Nascido no Cairo como expressão de um movimento nacionalista contra o domínio britânico, o Al Ahly foi muito mais do que um clube desde a origem. Começou como um espaço para jovens intelectuais e tornou-se numa potência desportiva e social. Hoje é referência em África, mas também no mundo árabe e no futebol global. O seu palmarés é inigualável: mais de 120 títulos oficiais entre competições nacionais e internacionais fazem do Al Ahly o clube mais titulado do mundo. Um feito que reflete não apenas a excelência desportiva, mas também a sua estrutura sólida e a devoção de milhões de adeptos. Esta é a rubrica ‘Underdogs’ do Mundial de Clubes: Al Ahly – O coração vermelho do Egito e o clube mais titulado do mundo.
O Al Ahly nasceu numa época de efervescência política, fundado por nacionalistas egípcios sob o domínio britânico. O nome “Ahly”, que significa “nacional”, traduzia o espírito patriótico do projeto.
Nos seus primeiros anos, o clube enfrentou, então, dificuldades financeiras e estruturais, mas nunca perdeu a identidade combativa. Desde cedo abraçou várias modalidades, mas o futebol destacou-se como a principal força. A camisola vermelha, desde então, passou a representar resistência, paixão e ambição. Mais do que um emblema desportivo, o Al Ahly tornou-se uma instituição nacional, envolvida na vida cultural, política e social do Egito. A sua fundação está intimamente ligada à história do país, o que faz com que o clube seja muito mais do que apenas futebol para milhões de egípcios.
Com 11 Ligas dos Campeões, o Al Ahly detém o recorde absoluto de conquistas continentais africanas. Soma ainda mais de 40 campeonatos egípcios e mais de 30 taças nacionais. É um domínio interno quase absoluto e uma supremacia africana sem paralelo.
A nível internacional, o clube destacou-se com três terceiros lugares no Mundial de Clubes da FIFA, em 2006, 2020 e 2021. Enfrentando, então, equipas como o Internacional de Porto Alegre, o Bayern Munique ou o Palmeiras. A consistência competitiva do Al Ahly assenta numa cultura organizacional forte, numa formação de base sólida e numa política de recrutamento focada no sucesso imediato. É uma verdadeira máquina de troféus que atravessa gerações e continua a bater recordes ano após ano.
O treinador Manuel José é um dos grandes responsáveis pela projeção internacional moderna do Al Ahly. Entre 2001/02 e entre 2003 e 2009 (com uma breve terceira passagem em 2011/12), conquistou quatro Ligas dos Campeões Africanas, sete campeonatos nacionais e mais de uma dezena de troféus no total. Com ele, o clube viveu uma era dourada.
A relação de Manuel José com os adeptos foi (e é) de puro culto. Outros portugueses passaram, também, pelo comando técnico do clube. Foram os casos de José Peseiro (2015-2016) ou Ricardo Soares (2022), embora sem o mesmo impacto.
O Al Ahly tem uma das maiores bases de adeptos do mundo e uma fortíssima presença digital. Os seus jogos no Cairo International Stadium juntam multidões superiores a 70 mil pessoas. Fora das quatro linhas, é uma marca global e uma voz ativa na cultura desportiva egípcia.
Aliás, numa recente entrevista dada por Manuel José ao Craques, o técnico destacou, então, a paixão intensa que os adeptos têm pelo Al Ahly. “Duas horas antes dos jogos, o estádio está sempre cheio, seja contra o maior rival Zamalek ou o último classificado da Liga. E milhões à porta para entrar”, disse ao nosso site.
Em 2025, o Al Ahly segue firme como referência máxima no futebol africano. Bem gerido, ambicioso e competitivo, continua a formar talento e a somar títulos. Acabou de sagrar-se tricampeão egípcio antes da participação no Mundial de Clubes. A lenda do clube mais titulado do mundo não pára de crescer — a chama vermelha está mais viva do que nunca.
Neste momento, disputa o Grupo A do Mundial de Clubes, juntamente com o FC Porto, o Palmeiras e o Inter Miami. Esta é a rubrica ‘Underdogs’ do Mundial de Clubes: Al Ahly – O coração vermelho do Egito e o clube mais titulado do mundo.