de agosto. Uma competição centenária, que continua a ser o palco maior do nosso atletismo e uma montra da excelência nacional. Que este encontro sirva não só para consagrar campeões, mas também para reforçar a paixão e o respeito por uma modalidade que é, desde sempre, parte da nossa identidade desportiva.

    O atletismo não é só correr depressa, saltar mais alto ou lançar mais longe. É construir valores, formar cidadãos e unir gerações. A FPA continua a trabalhar com os clubes, treinadores, atletas e associações regionais para garantir que o percurso da nossa modalidade seja, acima de tudo, progressivo e duradouro.

    Porque o futuro está em marcha e corre connosco. Com Mais Atletismo.

  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    O último fim de semana foi um retrato fiel – mais um – do vigor, da determinação e do talento que atravessa atualmente o atletismo nacional. Das pistas internacionais à nossa elite em solo português, os resultados não só enchem de orgulho, como reforçam a convicção de que estamos num ciclo de crescimento sustentado, assente em trabalho, competência técnica e ambição, muita ambição.

    Nos Europeus Sub-23, prova que se realizou em Bergen na Noruega, a nossa Seleção deixou muito boa imagem nas várias disciplinas. Destaque para Lourenço Rodrigues, que conquistou uma belíssima medalha de bronze nos 3000 metros obstáculos. Um feito notável, não apenas pelo pódio, mas pelo símbolo que representa: temos jovens a competir ao mais alto nível e a ganhar entre os melhores da Europa. Este resultado foi acompanhado de recordes nacionais, como o da equipa de estafeta feminina de 4×100 metros, composta por Rita Barbosa, Beatriz Castelhano, Lurdes Oliveira e Joana Dias, que garantiu um honroso 6.º lugar na final e estabeleceu um novo recorde nacional sub-23. O que eleva o nível das nossas gerações emergentes.

    Por outro lado, na Bélgica, no meeting Night of Athletics, José Carlos Pinto alcançou, nos 1500 metros, a marca de qualificação direta para os Mundiais de Tóquio com uma corrida sólida e inteligente. O resultado alcançado por José Carlos Pinto permite-lhe juntar-se a Isaac Nader e Nuno Pereira, também eles com marca de qualificação direta, podendo Portugal apresentar três atletas nos 1500 metros, em Tóquio, o que seria uma presença inédita. José Carlos Pinto é mais um exemplo para os mais jovens e uma demonstração de que a persistência conta se for acompanhada de coragem e ambição.

    E se dúvidas restassem sobre o impulso do nosso setor feminino, Salomé Afonso dissipou-as por completo ao bater o recorde nacional da milha, no Meeting de Londres, da Liga Diamante. Um feito que não surge do acaso: Salomé tem evoluído com consistência e confiança e esta marca é sinal de que pode chegar ainda mais longe.

    Estes resultados são motivo de celebração, mas também de reflexão. O que vemos é o reflexo de investimento em formação, ciência, estrutura técnica e espírito coletivo. Na realidade em pouco mais de oito meses – desde que esta Direção assumiu funções na FPA – mais de meia centena de recordes nacionais já foram batidos. O que nos deixa a certeza que estamos no bom caminho.

    Continuaremos a trabalhar para garantir que estes talentos não são exceção, mas regra. O futuro já está a acontecer e passa por todos os que prova após prova, treino após treino, continuam a dignificar aquilo que mais gostam de fazer.

    Aos atletas, treinadores e clubes, um sincero obrigado. E ao País, uma certeza: contem connosco, porque o atletismo português está vivo e corre mais forte do que nunca.

  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Este último fim de semana, o emblemático Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, testemunhou aquilo que entendo ter sido um verdadeiro renascimento na dinâmica dos Campeonatos Nacionais de Clubes. A conjugação de cores, expressões de esforço e espírito coletivo revelaram um país a respirar atletismo de alta competição e grande paixão.

    A 1.ª Divisão foi palco de um épico braço de ferro entre Sporting e Benfica, no setor masculino, com a disputa a prolongar-se até à derradeira estafeta dos 4×400 m, com o Sporting a impor-se e a bater o recorde nacional de clubes, superando uma marca que datava de 1989. Em femininos, as leoas chegaram ao 55.º título, 15.º consecutivo. Mas sublinhar esta hegemonia não significa diminuir a importância dos demais clubes, que com espírito e respeito engrandeceram a competição.

    Mais do que nas equipas de topo, é nas divisões ditas secundárias que tenho sentido uma chama vibrante. Na 2.ª e 3.ª divisões ecoou o orgulho de representar cores e histórias locais, atletas empenhados numa luta intensa, revelando o verdadeiro significado de entrega e paixão, de pertencer a si mesmos, ao seu clube, à sua comunidade.

