Há vida para além do 3-4-3?

Há vida para além do 3-4-3?

Até esta Supertaça, o saldo dos anteriores 10 jogos oficiais entre Sporting e Benfica era um ‘caos’ para as águias: uma vitória – uma, apenas! – para a equipa da Luz. Nos últimos 7 jogos, aliás, o Benfica não tinha conseguido qualquer triunfo sobre os leões. Nunca na história desta longa rivalidade se tinha assistido a algo assim.

Desde 12 de novembro de 2023 que os ‘encarnados’ não venciam o Sporting. Foi a tal noite milagrosa, em que a equipa de Amorim ganhava na Luz, ao minuto 90, e acabou por perder (2-1), com golos nos descontos de João Neves (90’+4) e Tengstedt (90’+8), num jogo em que o Sporting teve um jogador expulso (Gonçalo Inácio) no início da 2.ª parte (minuto 50).

Daí para cá nunca mais o Benfica tinha conseguido vencer o eterno rival. Foram 7 jogos (sete!) sem qualquer triunfo, até esta quinta-feira, quando Pavlidis, no Algarve, decidiu acabar com o longo jejum, apontando o golo solitário que decidiu o primeiro troféu oficial da nova época.

Mais do que encontrar mérito (no vencedor) ou demérito (no vencido), o que importa refletir é sobre os últimos anos e dizer que Ruben Amorim mudou, efetivamente, a história recente do futebol português. E que não será fácil a Rui Borges, nem a ninguém, fazer esquecer o trabalho sensacional que o agora técnico do Manchester United realizou em Alcochete.

Fazer esquecer, aliás, até será tarefa impossível. O que os adeptos do Sporting gostariam era, apenas, que alguém lhe pudesse dar continuidade. É verdade que Borges, ao estilo ‘estafeta’, ainda conseguiu pegar na ideia de jogo de Amorim e levar os leões à conquista do bicampeonato e à vitória na Taça, em 2024/25. Mas, agora, querendo implementar a sua própria marca e, legitimamente, o seu ideário futebolístico (que passa por um sistema tático diferente), sobram mais dúvidas do que certezas.

Um jogo, apenas, não serve para grandes conclusões. Mas, em todo o caso, não são apenas os 90 minutos de ontem que justificam as tais dúvidas sobre a capacidade de Rui Borges manter o ‘avião lá em cima’. Importa lembrar que, já na época passada, o treinador tentou mudar o sistema antes de fazer uma providencial ‘marcha-atrás’ e voltar ao 3-4-3 de Amorim. E mesmo nesta pré-temporada, os jogos particulares que foram transmitidos pela televisão não deixaram boas sensações quando se percebeu as mudanças que aí vinham.

Importa, pois, não ignorar o elefante na sala. Por isso, a pergunta tem de ser feita: Rui Borges é treinador para o Sporting? Ninguém sabe. Chegou em dezembro, está há 7 meses no cargo e, na realidade, ainda não é possível ter a certeza se o ex-técnico do Vitória de Guimarães tem capacidade para um ‘barco’ desta dimensão.

A história está carregada de exemplos de treinadores que mostraram competência suficiente para projetos de nível médio ou médio/alto, mas que depois não conseguiram o mesmo num patamar acima e acabaram por se espalhar ao comprido.

A sensação que fica, aliás, não é a de que será apenas Rui Borges a querer impor a sua ideia para se ‘virar a página’, definitivamente, em relação a Amorim. O que parece é haver hoje em dia uma vontade generalizada, no Sporting, de se ‘matar’ o fantasma de Ruben. E provar que há vida para além do 3-4-3. Mas haverá mesmo?


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