Num torneio recheado de campeões europeus, sul-americanos e estreantes de renome, o Monterrey chegou, então, ao Mundial de Clubes como quem poderia prometer muito pouco. Mas, ainda assim, fez o suficiente para ser notado.
O Monterrey está mais do que habituado a dominar a Liga MX e a Champions da CONCACAF, somando já cinco títulos continentais. Mas mais do que os troféus, impressiona a forma como se reforçou para esta época: Sergio Ramos traz liderança e respeito. Corona dá criatividade e ousadia. Óliver Torres empresta equilíbrio e precisão. E Berterame dá golos. Tudo isto ancorado num modelo de jogo compacto, com transições rápidas e bom aproveitamento da posse. O gigante do norte do México, que há muito construiu reputação na CONCACAF, mostrou que pode rivalizar com qualquer adversário, mesmo que a história tenha terminado mais cedo do que os fãs gostariam. Monterrey – o underdog da América Central.

Uma resposta madura num grupo indigesto
Inseridos num grupo temível ao lado do finalista vencido da última Champions League, Inter de Milão, do maior campeão argentino, River Plate e da sensação japonesa Urawa Reds, os Rayados não se intimidaram. A estreia frente ao Inter foi, então, taticamente contida, num empate a uma bola onde se fez valer a experiência de um dos melhores centrais da história, Sergio Ramos, que marcou o golo que valeu o empate à equipa de Rayados.

Seguiu-se o embate que poderia decidir quem avançava e quem ficava pela fase de grupos. Num confronto 100% americano, os mexicanos, mantiveram, então, a sua baliza selada, frente à ofensiva argentina. O jogo acabou com a expulsão do médio Kévin Castaño, já nos momentos finais da partida.
Já contra os japoneses, o Monterrey soltou-se, alcançando uma vitória expressiva, por 4-0, frente aos Urawa Reds. Uma exibição que não deixou dúvidas sobre o verdadeiro peso da experiência. Jesús Corona, também ex-Porto, brilhou com um grande golo e duas assistências, relembrando os melhores dias da sua carreira em solo português.
A ligação ao Benfica que começou em… Eusébio
Em 1975, o Monterrey contratou Eusébio da Silva Ferreira. Lenda do Benfica e do futebol português, Eusébio chegou diretamente de Toronto, onde já representara o Toronto Metros-Croatia, mas não teve, então, grande impacto no México. O Pantera Negra cumpriu apenas 10 jogos pelos Rayados, nos quais apontou um golo.

Mas a ligação do clube mexicano ao Benfica não termina aqui. É que o melhor marcador da história do Monterrey é Rogelio Funes Mori, avançado argentino que passou pelo clube da Luz entre 2013 e 2015, embora sem deixar grande marca. Pelo Benfica, Funes Mori foi ainda cedido aos turcos do Eskişehirspor para, no verão de 2025, assinar, então, pelo Monterrey.
Ali jogou entre 2015 e 2023, tendo apontado 160 golos em todas as competições e superando o anterior melhor marcador da história dos Rayados, o chileno Humberto Suazo, com 121 golos. No pódio surge ainda outro grande goleador da história do clube, o brasileiro Mario Souza Bahia, que fez 96 golos entre 1984 e 1992.
O futuro promete
A eliminação diante do Borussia Dortmund neste novo Mundial de Clubes deixará marcas, mas também certezas: este Monterrey tem talento, visão e, acima de tudo, tem coragem. Se continuar a investir com critério e a competir com esta maturidade, ninguém se surpreenderá se, numa próxima edição, os Rayados forem mais longe. E quem sabe? Talvez um dia cheguem à final. Porque com esta base e mentalidade, o impossível já não parece, então, estar assim tão longe de ser alcançado.


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