    É com estes alicerces que se constrói a grandeza do futuro. A ambição de subir, a frustração de falhar por pouco, os momentos de glória; elementos essenciais para nutrir o DNA do atletismo.

    A presença em Leiria de medalhistas e finalistas internacionais, já com olhos postos nos Mundiais de Tóquio, imprimiu outra dimensão à competição. A isso juntou-se uma inebriante moldura humana: equipas e público unidos num entusiasmado apoio. Foi atletismo global, com a alma do atletismo português.

    Vi, por isso, em Leiria um atletismo saudavelmente plural: capaz de excelência, capaz de formar, capaz de emocionar. Os clubes – todos eles – deixaram uma marca, deram reforçados passos rumo ao topo e reforçaram os pilares do coletivo.

    Sinto-me confiante quanto ao futuro do nosso Atletismo. A coesão da FPA, o empenho dos clubes, a aposta nos atletas emergentes, a resiliência dos mais experientes e o envolvimento comunitário definem um caminho sólido. É por mais fins de semana assim que empenhamos a nossa energia.

  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Os Campeonatos Nacionais Sub‑23, disputados em Coimbra neste fim de semana, dias 5 e 6 de julho, revelaram-se um cenário inspirador para o atletismo nacional, com o Sporting a conquistar os títulos coletivos masculinos e femininos. Juventude Vidigalense, de Leiria, e Benfica asseguraram respetivamente os segundos e terceiros lugares também em masculinos e femininos.

    Destaque para o elevado nível de desempenho das equipas participantes, evidenciando o dinamismo e a qualidade do atletismo nacional, estando a Federação Portuguesa de Atletismo empenhada em promover o desenvolvimento dos jovens talentos e em reforçar a importância do envolvimento das famílias e da comunidade no sucesso do atletismo nacional. É por isso que estes resultados evidenciam o elevado nível competitivo e o dinamismo do atletismo nacional, sublinhando o empenho e a dedicação de atletas, treinadores e clubes envolvidos nesta importante competição.

    Mas são, também, consequência de uma aposta consistente na formação, na melhoria das infraestruturas – como a pista certificada da Cidade de Coimbra ou o novo Centro de Lançadores de Sobral de Ceira – e num circuito competitivo que estimula os clubes e os jovens atletas a darem o seu melhor.

    Estou plenamente convicto que estes jovens são o futuro da nossa Seleção Nacional. Os atletas Sub‑23 são, à partida, aqueles que se encontram melhor posicionados para assegurar a renovação da nossa Seleção. Não podemos, contudo, esquecer os mais jovens, muitos deles já com um nível internacional de excelência. Por tudo isto, sinto-me verdadeiramente feliz por ter presenciado, ao longo deste fim de semana, uma prova excecional e com uma moldura humana extraordinária de entusiasmo contagiante. É este o espírito de que a modalidade necessita: entusiasmo e apoio.

    O que presenciámos em Coimbra demonstra que vale a pena investir nos jovens, investir na modalidade. Estamos perante uma geração com talento, ambição e sentido de compromisso. E é nosso dever garantir que têm os meios para chegar mais longe. É por isso que atletas, treinadores, clubes, autarquias e, naturalmente, a Federação estejam unidos em redor do mesmo objetivo.

    O futuro do atletismo português começa aqui. E começa bem.

  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    O desporto, tal como a vida, é feito de superações. Neste fim de semana em Madrid, nos Campeonatos da Europa por Equipas, a Seleção Nacional de Atletismo voltou a dar uma resposta clara: Portugal está na elite do atletismo europeu… e com todo o mérito.

    Terminámos em 8.º lugar, entre as 16 das melhores nações do continente, assegurando a manutenção na Superliga europeia. Poderia parecer um feito esperado, mas quem conhece a realidade desportiva, quem sabe o que representa competir ao mais alto nível, entende que este resultado é fruto de muito mais do que talento: é fruto de caráter, de compromisso e de espírito coletivo.

    É impossível não me emocionar ao ver atletas como o Isaac Nader, que venceu os 1 500 metros com autoridade, ou a Fatoumata Diallo, que se impôs nos 400 metros barreiras, mostrarem o valor do atletismo português. Mas mais do que medalhas ou vitórias – que celebramos com orgulho – este Europeu mostrou o que nos define enquanto nação desportiva: resiliência.

    Tivemos baixas importantes. Partimos para Madrid com menos armas do que gostaríamos. Mas não usamos isso como desculpa. Pelo contrário, cada atleta deu mais de si para compensar as ausências. Quando no início do último dia ocupávamos o 11.º lugar, podíamos ter vacilado. Mas lutámos e subimos até ao 8.º posto.

    Não posso deixar de destacar o que fez a Lorène Bazolo, que aos 41 anos voltou a bater o recorde nacional dos 200 metros com 22,61 segundos. Um exemplo de entrega e paixão. Ou a Salomé Afonso, que nos deu uma medalha de prata nos 1 500 metros. Bem como a Agate Sousa, que com um salto de 6,84 metros conquistou um bronze e elevou o nosso nome ainda mais alto.

    Mas mais importante é a mensagem coletiva: Portugal está aqui para ficar.

    Enquanto Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, posso dizer com convicção que este resultado foi mais do que um bom desempenho desportivo. Foi um sinal de que o caminho que estamos a seguir – de aposta no talento jovem, na preparação séria e nos apoios sustentados – está a dar frutos.

    Mas não podemos adormecer. Estar entre os melhores é desafiante, mas para nos mantermos lá exige mais trabalho, mais visão e mais investimento. Precisamos de continuar a apostar na base, nos clubes, nos treinadores, e em estruturas que permitam aos nossos atletas evoluir sem terem de abdicar do sonho por falta de meios.

    O nosso atletismo é feito de suor, de coragem e de identidade. Em Madrid, cada atleta correu, saltou ou lançou com uma camisola que representa muito mais do que um País… representa um estado de alma.

    Estamos de parabéns, atletas, treinadores, staff, todos. Vamos por mais. MAIS atletismo.

  • Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Mais Atletismo – Opinião por Domingos Castro

    Nesta última terça-feira, em Ostrava, Isaac Nader bateu o recorde nacional dos 1500 metros que perdurava há 23 anos. Foi o terceiro recorde nacional do Isaac em poucos dias, depois de ter batido as marcas primeiro na milha, no meeting de Oslo, e depois nos 800 metros, em Guadalajara. Parabéns, Isaac, és um orgulho para todos nós.

    Desde que assumi a presidência da Federação Portuguesa de Atletismo, comprometi-me com uma visão clara: devolver ao atletismo nacional o protagonismo, a ambição e a confiança que merece. Olhando para os resultados destes últimos meses, é com orgulho que constato que estamos no caminho certo.

    Em apenas sete meses, 37 recordes nacionais foram batidos. Um número que ultrapassa qualquer expectativa razoável e que traduz, com clareza, o momento excecional que vivemos. Estes recordes abrangem escalões de formação e seniores, disciplinas de pista, estrada e marcha, em ambos os géneros. São um sinal inequívoco de vitalidade e renovação. Do Isaac ao Duarte Gomes, do João Vieira à Lorene Bazolo, à Patrícia Silva ou Mariana Machado, o orgulho é extensível a todos vocês.

    O mais recente destes feitos, protagonizado pelo Isaac Nader, é particularmente simbólico. Ao correr os 800 metros em 1.43,86, não só bateu o recorde absoluto que pertencia a Rui Silva desde 2002, como afirmou o nome de Portugal entre a elite da meia distância mundial. Este resultado não surgiu por acaso. É fruto de talento, trabalho árduo, equipa técnica competente e de um ambiente federativo que se quer cada vez mais estável, exigente e mobilizador, proporcionado todas as condições aos atletas.

    Tão ou mais gratificante do que os resultados dos nossos atletas consagrados é ver o número de recordes batidos nos escalões de base. Os jovens estão a aparecer, a evoluir, a acreditar. E quando acreditam, correm mais depressa, saltam mais alto e lançam mais longe. Isto só é possível com clubes empenhados, treinadores dedicados e políticas de desenvolvimento desportivo com visão a longo prazo.

    Estamos apenas no início. A responsabilidade de manter este ciclo de crescimento é enorme e exige de nós, dirigentes, a mesma dedicação que exigimos aos nossos atletas. Continuar a investir na formação, na qualificação técnica, na modernização dos meios de treino e na internacionalização da nossa presença competitiva é aquilo que nos é exigido.

    É, por isso, com orgulho que sinto que o atletismo português está de volta. Está mais jovem, mais ambicioso e mais competitivo. A nossa missão é garantir que este fôlego não se esgota num ciclo, mas transforma-se num legado duradouro.

    Por isso estamos à porta de mais um grande desafio. No próximo fim de semana, em Madrid, realiza-se o Campeonato da Europa de Equipas – uma prova onde o atletismo ganha uma dimensão diferente. Aqui, o esforço é coletivo, cada ponto conta, e os atletas não correm só por eles: correm por Portugal. Levamos uma Seleção equilibrada, com uma mistura de juventude e experiência, preparada para defender com dignidade o nome do País.

    Contamos com todos. Porque o futuro já começou.